segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Deveria ser maior.

Não é bem assim uma "restrospectiva", é que no meio de tanto pessimismo (que prefiro definir como realismo), é preciso olhar pra traz e tentar enxergar alguns ponto bons de um ano tão decadente pessoalmente.
A partir de abril, decaí horrendamente na minha melhora com os transtornos de ansiedade. Agora, com a praia que pareço lavar a "alma" de paz, de um pouco de alegria. Intimamente, o ano foi muito angustiado, e não vou destrinchar aqui todas as complicações mentais que passei em 2008. Como disse, quero relatar o que pode ser considerado bom, de algum ponto de vista, no meio de toda lama.
Estava eu aqui, tentando me tornar uma pessoa mais culta, mais entendida de assuntos relativos para a humanidade, e consequentemente a mim, percebi que teve algo que impulsionou uma grande transformação em mim, moralmente falando. Eu a conheci ano passado, mas só esse ano, quando me interessei um POUQUINHO mais pela minha faculdade de Geografia, que percebi o quanto conhecê-la estava me tornando uma pessoa mais crítica e inteligente. No sentido de comunicação, não porque continuo a gaguejar toda vez que sofro um comentário preconceituoso ou injusto, mas pelo menos tenho todas as respostas venenosas na cabeça, mesmo que meu nervosismo não me permita que eu as expresse.
Eu passei a ouvir Ska-P. Meu namorado não gosta porque é voz "latina no rock" (apesar de ser uma banda espanhola, mas já conscientizei ele disso), meu irmão não gosta porque "tem griteiro". É, ele não gosta de coisas que, em algum breve momento, não casem com a opinião dele sobre as coisas. A minha mãe diz que gosta, mas ela dizia que gostava de Nirvana quando eu gostava, e quando deixei de ouvir ela me revelou que, na verdade, não gostava e nunca achou Kurt Cobain bonito! Mas eu gosto. No começo, foi porque eu vi na mensagem pessoal de um amigo (amigo, sim, mesmo que nunca mais tenhamos nos falado): "A La Mierda - Ska-P". E lembrei "nossa, meu pai vive falando "a la mierda, caraco!", então pedi para que esse meu amigo me passasse alguns links da banda.
Então, foi o som diferente, aparentemente cômico, que me fez ouvir com mais frequência. E depois, depois de ter que decifrar um texto em espanhol pra faculdade, que percebi o que realmente tinha de bom, e de diferente na música do Ska-P. E passei a perceber que tudo (ou quase tudo) que era "gritado" por eles, eram os gritos que eu tinha reprimidos. Ou eram informações dadas de pontos de vistas diferentes dos comuns, informações que eu não levava em consideração por não me chamarem àtenção na forma em que eram divulgadas "cotidianamente".
Foi assim que, antes sem perceber, passei a viver uma transformação de meus conceitos, preconceitos, idéias, intenções e visões. Penso que essa "transformação" só está no começo, e não sei se ela será por completo, porque vivemos tanta enxurrada de informações maldosas, e vivências cruéis, que vez por outra acaba saindo de nossas bocas um comentário preconceituoso sobre as pessoas e situações. Mas estou aqui, firme, tentando passar por cima das toneladas de informações manipuladas que insistem em jorrar sobre a minha cabeça.
Isso me traz outro problema, ligado aos "transtornos de ansiedade", porque toda a vez que me pego sendo preconceituosa ou "saindo da linha que estou tentando seguir", me culpo, me martirizo. É algo que preciso aprender a conviver, porque seres humanos são falhos, e são mais falhos que outros animais, por usar o raciocínio, que por vezes, não é confiável. Sou um ser humano falho, e não adianta mais escrever como escrevia que "odeio ser humana". Porém, como sou falha, como qualquer ser humano, provavelmente virão vários textos de cunho "odeio ser humana" nos próximos anos.
Aprendi que estamos aqui mesmo, e foda-se. Se erramos, devemos procurar acertar. Outra coisa que percebi foi que discordo do capitalismo, acho (e na base, por enquanto, do "achismo") um sistema desonesto e degradante, mas fui consumida por ele. Sinto prazer em comprar, em sacanear. Principalmente em comprar, mesmo que meu poder aquisitivo não permita essa ação com frequência, o que, de certo ponto de vista, é bom. Posso dizer que cuspo no prato que como, e me lambuzo. Mas também, como blablabla seres humanos falhos, erramos. Erro nas atitudes, mas penso que minha consciência está bem remendada e segura.
Mais adiante, o fato de cada vez me tornar mais "anti-religião", me trouxe bons resultados. Não tenho mais medo de ser possuída, quando durmo sozinha, não tenho mais medo do "sobrenatural", quando estou lúcida. Em compensação, percebi que é tão fácil morrer, que hoje tenho medo de morrer daí a dois segundos, sem ter feito absolutamente nada de produtivo. E isso não é um simples relato. Cada vez que dói a cabeça, comunmente, me dá um medo súbito de morrer ali, entre outros.
Criei algumas amizades. Sempre distantes. Ontem mesmo, comentei com o Bruno que me sinto um "bichinho" quando estamos em um meio social, porque todas as pessoas em volta têm um enorme círculo de relacionamentos, e eu não. Mas por outro lado, não sinto a mínima falta do cinismo que um círculo maior de relacionamentos me proporcionaria. Criei amizades virtuais, sim, e não tenho vergonha de admití-las, mesmo sabendo que muitas pessoas achem isso uma atitude "infantil", ou "falsa", sei lá quais outros adjetivos esses "grandes sociáveis" dão a isso
Bom, acabei de interromper o texto para ir almoçar, e esqueci o que tinha lembrado de possíveis pontos positivos do meu ano.
Sempre, sempre espero uma fase melhor. Digo fase porque para mim, o ano novo começa dia 20 de fevereiro! Espero passar por mais um ponto da minha transformação como pessoa humana, social, e espero dar um jeito de sacudir minha vida pessoal, mental.

E, se faz diferença pra você lhe dizer só no fim do ano que desejo um futuro saudável a você, um feliz Ano Novo.





E hoje, faltam 96 dias para o centenário.
Será um FELIZ ano novo, hehehe...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Não vou escrever sobre o Natal.

Dane-se se é um feriado religioso.
Dane-se se é um feriado comercial.
Eu não vou rezar (talvez eu converse mentalmente comigo mesma) e esse é o ano financeiro mais apertado da minha família.
O importante é que é um feriado, onde o Bruno não trabalha, poderemos ir à praia se esse tempo rio-grandino colaborar.
E o principal de tudo, tem a tão esperada Torta Fria!


É... acho que vou escrever sobre a Torta Fria!


Eu detesto cozinha, a não ser na hora das refeições. Mas pelo que vejo minha mãe fazer, a Torta Fria não tem muitos segredos: pão de torta, creme de ervilhas, beterraba, cenoura, maionese e molho de galinha. Ah, lembrei, o grande problema da minha mãe é com desfiar a galinha, por isso que ela só faz a Torta Fria uma vez por ano. Esse ano ela té que fez no meu aniversário, mas depois de muita súplica.

O fato é que o meu Natal não é Natal sem a Torta Fria! Fazem uns 5 anos que não vou à missa de Natal, fazem dois anos que não rezo mais no Natal, e devem fazer uns 10 anos que não ganho um presente pomposo no Natal. Mas isso não me impede de gostar do Natal. É claro, que a Torta Fria não é a única coisa que não dispenso no Natal. Não dispenso dar um abraço forte na minha mãe, no meu irmão e no meu pai, também, no meu namorado, pessoas que eu desejo a mais profunda felicidade, mesmo sabendo que ela não existe, aquele papinho de que o que existe são momentos bons, eu desejo.
Gosto da árvore de Natal também. Colore a sala.
Mas é só isso. Ano passado não senti nenhuma emoção extra com o Natal, e pressinto (é assim?) que esse ano será do mesmo jeito. Aliás, ano passado passamos a noite de Natal tirando água da área, porque caiu uma manga d'água desgramada.
Então, esperemos ansiosos, cada um pelo que o Natal lhe proporciona de diferente. Amo minha familia como a cada dia, o grande diferencial do meu Natal é a Torta Fria!




Ps.: domingo passado, voltando de moto pra casa, lembrei do quanto era legal o horário de verão quando eu era criança. Brincava na rua, jogava bola, andava de bicicleta até as 21, 22, 23h (quando a mãe estava de bom humor), chegava em casa, tomava um banho sem preocupações, jantava muito bem, sem preocupações, inclusive estéticas, e deitava na cama e apagava, dormia brilhantemente, sem nenhuma preocupação, achordava 9, 10h da manhã e passava mais um dia feliz.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Não mude seu roteiro por um bom papel.

Por que as grandes mocinhas dos filmes, independente de qualquer outro adjetivo, são sempre amantes de poesia e de Shakespeare?
Por que alguém para ser interessante precisa ser culta, culta na cultura padrão? Por que não existe uma mocinha de filme que não se importe com poesia? Por que elas simplesmente não lêem o que precisam pra ser felizes? Mas não, elas lêem porque é isso que as distingue das outras disponíveis para o mocinho. Isso é a origem de um preconceito. Preconceito de dois lados. Eu, por exemplo, tenho preconceito com pessoas que se intitulam adoradoras de Nietzsche, não que ele não tenha sido uma pessoa considerável e extremamente inteligente (afinal, ele era ateu).
Por que a grande princesa de uma história não pode ser uma pessoa comum, e que não precise mudar nenhum adjetivo para se tornar o grande amor do mocinho? Quando a história é voltada para uma "rebelde", no fim das contas, ela caba tendo uma personalidade completamente diferente, por descobrir seu "principe", sempre deixa de agir ou pensar de alguma maneira, para se encaixar nos "padrões de amor de Hollywood". Padrões que penetram insistentemente nas nossas vidas.
Por que eu preciso ler (ou dizer que leio) 200 livros por ano, citar trechos e autores de impacto e assistir peças de Shakespeare para ser a mocinha perfeita de uma história? Será que sou menos inteligente por ouvir músicas cruas, que ninguém (ninguém comum) considera inteligente, bom. Às vezes, uma música desconhecida e desprezada diz muito mais coisas que um livro de 500 páginas renomado e "lido" por 70% da população.
Por que, para viver feliz para sempre eu preciso mudar atitudes, comprar roupas diferentes no guarda roupa?
Isso também acontece com os vilões. Por que os vilões tem cara de maus, usam roupas anexadas ao esteriótipo, agem e gostam das mesmas coisas?
Isso tudo se transfere para as nossas vidas e, como se já não fosse bastante os prenconceitos históricos, causam um preconceito contemporâneo, onde uma pessoa bem sucedida precisa ler Nietzsche, gostar de Shakespeare e de rock and roll clássico, ou, no caso do Brasil, samba de raiz.
Hoje, quando eu vejo alguém se declarando profundo entendedor de filosofia, poesia e música, sinto um enorme desprazer em saber que existem pessoas assim, que acham que suas idéias e sua verdadeira face podem ser expressas no que elas lêem, vestem ou fazem.
Eu não leio livros por prazer, eu nunca li uma poesia de Shakespeare por vontade própria, nunca li um livro de Nietzsche e não gosto de Led Zeppelin, Pink Floyd, nem ouço Bezerra da Silva. Eu leio Harry Potter, xerox de faculdade, escuto Offspring, Bad Religion, Ska-P, me contento com o conteúdo que esses veículos me trazem, e nunca ouvi alguém digno de atenção dizer que sou pior que qualquer pessoa.
Então, eu não vou deixar de ser assim para chamar àtenção.
Então, você pode ser o mocinho ou a mocinha de qualquer história. Principalmente da sua história, e você não precisa mudar o roteiro ou os aspectos do personagem principal para fazer sucesso.
- Hoje eu ia escrever sobre umas florzinhas de lã que encontrei em minhas coisas, mas lembrei que tinha essa idéia da "mocinha do cinema" guardada no celular.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"Nota dez para as meninas da torcida adversária" - Porrada/ Titãs.

Gente que fala mal de todo mundo pra você, com certeza fala mal de você pra todo mundo.


É fato. Hoje me peguei pensando... muitas pessoas gostam de falar tudo, sem papas na língua, falam de todo mundo: de quem conhece, de quem não conhece, pra quem conhece, pra quem não conhece. E quando leva corte de alguém, a primeira e única coisa que sua índole e seu orgulho permitem fazer é FALAR MAL. Leva uma resposta bem dada, o primeiro argumento "bah, aquela fulaninha é muito metida, bla bla bla".

Comecei a refletir sobre tantas coisas que ouço, que ouço de boca calada. Ouço falarem do verdureiro da esquina, da moça que trabalha na loja, de um primo, de um tio, de um irmão. Tudo levando numa boa, deixando todos pensarem que são os donos da razão e que tem verdades incontestáveis. Pois é... mas a verdade sabe é quem escuta tudo isso, sabe no fundo que não pode contar com aquela pessoa, que a qualquer momento ela pode destilar esse veneno contra você, ese veneno que ela faz questão de mostrar a quem fez de vítima.

É um perigo você contrariar esse tipo de pessoa. É um perigo você demostrar que pensa mais que ela, ou que tem mais escrúpulos que ela. É um perigo porque ela pode manipular mentes fracas, mentes obcecadas que vêem nessas pessoas exemplos a se seguir. Esses exemplos que tem por aí, todos declaradamente podres, de onde surgem todas as escalas de guerra na nossa sociedade. Falar mal dos outros, se meter na vida dos outros.

Um bom senso geral deveria imperar. E o bom senso serve para alertar atitudes degradantes às pessoas, às coisas e à vida em geral. O bom senso não serve pra julgar se alguém tem bom gosto, se alguém é inteligente ou burro, porque aí, esse "bom senso" está sendo usado justamente para denegrir a imagem das pessoas, o que não é uma atitude, nem de longe, legal.


Por isso, duvide sempre de quem sempre tem uma historinha "fodona" pra contar, alguma coisa pra criticar ou alguém a depreciar. Todos nós temos opiniões, críticas e boas histórias nas nossas vidas, mas usar isso para deturpar, machucar e discriminar as pessoas, não é nem um pouco ético. Nem um pouco racional humano.





Ah, o clube o qual torço e idolatro, se tornou ontem campeão da copa Sul-Americana e, consequentemente, é dono de todos os títulos que um time brasileiro pode sonhar. Então, não critique, não deprecie em vão o que não é seu, que o veneno um dia pode contaminar as suas veias.
Ah, só mais uma coisa: esse post, a princípio, nada tem a ver com futebol. Só achei que o título conquistado pelo meu clube do coração ontem merecia uma citação, e coincidentemente, pode cair bem como "carapuça" em quem se sentir à vontade.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Eu não aguento mais pregação.

