quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Professora de 2014

     Antes de mais nada, como a sinceridade é minha característica mais marcante e que procuro valorizar, devo admitir que quase não trabalhei esse ano. Isso porque, como entrei no mestrado no inicio do ano, a minha carga horária que é de 20h (divididas entre manhã e noite) foi condensada em dois dias na semana devido as aulas em Pelotas. Sendo assim, no primeiro semestre lecionei às quintas e sextas-feiras e no segundo, às terças e quartas-feiras. E o que mais teve nesses dias da semana?? Feriados. Assim, eu tirava micro-féiras de 12 dias a cada feriadão que rolava.

      Mesmo assim, sinto que, principalmente no final do ano, cresci como professora. Não que eu tenha me tornado maravilhosa, longe, muito longe disso, mas senti, no meu íntimo, que começou a florescer algumas características de professor que eram pouco desenvolvidas em minha pessoa. Tudo pode ser consequência da euforia de fim de ano, não pode se descartar essa possibilidade.

       Como muito autocrítica que sou, tenho de falar que estive muito desleixada esse ano, quase caindo naquele conto do "caderno amarelado": como não era mais "minha primeira vez", já tinha cartas na manga do ano passado para usar em sala de aula, mas admito que esses recursos provisórios acabaram se tornando a regra: repeti muito do que fiz o ano passado.

        Mas tudo isso acontece em prol da excelência. Eu não queria errar, não queria me estressar, não queria ter de lidar com um método ou atividade mal sucedidos. Quando preparamos coisas novas, o erro, em algum grau, sempre acontece, e a gente tem que ficar refletindo, modificando, avaliando a si mesmos, avaliando seu próprio trabalho. E eu tenho medo disso. Tenho medo de errar, de me frustrar, de perceber que não fui bem naquilo que planejei. Além da pouca criatividade que me acompanha desde alguma fase da minha vida em que passei a bloquear, sabe-se lá por qual trauma, a criação, a inventividade. 

          Criei afinidade com alguns alunos (e eu sei que o termo "aluno" remete a um individuo "sem luz", mas nunca dei muita bola para o significado que os outros dão às coisas, mas sim a forma com que eu as encaro), solicitei avidamente, mesmo que eles não percebessem, sugestões de atividades, materiais a serem utilizados em sala de aula, tudo apostando na minha incompetência.
O terceiro ano do médio foi um desafio para mim, porque não trabalhei o conteúdo no ano anterior e tudo tinha de ser novo, e no primeiro ano, inverti o conteúdo e também tive que trabalhar coisas novas com eles. Muita coisa foi massiva, exaustiva, mas também não penso que a educação de qualidade deva ser de todo e exclusivamente lúdica. O lúdico quem cria é a nossa vontade de fazer. Mas outros exercicios foram legais, mas obviamente, tudo tinha um porém, e esse porém era algum detalhe desconsiderado na elaboração que era evidenciado na aplicação. Mas qual o problema disso? Para uma pessoa depressiva, o problema era gigantesco.

      Para uma pessoa que precisou de mais de dois anos de terapia para conseguir enxergar algum vislumbre de lado bom nas coisas, inclusive em si mesma, o erro e a frustração pesam como um caminhão cegonha carregado de Pajeros em cima de ti. Para mim, qualquer mínimo ou grande detalhe que não desse certo, era motivo para acordar no dia seguinte sem querer viver. Mas, quando a gente olha de longe, percebe que nada, ou quase nada, dá certo de primeira. Principalmente quanto o "dar certo" depende de variáveis como o tempo, a disponibilidade de material e, mais do que qualquer outra coisa, de 30 a 40 adolescentes com múltiplos recursos e uma vida maravilhosa e aparentemente sem limites pra explorar. 

        Enfim, vou encurtar a reflexão porque até eu já estou me perdendo no raciocínio (o que explica a dificuldade de escrever textos acadêmicos) e morrendo de fome porque ainda não tomei café:

         Nesse segundo ano de docência, tive, também problemas pessoais sérios, que dificultaram muito o meu interesse por uma vida que realmente valesse à pena, e operei no modo automático na maior parte dos dias do ano. Por outro lado, tive de experimentar conteúdos novos e conhecer novos alunos, tive estresses e alguns adolescentes típicos que me fizeram pensar "eu não nasci pra ouvir desaforos", outros adolescentes típicos que me fizeram pensar "que criatura chata, igualzinho a mim", alguns que me fizeram não querer levantar no dia seguinte, outros que eram a única razão pra eu levantar no dia seguinte.

- Estou aprendendo aos poucos que a afinidade e o carinho pelos alunos não é inversamente proporcional à responsabilidade, tanto minha quanto deles, de estabelecer o ambiente de aprendizagem guiados pelo respeito mútuo e da prática escolar girar em torno da fundamental importância da educação e do conhecimento;
- Dentre as coisas que menos me deixam expectativas para 2015 está o estado doente da nossa sociedade, onde os jovens são expostos à vida adulta sem responsabilidades, e acabam sendo moldados pela irresponsabilidade do nosso tempo;
- Dentre as coisas que me levam para 2015 com esperanças de um ano melhor, de formação dia a dia como professora e indivíduo, é enxergar o progresso de alguns alunos de 2013 para 2014, dos quais no ano anterior eu torcia para que não aparecessem na aula, e que neste ano, a maior alegria era vê-los dialogando e participando, olhando para mim como uma pessoa que estava lá para dar suporte e liberdade para desenvolver seus conhecimentos e habilidades;
- Estive sempre me policiando de forma a me portar de acordo com meus ideais e minhas concepções sobre o mundo, e acredito que isto vêm dando relativamente certo. Como já falei do estado doente da sociedade, muitas vezes tive de fugir da minha admiração pelo Anarquismo e ser autoritária na sala de aula. Gostaria muito de ler sobre o tema e de fato me tornar uma pessoa que conheça aquilo que pratica e defende, mas não vou prometer isso a ninguém, porque não nasci para ser intelectual. Até gosto de ler, mas minha atenção flutua sempre para coisas mais objetivas.


- Quero que no 2015, eu seja obrigada a trabalhar mais, a pensar mais sobre minha prática e a errar muito. Quero errar cada vez mais.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Aborto e o Brasil

     Quando conversei com minha mãe e meu namorado sobre a legalização do aborto, rebati alguns argumentos deles falando que nos países onde o aborto é legalizado, houve também investimento em conscientização e prevenção e os números de abortos, ao contrário de aumentar diminuiram e que por isso, eu era a favor da legalização do aborto. Mas por palavras como as da minha mãe, que confundem o apoio à LEGALIZAÇÃO do aborto com o apoio AO ABORTO, que penso que essas medidas possam não dar certo no Brasil como deram em outros países. 
     Minha mãe tem aquele pensamento comum dos brasileiros de definir o que é melhor para o país, para 200 milhões de pessoas, a partir de experiências pessoais. Ela é contra o aborto porque perdeu uma filha ainda na barriga, e por ter sofrido com essa perda não consegue aceitar que alguém não queira assumir uma criança. Não condeno ela, muito longe disso, por assumir esse pensamento. Que ela vá desprezar cada pessoa que ela saiba que tenha cometido um aborto, mas ela deve respeitar a decisão de cada uma delas. Não acredito em deus e em poderes que ele possa ter sobre nossas vidas a partir da nossa adoração ou não à ele, mas não desrespeito ninguém que tenha esse pensamento, essa decisão sobre sua própria vida (desde que, como sempre, não desrespeite a minha decisão).
     Assim como, quando levantei os fatos que me levam a ser favorável à legalização do aborto, ela, e outras pessoas que souberam do causo, já levantavam o dedo para fazer julgamento pessoal da posição: "Ahhhhhh, então tu farias um aborto? Então vais abortar quando engravidares??". Quando penso em legalizar o aborto, mal penso em mim, que uso os métodos contraceptivos tradicionais até com excessiva cautela, justamente porque não me sinto preparada hoje para ter, criar, educar e mudar minha vida por ter um filho, e muito menos preparada para tomar a decisão se devo ou não aceitar essas transformações na minha vida. Mesmo que o aborto fosse legalizado, manteria minhas precauções porque o simples fato de decidir se faria ou não um aborto já exige uma enorme reflexão e maturidade da mulher que cogita a possibilidade. Agora, se eu tivesse de tomar essa decisão tão importante, gostaria que eu pudesse decidir sobre meu futuro, porque sei que eu, minha personalidade e meu modo de ver a vida, seria extremamente infeliz na vida se fosse obrigada a tomar uma atitude que não desejo (seja querer ter um filho e sofrer aborto, seja não querer um filho e ser obrigada a tê-lo).

