quarta-feira, 6 de março de 2013

Breve comentário sobre a morte de Hugo Chávez

Como passei o dia de ontem (05/03) planejando loucamente aulas que não esperava dar pela noite, fiquei sabendo da morte de Chávez quando estava na sala dos professores da escola em que trabalho. Fiquei bastante surpresa, e na verdade, nem tanto, quando ouvi algumas professoras dizerem "Morreu finalmente o Chávez, né", "Já foi tarde", "Já tinha ido há muito tempo". 
Aí, a conversa deslanchou, e como sou nova na idade e na escola, e vi que o rumo da conversa não me favorecia, me mantive observando e fazendo leves acenos de cabeça quando direcionavam frases para mim.
Mas aqui, vou dizer o que eu gostaria de ter dito e não disse, por inúmeros fatores, de necessidade de convivência social, de aceitação no ambiente de trabalho, etc. 
Quando alguém disse "É, não vai fazer falta, quanta gente esse homem matou pra ter o poder?", eu diria "Acho engraçado que todo mundo esquece dos genocídios indígenas promovidos por Europa e EUA na América Latina desde séculos atrás, esquece da opressão e dilaceramento da cultura latina pela cultura do consumo, que expropria recursos dos países mais pobres, desde sempre, pra transformar em uma mercadoria cara para estes mesmos países pobres".
Quando alguém disse "Sei de fonte segura que na Venezuela, as pessoas não podem ter mais de duas residências que o governo pega para os outros invadirem". Bem, esse é mais um dos taaaaantos argumentos individualistas que ouvimos por todos os lados e escalas. As pessoas que votavam no Fábio Branco, justificavam seu voto dizendo que "ele ME ajudou a blábláblá", ou seja, o interesse pessoal e de poucos é o que conta pra decidir quem vai governar uma cidade ou um país. Mas, no contexto da situação, eu gostaria de ter dito "E as pessoas que não tem nem uma casa para morar? E não tem, não só 'porque não trabalham', 'são preguiçosos'; não tem porque são séculos de expropriação e exploração, porque trabalham em um ramo desvalorizado pelo mercado de trabalho, porque pra sobreviver, precisam se submeter a embargos políticos e econômicos de uma carência de cooperação mundial de países produtores, só porque muitos deles têm medo de o socialismo dar certo".
Quando alguém fala em tom de desaprovação sobre a apropriação pela Venezuela dos SEUS poços de petróleo, fico confusa. Quando estes mesmos reclamam do preço da gasolina no Brasil e reclamam que o nosso petróleo é vendido para fora e o que sobra fica caro no país, fico mais confusa ainda! Só porque é "a Venezuela", um país da América Latina, pobre e historicamente saqueado, eles não podem querer proteger o que é deles e não ceder aos que vendem de volta a preços absurdos??

A morte de Hugo Chávez me preocupa. Me preocupa porque seguidores de ideologias, como o Chavizmo, que permanece sem o Chávez, quase nunca conseguem encontrar um comum acordo entre suas divergências, muitas vezes mínimas, e acabam por enfraquecer um projeto que em sua essência é o caminho que estava levando a Venezuela, e outros países latinos, à igualdade. Como o comunismo de Lênin e outros, suas inúmeras "facções" discordantes e briguentas, que deram ao comunismo/socialismo a má fama que essas palavras suscitam nos dias de hoje. Ao invés de priorizar as ideias em comum e traçar caminhos em comum, buscam a divergência e a afirmação da sua verdade absoluta. Esse é o problema de o poder estar na mão de seres humanos.

Não que Chávez seja alienígena e acertasse tudo em seu governo, mas defendo porque duvido do que os ricos me dizem pela TV todos os dias.







Nenhum comentário: