quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Americana e Bad Habit.

Fui no show do Offspring, e mais uma vez cosntatei o quanto é irritante e atrapalha a minha vida as minhas fraquezas mentais e, consequentemente, físicas. Chegamos na fila as 4 horas da tarde, levei um rãfals, uma Trakinas de limão e água. Os portões abriram só as 8h da noite. Quando chegamos na fila, tinham umas 30 pessoas na nossa frente, e quando os portões abriram tinham quantas? Umas 100! Furamos a fila na cara dura, e quando criticavam, costuravam a boca com a minha resposta "furão por furão, agora é a minha vez de furar".

Fiquei com uma mão na grade, esperando um vacilo dos da frente que nunca veio, pelo menos até o momento que fui tirada pela grade porque estava passando mal. Mas antes disso, Tequila Baby entrou no palco, uma hora e meia depois de estarmos em pé na frente do palco, tocou umas 6 musicas fodas, mal dava pra pular, só dava pra cantar junto e suor, emanando uma quantidade incalculável de suor.

No intervalo, começou a tensão. Dois emos malditos de um lado, uma otária nerd do outro que se achava punk porque "bah, meu moicano é feito de ovo, meu", começaram a empurrar sem noção nenhuma, a amassar, a massacrar, e mais 6 mil pessoas atrás que não tinham noção nenhuma de Física de que "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço".

Passado 15 minutos de intervalo, chamei o tiozinho gente boa que era segurança ali na frente e perguntei se ele podia pedir pra que parassem de empurrar tanto e ele disse que não podia fazer nada sobre isso, então, nem deu 2 minutos e o pânico bateu. Não vinha nenhum ventinho pra acalmar meus nervos, e comecei, na verdade, a morrer de medo de passar mal. Mais uma vez, chamei o tiozinho e perguntei como eu podia sair dali, porque eu estava me sentido mal. Aí me puxaram pela grade e me levaram para a ambulância. Assim que sentei na cadeira do atendimento, escuto a gritaria e os primeiros acordes de "Stuff Is Messed Up". Então, comecei a chorar, a tremer, medindo minha pressão, meus sinais vitais. E a médica "é, dá pra ver que és bem fã da banda", e eu, aos prantos "fã? passei um ano juntando migalhas pra conseguir chegar aqui", e cantarolando "Stuff".

A médica disse pra eu ficar calma, que assim que eu parasse de chorar, ela me liberava pra voltar, mas que eu não devia mais voltar pra grade que eu poderia passar mal denovo. Então, os seguranças levaram o Bruno e eu de volta pra pista (ainda nutri uma pequena esperança de que eles fossem bondosos de me deixar do lado de dentro da grade, mas não).

Chegamos na pista no finzinho da "All I Want", e eu aos prantos ainda. Ficamos no canto direito, a uns vinte metros do palco. O Bruno disse "amor, calma! aproveita o show!". Mas eu estava sentindo pontadas fortes de dor na barriga que não me deixavam pular direito, sentia falta de ar que não me deixava cantar direito e sentia emoção que não me deixava ficar com os olhos secos.

Eu dava cinco pulos e parava pra respirar, berrava umas três frases e parava pra respirar, a cada nova música, novo ataque de choro, gritos, faltas de ar, pulos, dores e choros.

Na hora que eles sairam do palco pra fazer o "charminho do biz" eu nem sabia mais se queria mais, ou se queria que acabasse, de tanta confusão de sensações que eu tinha. Demoraram pra voltar, teve até vaia, mas eles voltaram e tocaram "I Can't Get My Head Around You", " Want You Bad" e "Self Esteem". Eu não sabia se admirava a calma do Greg, a loucura do Noodles ou a força das cordas vocais do Dexter. Ou também, se eu cantava, ou pulava, ou chorava. Foi tenso.

Quatro anos e dezessete dias depois daquela noite em que chorei por não ter grana de ir, finalmente consigo assistir ao show do Offspring, da banda que sustentou minha adolescência e ainda a sustenta (já que nunca consigo sair dessa fase). Extremamente emocionada, nervosa e passando mal, mas vale à pena cada fisgada de dor e de nervosismo pra ver todas aquelas músicas serem tocadas pela banda que escreve letras que casam com todos meus transtornos, minhas idéias, meus conceitos e meus desejos, banda feita de caras que não se preocupam com um esteriótipo punk, que se vestem com roupas normais, que gostam de coisas normais, que não se prendem à conceitos mornos e estáticos. Curtem a vida (gostaria de conseguir curtir), vivem, trabalham, pensam, estudam. Um pouco do que sou e tudo o que quero ser.

Ah, ainda perdi a caixa dos meus óculos, porque a minha mochila se abriu enquanto o Bruno se divertia (quem diria) mais que eu na roda punk.

Obrigada, Bruno, por ter me ajudado a realizar esse sonho, por não me abandonar nem nos momentos em que eu estava chorando "por outros caras", por compreender (ou tentar) tudo o que significava pra mim ir a esse show. Obrigada.

Obrigada aos amigos que torceram por mim, mesmo sendo impossivel pra mim definir com exatidão o quanto era importante pra mim ir a esse show, a esses amigos que me incentivaram e me deram força (mesmo quando eu não acreditava possuir essas forças).