     Aí, depois dessa discussão, até construtiva em casa, veio as eleições. E os resultados finais e parciais me fazem ver que o Brasil, a população e sociedade brasileira não está preparada para viver com direitos. O direito, pelo brasileiro em geral, é visto como uma "regalia que me dá o poder de fazer o que eu bem entender", como se o direito dissesse respeito unica e exclusivamente a mim, como se não vivêssemos em uma sociedade brasileira e mundial, onde tudo o que fizemos e apoiamos tem repercussões na vida dos outros. "Eu não voto no fulano porque ele não deu aumento à minha categoria" ou "eu voto no fulano porque ele prometeu que vai dar remedio para mim que sou aposentado". Eu não olho para a sociedade à minha volta, para as pessoas à minha volta, eu só quero mais, só estou interessada no que vai gerar algum tipo de benefício a mim. 
     A sociedade brasileira está doente, e eu não sei por onde começou isso. Talvez com os reis de Portugal lá na colonização, já que eram esbanjadores e estavam nem aí para o futuro ou para o povo. Sei lá. Tentei embarcar na Sociologia, mas me perdi por motivos pessoais, mas não sei se entender o processo faria eu me sentir melhor. Talvez eu teria mais vontade ainda de sentar na minha vidinha pacata e assistir ao apocalipse, ou suicídio social.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Observações sobre o Homossexualismo

Meu discurso e atuação não é nem pró nem contra a causa homossexual (ou homoafetiva, o que acho um termo complicado, porque ter AFETO por uma pessoa do mesmo sexo não implica desejo sexual, mas tudo bem, é uma expressão que deve ser defendida pelos que pertencem à causa).
Tendo essa posição "em cima do muro", já pendi vezes à declarações que rechaçam, e vezes declarações que apoiam a questão homossexual em si. Em um desses momentos, refleti que, de fato, hoje vemos muito mais gays e lésbicas nas ruas do que antes. Ponto. Esse observação servia para "endossar" algumas declarações, não exatamente "homoFÓBICAS", mas que pendiam à negação aos homossexuais.

Mantenho esta constatação porque é nítida. Mas, por outro lado, passei a refletir que muitos, mas muitos casos de homens e mulheres gays existiam no mundo, no Brasil, desde que o mundo moderno existe, que eram coibidas pelo pensamento da sociedade, desde à "vergonha" até ao fato de que se assumir gay é se assumir "mulherzinha" (outro trauma machista da sociedade moderna). E assim viviam a maioria dos homossexuais do mundo, afogados em uma cultura social que os faziam questionar a si mesmo suas sensações.
Percebi isso em um programa fútil de TV, em que o ator George Takei discutiu a questão, dizendo que viveu sua vida oprimindo sua verdadeira identidade sexual porque precisava e queria construir uma carreira e isso certamente dificultaria seus anseios profissionais. Parafraseando suas palavras, ele disse mais ou menos o seguinte: eu nunca imaginei que na virada do século a sociedade fosse se transformar de tal modo que eu pudesse assumir minha personalidade por completo e ainda assim ser aceito como profissional. 
Aí está a chave. A sociedade mudou. Pode ser "antibiológico", pode existir o argumento de que "se todo mundo fosse gay, a raça humana acabaria", o que é verdade. Mas quem disse que todo mundo vai virar gay? Estão obrigando os heterossexuais a tornarem-se gays? 

