terça-feira, 26 de março de 2013

Sobre as "Fobias" da moda

É fato que a grande maioria dos meus escritos são de opiniões pessoais e muitas vezes sobre assuntos em que sou quase leiga. Mas nem por isso acredito que eu esteja "errada" em ter uma opinião, mesmo que superficial - como diz na descrição do blog, "I'm a product of my environment...".
Hoje uma postagem no Facebook me fez pensar (acredite, isso às vezes acontece no Facebook). Até vou colar aqui antes de iniciar o post:






















Via página "Nacionalismo Brasileiro"
Detalhe: depois que vi o conteúdo da página, preciso alertar que discordo da grande maioria das ideias expostas pela página.


O que eu pensei quando compartilhei: é verdade, hoje em dia o mundo está cada vez mais tomado de preconceito. Mas o preconceito vêm mais é dessas pessoas que vêem preconceito em tudo.

O que eu desenvolvi depois, despretensiosamente ao arrumar a minha cama:
A nossa sociedade atual é tão tomada pela violência e pelo medo, que tudo se transforma em fobias sociais. Uma pessoa que não concorda com o homossexualismo é homofóbica, uma pessoa que não concorda com os hábitos e postura de alguém vindo de outro lugar é xenofóbico, uma pessoa que não concorda com atitudes feministas é machista, e vice-versa. A superproteção ao direito individual acaba por podar o direito do outro de discordar. É uma ditadura das "fobias".
Essa superproteção é históricamente compreendida, como no caso dos homossexuais, que de fato, sofrem violência irracional e desmedida em muitas situações da vida cotidiana. A questão da xenofobia, o "ódio ao estrangeiro" também é um problema político, histórico e social grave que deve ser discutido e combatido através do diálogo e esclarecimento. A população negra no Brasil também merece atenção.
Entretanto, essas questões não podem se tornar, como estão se tornando hoje, clichês politicamente corretos e motivo para o desprezo e ignorância alheia. Pelo que sei empiricamente, "crime de homofobia" tem sido tratado na sociedade brasileira por atitudes que "incitam o ódio e a violência" contra o homossexual, certo? Pois, eu não gostar do homossexualismo (o que, dessa vez, não é o meu caso, pois para a minha vida não faz diferença as opções dos outros, desde que não impeçam as minhas), não concordar com seus argumentos, e até não me interessar em manter relação com homoafetivos, não me torna um homofóbico. Opinião própria não implica em ataques discriminatórios e violentos.
Noutro dua estava discutindo com alguém sobre as questões atuais em Rio Grande, referente a questão da população nordestina que está na cidade em função do Pólo Naval. O que se sabe, é que muitos trabalhadores provenientes dessa regiao do país, têm sim desacatado, desrespeitado e gerado tumulto em diversas situações pela cidade. Isso me causa profundo repúdio, admito. Eu, ou a população, estar indignada com essas atitudes que vão contra a postura social aceitável na sociedade, não é xenofobia. Eu querer que meus costumes e minha educação seja respeitada não é xenofobia. Xenofobia é você querer eliminar as pessoas de um grupo, coletivamente, é querer, ter desejo de exterminar sua cultura, seu povo, seus rastros. Isso que é ódio preconceituoso relativo a um grupo.

Ultimamente, você não pode abrir a boca para argumentar com alguém sobre a questão homossexual sem ser considerado homofóbico. Não pode ficar indignada com uma piada de péssimo gosto na rua se o mal educado for de outro estado ou nacionalidade, ou se defender de um assédio, sem ser chamado de xenofóbico por qualquer politicamente correto querendo que sua opinião seja certeira, inquestionável, cabal.
Isso me incomoda muito. Os grupos sociais querem tanto liberdade e direitos, mas o povo está cada vez mais privado de ter sua própria opinião ser ser estigmatizado como o "anti-direitos humanos".
Tchê, eu odeio intolerância, de qualquer lado.

Se algo não estiver esclarecido, pergunte antes de sair "atirando" contra uma "fóbica" qualquer.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Breve comentário sobre a morte de Hugo Chávez

Como passei o dia de ontem (05/03) planejando loucamente aulas que não esperava dar pela noite, fiquei sabendo da morte de Chávez quando estava na sala dos professores da escola em que trabalho. Fiquei bastante surpresa, e na verdade, nem tanto, quando ouvi algumas professoras dizerem "Morreu finalmente o Chávez, né", "Já foi tarde", "Já tinha ido há muito tempo". 
Aí, a conversa deslanchou, e como sou nova na idade e na escola, e vi que o rumo da conversa não me favorecia, me mantive observando e fazendo leves acenos de cabeça quando direcionavam frases para mim.
Mas aqui, vou dizer o que eu gostaria de ter dito e não disse, por inúmeros fatores, de necessidade de convivência social, de aceitação no ambiente de trabalho, etc. 
Quando alguém disse "É, não vai fazer falta, quanta gente esse homem matou pra ter o poder?", eu diria "Acho engraçado que todo mundo esquece dos genocídios indígenas promovidos por Europa e EUA na América Latina desde séculos atrás, esquece da opressão e dilaceramento da cultura latina pela cultura do consumo, que expropria recursos dos países mais pobres, desde sempre, pra transformar em uma mercadoria cara para estes mesmos países pobres".
Quando alguém disse "Sei de fonte segura que na Venezuela, as pessoas não podem ter mais de duas residências que o governo pega para os outros invadirem". Bem, esse é mais um dos taaaaantos argumentos individualistas que ouvimos por todos os lados e escalas. As pessoas que votavam no Fábio Branco, justificavam seu voto dizendo que "ele ME ajudou a blábláblá", ou seja, o interesse pessoal e de poucos é o que conta pra decidir quem vai governar uma cidade ou um país. Mas, no contexto da situação, eu gostaria de ter dito "E as pessoas que não tem nem uma casa para morar? E não tem, não só 'porque não trabalham', 'são preguiçosos'; não tem porque são séculos de expropriação e exploração, porque trabalham em um ramo desvalorizado pelo mercado de trabalho, porque pra sobreviver, precisam se submeter a embargos políticos e econômicos de uma carência de cooperação mundial de países produtores, só porque muitos deles têm medo de o socialismo dar certo".
Quando alguém fala em tom de desaprovação sobre a apropriação pela Venezuela dos SEUS poços de petróleo, fico confusa. Quando estes mesmos reclamam do preço da gasolina no Brasil e reclamam que o nosso petróleo é vendido para fora e o que sobra fica caro no país, fico mais confusa ainda! Só porque é "a Venezuela", um país da América Latina, pobre e historicamente saqueado, eles não podem querer proteger o que é deles e não ceder aos que vendem de volta a preços absurdos??

A morte de Hugo Chávez me preocupa. Me preocupa porque seguidores de ideologias, como o Chavizmo, que permanece sem o Chávez, quase nunca conseguem encontrar um comum acordo entre suas divergências, muitas vezes mínimas, e acabam por enfraquecer um projeto que em sua essência é o caminho que estava levando a Venezuela, e outros países latinos, à igualdade. Como o comunismo de Lênin e outros, suas inúmeras "facções" discordantes e briguentas, que deram ao comunismo/socialismo a má fama que essas palavras suscitam nos dias de hoje. Ao invés de priorizar as ideias em comum e traçar caminhos em comum, buscam a divergência e a afirmação da sua verdade absoluta. Esse é o problema de o poder estar na mão de seres humanos.

Não que Chávez seja alienígena e acertasse tudo em seu governo, mas defendo porque duvido do que os ricos me dizem pela TV todos os dias.