Obrigada ao Offspring, por conseguirem definir com tanta clareza meus pensamentos e transformá-las em canções, e me fazer fã dessa banda de caras normais.



O único problema é que não consigo tirar da cabeça a "Stuff Is Messed Up", só porque não VI ela ser tocada. E até quando eu disse "merda odeio essa música", dois segundos depois eu estava cantarolando, com os braços pra cima "Kristy, are you doing okay?". Nunca pensei que isso fosse possível, uiehauiheuiahueiae...






Foto tirada do celular, pelo Bruno, porque eu não estava em condições decentes de tirar fotos. Mais ou menos aí que ficamos depois do meu fiasco. O que me deixa de cara é que, bem, com tanto empurra-empurra e pressão perto da grade, por que foi só eu quem passou mal? Por que tenho de ser tão fraca, tao medrosa?

4 comentários:

Camille Bonetto disse...

Vo te conta uma coisa. Agora é tua vez de lê! xPP

Eu xeguei no show era 8 e poka jah da noite.
Apavorei, pq jah tinha mundaréu de gente na minha frente. Não TINHA COMO EU IR antes e meu desespero numero 2 começou ali.. (o desespero numero um surgiu no momento que eu descobri que estaria completamente sozinha no show. sem companhias "amiguísticas" nenhuma =S) Tahh...
ENTREI, jah sem esperança nenhuma..
Lah dentro vih q tinha poka gente ainda.. E fui me metendo até xegar ao meu objetivo. à grade =D
Fikei realmente mto perto. Tbm fikei ali esperando por algum vacilo q naum aconteceu e ferro com tudo... =(

Axo q eu tava na tercera fila depois da grade, e pra ajuda tinha um menino EXTREMAMENTE bebado na minha frente que naum PARAVAAA EM PÉ!! Sinceramente NAUM SEI PQ PESSOAS ASSIM , VÃO PRO SHOW, SE SABEM Q NÃO VÃO LEMBRAR DE QUASE NADA NO OUTRO DIA, mas TAH!
aguentei firme.. Afinal, era por um BOM MUTIVO! \o/

No show do Tequila?! AHAM.. naum me mexia. Se pulassem eu era OBRIGADA a pular junto, hahahaha, CALOR? era brincaderaaaa!!! Eu tava ESCALDANDO ali... Mas ainda assim pensei q era por um bom motivo.

Quando eles tokaram a PRIMERA NOTA de Stuff, meu deus. Meu mundo desabÔ! ERA MTA GENTE EMPURRANDO, era MUITA GENTE CAINDO UMAS POR CIMA DAS OTRAS, era mtoo caloooooor, era muita lágrima, era MUITO AR QUE FALTAVA, meu deus eu só pensava em COMÉ Q EU IA SAI DALI... olhei pra cima.. VIH O ROSTO DO DEXTER MUITO DE PERTO e um pisão ENORME no meu pé que conseguiu LEVÁ MEU TENIS PRA MTO LONGE de modo o qual eu naum axei mais...
Apavorada e totalmente sem ar, tremendo e passando mto mau eu só qria sai dali! Não sei de onde eu tirei força pra impurrá tanta gente (ateh pq nem ME VIRÁ EU CONSEGUIA) sai empurrando e pidindo PELAMORDEDEUS pra mim passar, consegui xegar até onde vendiam as bebidas ali. Ai que alívio.
Toda roxa, sem tênis , agora com um pko de ar e com as tremederas a miL (jah tinha perdido All I Want só na função de tentar sair dakela muvuca) eu fikei feliz novamente.
chorei feito uma condenada e pude, INFIM cantá e berrá o maximo possivel!

Simmmmm!!! SOFREMOS, mas néé..
tenho mto que concordá cuntigo q valew mto a pena.!!!!!
cada gota de suor. cada lágrima, cada PUXADA sofrida de ar q eu tentava dar. meu deus.
Offspring é vida. \o/ uahsuahsuahusa

Agora, lendo teu post. Paro pra pensar em quantas MILHARES³³ de pessoas tbm jah passaram mto³ mau POR ELES e continuam aí, sempre apoiando a banda. Cada vez mais eu me convenço de que eles são sim os melhores. hahahah, kramba é um sentimento que NÃO TEM EXPLIKAÇÃO! DE VERDADE, eu intendo o q tuh sente, axo q tuh tbm intende o q EU SINTO. Só nós sabemos o que é passar MAU PAH KRALEO ovindo Offspring *.* xPP

Bjão Guriaaaa!

Tio Clash disse...

Pô, que legal, Débs! Post emocionante heim?
Mas fala ae..é sofrido, é dolorido, é sufocante, mas a melhor coisa que tem é ver um show da sua banda preferida (ou qualquer outra que você goste)

Bem legal! Parabéns por essa! E que venham mais!

Leonardo disse...

Bah, eu não conhecia nenhuma fã assim, de chorar, passar mal e tal. Me lembra aquelas imagens de beatlemaníacas berrando nos anos 60. Legal. O importante é que curtiste.

O Smash é um grande disco.

Kaio Cezar disse...

hahahaha

Porisso que é bom ser homem... deu calor tira a camisa e boa..