Então você me diz que "estão tornando nossas crianças gays". Bom, aí eu concordo e discordo. Acredito que a pessoa tem de se conhecer antes de tudo para conhecer o outro. O problema nesse caso é a SEXUALIZAÇÃO da infância e da adolescência. O problema não é o garotinho "afetado", o problema é a criança exposta a questões que não está preparada para lidar, e aí não é a homossexualidade, é a SEXUALIDADE. Deve existir orientação, deve existir diálogo, mas a nossa sociedade, ao mesmo tempo em que cresce, ou procura crescer, tanto em alguns aspectos, por outro lado nos deixa sem saída. Colocam a todos nós expostos a uma opção de estilo de vida, e se você não tem esse estilo, faz de qualquer coisa para ter, têm de forma similar ou limitada, ou sofre por não ter, ou, ainda, se não deseja ter, vira o esquisito do grupo, região, sociedade.

Quando eu era criança eu usava sandalia da Xuxa. Lembro que elas eram de plástico, sem salto, e permitiam, por essa anatomia, a liberdade da criança brincar e correr como criança. Hoje, as mesmas "sandalinhas da Xuxa" têm salto alto. E o salto alto o que faz? Limita as possibilidades de atuação da criança e a insere precocemente no modo de vida adulto, não em uma brincadeira de escritório, mas sexualiza a criança, incentiva a ela a ser alguém que ela ainda não é, e nem tem condições cognitivas de ser ainda. Esse é um ínfimo exemplo do problema da sexualização da sociedade. Eu poderia falar das bundas em horário nobre, mas o que é "absurdo" mesmo é o tal do selinho gay da novela das 21h.

Outro espectro é a questão religiosa. Pense na situação ocorrida: a guria escreveu em um papel "Abra a sua mente, gay também é gente", trecho de uma música dos anos 90 que todo mundo canta ou já cantou bem empolgado com os Mamonas Assassinas, como mensagem a um pastor evangélico famoso, e famoso pelas declarações fortemente homofóbicas. Aí sim "homoFÓBICAS" porque nela é forte expressões que remetem ao extermínio e ódio, e não pura e simplesmente o "não concordo".
E aí eu vejo rolarem postagens na internet de pessoas acusando a moça de "cristofobia". P*** m****! Onde, me diz, onde na frase da guria tinha alguma expressão que remetesse ao ódio a Cristo, ou mesmo que subentendesse que a menina não acreditasse em um deus?? 
A repulsa que é gerada em alguns (e sinceramente, espero que na maior parte da população) não é pela crença religiosa, é pela falta justamente de princípios éticos (e religiosos, para alguns) de respeito, compreensão e até de aceitação, e inúmeras outras posturas bíblicas que remetem ao amor ao próximo e ao entendimento do outro. O que incomoda nas declarações e postura de alguns religiosos não é simplesmente a negação do direito do outro ao seu corpo (o que já seria grave), é a negação do SER HUMANO, e as conotações ao extermínio da opinião do outro. É a necessidade de transformar o outro aos seus moldes pra conseguir enxergá-lo como igual. Ele não é igual, ninguém é igual. Podemos ser todos irmãos aos olhos de um deus, se ele exista, mas justamente na sentença direciona essa visão "aos olhos de Deus". Os seus olhos que se danem! Mesmo quem dedica a sua vida à religiosidade, deveria deixar esse dever de enxergar todos "como iguais" à sua divindade, e nós, meros humanos viventes em uma sociedade que SEMPRE FOI tão plural, cabe aceitarmos as nossas diferença de opinião e opções tomadas na vida.

Não pretendo encerrar texto, mas a pretensão é apenas verbalizar algumas reflexões desenvolvidas na passagem da vida.

sábado, 23 de agosto de 2014

Ah, os esteriótipos...

Percebi isso já no ano passado.
No segundo ano do Ensino Médio leciono em Geografia, basicamente conteudos sobre população. Depois de discutir exaustivamente taxas demográficas, o que indica sobre a sociedade de um país altas taxas de natalidade (basicamente, falta de estrutura e acesso à informação, além de fraca inserção da mulher no mercado de trabalho), altas taxas de mortalidade (saúde pública fraca, dependendo dos índices, conflitos, etc). Além disso, dicutimos teorias demográficas, dentre as quais a da Transição Demográfica defende que cada país do mundo passa por 4 fases de desenvolvimento, em momentos distintos, que seriam a alta natalidade e mortalidade, posterior queda na mortalidade, diminuição dos índices da natalidade, e por fim, equilíbrio das taxas populacionais.
Pois bem, em uma avaliação, coloquei a seguinte tabela, baseada em dados oficiais, e pedi para que eles escrevessem sobre as condições de cada país, com base nas taxas demográficas apresentadas:

Segundo nossas discussões durante o trimestre, resumidamente a resposta deveria conter os seguintes aspectos:
a. A mortalidade do Brasil é a menor, o que indica uma melhor expectativa de vida que é consequencia de avanços na saúde e prevenção de doenças;
b. A natalidade em Cuba é menor, o que indica mais acesso à informação, possível inserção da mulher no mercado de trabalho, e mortalidade relativamente baixa também indica uma saúde de qualidade;
c. Nos EUA, a mortalidade tambem pode ser considerada baixa, mas em índice não melhor que Brasil e Cuba, e a taxa de natalidade não é alta, mas, de acordo com a teoria da Trasição Demográfica, deveria ser menor, já que é um país considerado desenvolvido e, por isso (acesso à informação, inserção da mulher no mercado de trabalho, entre outros fatores), deveria apresentar maior queda na natalidade;
d. Na Somália, segundo os dados, a população tem muito pouco acesso à informação e provavelmente é uma sociedade baseada na atividade agrícola, o que pode explicar parte do problema da natalidade, já que as crianças podem contribuir com a renda da família. Além disso, a alta mortalidade indica problemas na saúde e possivelmente conflitos.

Entretanto as respostas não foram tão extensas, o que não é tanto um problema. O que mais me impressionou foi o fato de que os dados foram totalmente deixados de lado quando eles "analisavam" a primeira coluna (a dos nomes), e já se punham a desenvolver respostas que alegavam que Cuba era um país pobre e de difíceis condições de vida, o Brasil era horroroso e que os EUA era a perfeição em forma de sociedade. Minha intenção não era, não é, e nunca será, impor aos meus alunos minhas concepções de verdade, mas acho interessante incitar a reflexão sobre as verdades construídas através da voz dos outros (como quando me pediram um debate sobre a Coreia do Norte e procurei levar noticias que ressaltassem ambos os lados). Pra testar se foi eu que não trabalhei o conteúdo direito, ou se realmente o primeiro impulso das pessoas era julgar pelas aparências, na prova de recuperação coloquei a mesma tabela, sem os nomes dos países:

Nesse caso, tive respostas mais coerentes quanto à análise das taxas demográficas e o que elas expressavam sobre as condições econômicas e sociais dos países.
Preciso concluir esse raciocínio??

Ontem eu estava lendo que em todos os continentes do mundo, existe a tendência da população não se interessar por músicas que não sejam de língua inglesa ou a língua nativa. Eu mesma, quando ouvi pela primeira vez uma banda espanhola (que hoje é uma das minhas "top 3"), achei bem esquisito, nem tanto pelo estilo (ska punk), mas pela forma que o espanhol soou em meus ouvidos. Ainda bem que insisti em ouvir, porque aprendi muita coisa com as músicas e sou bem menos preconceituosa com ritmos diferentes.

Outra situação que me remete ao preconceito sobre os esteriótipos: não sou muito popular no Facebook (nem em lugar algum), mas sempre que posto alguma reflexão (principalmente das mais indignadas), sempre tem umas 6, 7 pessoas que vão lá e curtem. Esses dias coloquei um desabafo mega reflexivo sobre hipocrisia, daqueles que todo mundo curte, querendo dizer "eu não sou esse tipo de pessoa", só que junto coloquei o clipe de uma música chamada "Struck a Nerve", de uma banda chamada Bad Religion. Muita gente vê essa banda com maus olhos por imaginar que seja algum tipo de "adoração ao mal", mas a mensagem é bem menos satânica: que religiões são ruins. Vá lá, não é tão ofensivo quanto "adorar o demo". Mas o que as pessoas enxergam quando vêem uma banda de rock, com o nome Bad Religion? Satanismo! E aí ninguém curtiu.


"Deu nos nervos" - Struck a Nerve [trecho traduzido]

Existe um velho homem num ônibus urbano
segurando um doce
E não é nem natal
Ele vê numa nota no obituário
que seu último amigo morreu
Há uma criança agarrando-se à
sua mãe acima do peso no frio
Enquanto eles vão comprar cigarros
E ela gasta seu último dólar
numa garrafa de vodka pra hoje a noite
E eu acho que isso deu nos nervos
Como se tivesse que virar meus olhos
Você nunca consegue sair
da linha de mira

[...]





terça-feira, 10 de junho de 2014

Eu não entendo mais nada...

Há uns anos atrás, quando divulgaram que a Copa do Mundo ia ser no Brasil, teve festa pra tudo que é lado, e os jogadores brasileiros estava super felizes e gratos por poderem vivenciar esse momento de jogar uma Copa do Mundo no seu país, que era uma honra, que tudo ia dar certo, etc, etc.
Aí, faz umas semanas, vi divulgarem no Facebook que os jogadores da Seleção Brasileira não iriam confraternizar em um jantar com a Presidenta Dilma, dando a entender que estariam descontentes com a forma de administrar o país. Mas aí, eu me pergunto: a honra e alegria de jogar uma Copa do Mundo em seu país não foi uma possibilidade conquistada pelo governo do PT, onde Lula (à época da escolha) e Dilma são um o braço direito do outro? Então, os jogadores não deveriam estar gratos pelo Governo Federal por ter feito de "tudo" para conseguir sediar o evento no Brasil??
I'm confused...

Há um ano atrás, o Ronaldo estava dizendo a plenos pulmões que não se fazia Copa do Mundo com escolas e hospitais. E parecia estar de acordo com a forma de administrar do Governo Federal em relação aos preparativos para o evento. Com a declaração, presume-se que "se eu quero a Copa no Brasil, eu sei que o governo vai deixar de investir em educação e saúde para fornecer a infraestrutura que a FIFA exige, e isso não importa, se eu quero a Copa no Brasil".
Agora, o mesmo ex-jogador de futebol se declara do lado da candidatura do principal oponente da reeleição do PT, o candidato Aécio Neves. Meu problema aqui não é o Aécio Neves, mas, já que ele é opositor ao governo, é um dos que, no principio logico, "engrossa" o coro de "não queremos Copa, queremos saúde e educação". Masssssss... o Ronaldo não queria Copa o ano passado??? 
Estou confusa...

sexta-feira, 14 de março de 2014

Não sou petista.

Nem de longe sou petista. Ainda não abstraí, ou sempre confundo, a diferença entre apartidário e antipartidário, mas o fato é que eu não voto em partidos, por mais que me digam que quando eu aperto o botão verde eu estou votando no partido.

Hoje vivo em uma cidade que é governada em seus três níveis pelo PT: o municipal, o estadual e o federal. Pessoalmente, ainda não vi nada de execrável na política de governo municipal que está no poder fazem quase dois anos. Claro que eu queria que muita coisa já estivesse melhor, já que por dezesseis anos as únicas coisas que víamos serem feitas na cidade era a carpintaria dos canteiros da cidade e um acúmulo de buracos pelas ruas fruto de mal planejamento (asfalta, pra depois pensar em escoamento). Queria que já estivesse em andamento a promessa da UPA na Junção, por exemplo. 

Entretanto, ouço muitas pessoas, das quais considero sensatas, assinalando melhorias na qualidade de vida da população. Os postos de saúde não estão piores que estavam, e ainda, têm mais medicos para realizar atendimento (eu mesma precisei usar, e fiquei surpresa com a rapidez no tempo de espera), os ônibus já não estão mais tão superlotados (gente em pé é normal), até a tranqueira da rótula da Junção deu uma leve aliviada com a redução de ônibus entrando e saindo daquele espaço. A qualidade e a valorização do serviço publico também parece estar melhorando. Não defendo o PT, mas devo admitir que vejo alguns progressos sociais na cidade desde 2013. Também devo falar que as ruas não estão mais tão coloridas, mas, afinal, o que importam são as pessoas e não as plantas!

Sobre o governo estadual, nas mãos do PT a mais de três anos, aí sim, não tenho nada de bom para falar. Discordo da maneira autoritária com que o governador impõe suas regras e a forma nada educada com que se direcionou aos professores (classe a qual pertenço) quando reivindicavam seus direitos. Não somente os professores, mas pouco ou quase nada foi atendido de reivindicações por melhorias em todos setores sociais. Faço críticas ao meu irmão quando falo que ele é individualista ao condenar o governo federal por não atender às reivindicações da categoria dele, mas aqui posso também estar sendo individualista, mas porque me ofendi profundamente com a postura irônica do governador perante as reivindicações dos professores estaduais. Me senti mais ofendida do que desatendida em minhas necessidades.

Desde 2006, quando entrei para a universidade federal, desenvolvi todos os meus estudos e carreira profissional durante os mandatos do PT no governo federal. Como nunca puxei saco de professor pra conquistar bolsa de pesquisa, sempre fui assistida pelo programa federal de Bolsa Permanência e recebia benefício de redução de passagem de ônibus; recebi subsidio para apresentar trabalhos em outras universidades, quando solicitei, e conclui o curso de graduação em uma universidade federal gratuíta.

Quando precisei de emprego no mercado de trabalho, consegui sem muita dificuldade (o que significa que fui beneficiada com o aumento de postos de trabalho anunciados por anos nas propagandas eleitorais), e minha qualificação lá na universidade federal me possibilitou ser aprovada em um concurso público estadual que oferecia mais de 10.000 vagas e somente pouco mais de 5.000 foram preenchidas.

Particularmente, gosto da postura do ex-presidente e da atual presidente em muitas de suas colocações, pois acredito no desenvolvimento que vivi e vivo no país, onde vejo, de fato, mais oportunidades para os que não podem "comprar" tudo, como por exemplo eu, que sem uma universidade federal, jamais teria concluído uma graduação no ensino privado. Por mais que discorde, por exemplo, do incentivo excessivo ao consumo e à priorização de politicas de governo voltadas para o crescimento econômico, os setores sociais também evoluíram desde 2002. Podemos fazer ressalva quanto ao "assistencialismo", mas o verbo assistir, de dar assistência, não significar simplesmente "dar"; o assistente de dentista não faz o trabalho do dentista, faz? Ele só oferece apoio às suas atividades autônomas.

Enfim, discussão política é extensa e infindável, mas hoje em dia tem sido impossível fazer isso sem surgirem ofensas pessoais ou pensamentos preconceituosos ou radicais. Não apóio o PT, não sou petista, mas tenho que admitir que a década de 2000 foi muito melhor que a década de 1990. Não digo que apoio o(s) programa(s) de governo(s) do PT, só admito que algumas medidas estão se convertendo em ganhos sociais. Por mim, todo o mundo seria como em Marinaleda, e ninguém cobiçaria o carro do outro e se martirizaria de inveja da vida de outra pessoa.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Proibir máscaras: Afinal, repressão ou democracia?

Estava eu hoje, na inocência da sala de espera de um consultório médico. E o que tem num consultório médico? Revistas velhas. Revistas Veja velhas. Eis que pego uma aleatoriamente, folheando as páginas, distraída... propaganda, pequenas notas, propaganda, propaganda, umas 3 ou 4 páginas de entrevista com o maravilhoso, espetacular, criativo e irrelevante Manoel Carlos (que, aliás, do nada, em meio a uma conversa sobre Helenas, surge uma pergunta e resposta sobre o atual governo - crítica, certamente), propaganda, e uma reportagem de duas páginas sobre os conflitos na Ucrânia. Nesse ponto, voltei à capa e percebi que a edição era de 29 de janeiro deste ano (parabéns, doutor! revistas só dois meses atrasada, é um avanço - dessa vez, sem ironia; ok, um pouco).
O título dizia " O fogo cruzado de Kiev". Corrijo-me: a reportagem ocupava duas páginas, entretanto, grande parte era preenchida por uma impactante foto de fogo e destruição, e outra com padres em meio ao conflito. A reportagem fazia alusão às outras manifestações vivenciadas nos últimos dois anos, como na Síria e no Egito, e argumentava que os conflitos só acabam quando "o mais forte, consegue se sobrepor ao mais fraco". No caso da Ucrânia, separam os lados em - o governo opressor - e - jovens comuns, pessoas direitas, em busca de melhores condições de vida.
A reportagem segue dando mais alguns detalhes importantes para a compreensão do conflito; ela não chega a ser "imparcial" (o que é óbvio, sendo uma reportagem publicada na revista Veja), mas um leitor mais atento e com olhar mais relativo consegue compreender a questão abordada sem ser levado para um dos lados - sem contar a inclinação em tratar tudo que vem do governo como "repressor", "atrasado", e encerrar a reportagem com "eles (o povo) não querem que seu país receba ordens dos russos" - acredite, isso é o mais perto do imparcial que já li nas Vejas de sala de espera.
Mas o que me chamou àtenção foi o seguinte trecho:
"Os protestos arrefeceram e, na semana passada, Yanukovich obteve no Congresso a aprovação de um conjunto de leis, inspiradas nos mecanismos de repressão a opositores da Rússia, que proíbe o uso de máscaras e capacetes nas demonstrações e as carreatas com mais de cinco veículos (...) O povo voltou às praças nevadas, desta vez dispostos a quebrar tudo. Manifestantes lançaram coquetéis molotov contra os soldados, que responderam com balas de borracha. Cinco pessoas morreram. O governo ucraniano demonstrou estar bem alinhado com a estratégia russa de intimidação dos cidadãos (...)".
Destaco os trechos " mecanismos de repressão", ao se referirem às leis que incluem a proibição do uso de máscaras (entende? é "repressivo" proibir o uso das máscaras), além das passagens que reproduzem a violência das manifestações sob um ângulo que a torna "justificável".
Aí eu penso na situação do Brasil. Também lançaram o projeto de lei que próibe o uso de máscaras em protestos no Brasil. O que dizem os jornalistas da Veja?
Primeiro, reportagem que não abre a perspectiva de repressão da medida:

Segundo, apresenta a crítica ao uso de máscaras em protestos:

Terceiro, a coluna de um jornalista que diz que "a medida me agrada":

Fazendo uma pesquisa rápida encontram-se vários exemplos onde a medida é apresentada sempre como uma forma de tornar as manifestações mais "legítimas", e tratam os manifestantes brasileiros como "vândalos". Não vou dizer que não me tapo de nojo das criaturas que aproveitam a loja depredada para levar uma TV de LCD pra casa, mas lendo outras fontes, entendo a simbologia de destruir espaços de reprodução do capitalismo, muitas vezes brutal. Quem nunca ficou p*** com o juros do banco, em alguma situação? Vai dizer que você não sente uma pontada de inveja por que trabalha 44 horas semanais durante 335 dias do ano para ganhar pouco, enquanto o rico aparece na revista Caras gastando milhões em um só dia? Você também quer esse luxo? Ok, eu também quero, mas o que faz uns terem e outros não, é que o sistema capitalista tira de você para das para o outro. Infelizmente é assim, e nem quero dizer aqui que o capitalismo é de todo ruim (pelo menos, por enquanto... vá que eu leia mais sobre isso e acabe não vendo mais lado positivo). Só quero dizer que a ideia de destruir bancos e lojas vêm da concepção de atacar símbolos do capitalismo e da espoliação.

Enfim... tudo isso porque achei curioso, mais uma vez, encontrar evidência de como é volátil a opinião da direita/reacionários/ricos/qualqueroutraclassificação, dependendo da situação em que quer defender...

Ucrânia

Brasil