As concepções sobre as coisas são diferentes entre as pessoas, então não é justo falar sobre "libertação" como se existisse apenas um caminho para tal.
É impressionante, falar sobre "lavagem cerebral" é comum, é cotidiano, mas ter consciência e percepção de que se está sofrendo uma lavagem cerebral é péssimo, porque é algo que você sabe que é péssimo, é nojento, e você não consegue sair dessa.
Alguns podem dizer que "libertação" é se ver livre de qualquer padrão a seguir, se ver livre de qualquer regra imposta para se viver, para se pensar. Outros dizem que "libertação" é se libertar dos desejos mundanos, de se livrar dos pecados, que "libertação" é servir e amar a um Deus que irá te tornar livre se você for gente boa. Até aí tudo bem, são conceitos que cada pessoa tem, diferentes. Mas, a religião se torna uma prisão justamente pela pregação. Se não fosse essas toneladas de induções, essa tonelada de informações, de imposições, de ameaças sobre "Deus", a religião não seria uma coisa tão abominável por pessoas que querem libertar seu pensamento dos padrões, esse padrões que isolam uns aos outros por comunidades, credos, culturas e nacionalidades.
Você liga a TV, e recebe dezenas de propagandas sobre cantores góspeis, gospels, ou sei lá eu qual o plural correto, recebe mais dezenas de propagandas sobre igrejas, sobre campanhas religiosas. Você vai ver um programa na TV, e tem mais gente te impondo a religião, tentando te convencer as pessoas de que não se pode ser feliz sem "Deus em nossas vidas". Aé minha banda favorita veio com uma estrofe dizendo "Porem estou disposto a entender o que eu sinto, E mostrar o quao forte eu sou para... Acreditar em voce" (claro, uma canção pode remeter a várias interpretações, mas vai que não se encaixa direitinho). Você participa de comunidades que a princípio não possuem ligação nenhuma com religião, grupos que tratam de doenças, de psicologia, e volta e meia surgem várias pessoas com o mesmo argumento de "Deus no coração". Mas, nesse caso, nos transtornos psiquicos, eu me pergunto: se a solução pra essa pessoa é se apegar em Deus, que ele cura tudo, porque essa pessoa ainda sofre dos mesmos problemas que um "pagão" sofre?
Até os grupos ateus vivem sua vida em função da religião. Não quero aqui generalizar, é claro que nem todo ateu é obcecado com essa história, podem ser pessoas bem resolvidas e despreocupadas com isso, mas os grupos que eu tenho acesso, grande parte das coisas acontecem assim, tentando desacreditar religiões e místicas.
Religião é um conceito macabro, nos deixa presos a ela, mesmo que queiramos distância dela. Claro, ela pode ser "benéfica", de algum ponto de vista, mas mesmo assim, você tem que se manter preso a ela. É uma ferramenta útil essa. Em tempos como os de hoje, é assustador se sentir sozinho, é um mecanismo para não nos desesperarmos, pra não nos sentirmos sozinhos e "impotentes" com essa desgraça coletiva, mas ninguém pára pra pensar porquê as coisas estão assim, se o "Deus Onipotente" estava lá pra ser justo, mas não foi.
Isso faz uma "lavagem cerebral" nas pessoas. Eu, por exemplo, não que eu abomine a idéia de um Deus, só não quero viver minha vida sendo obrigada a venerá-lo. Mas eu não consigo isso, eu passo por problemas, e logo já penso que estou sendo "castigada" porque "ignoro" a existência de um "deus". Isso não é uma prisão? Não é uma prisão você querer ser apenas feliz, e ser "obrigado" a ter de dedicar uma porção da sua vida em templos, em rezas, nossa vida que é tão curta e é única, em dedicar 1/3 do seu tempo a pedir, a agradecer e a venerar um ser que é tido como o "justo", o "onipotente" e "onipresente", mas que deixa o mundo do jeito que está, que "dá" doenças a pessoas boas, que "tira" a vida de pessoas boas, e "deixa" os corruptos viverem num mar de grana. Sim, há quem diga que "depois da morte temos nossa recompensa", mas peraí, ninguém me garante que meu espírito vai se perpetuar e que vou aproveitar tudo de bom, e ser compensada por tudo que sofri na vida, se eu vivê-la venerando um Deus tão injusto.
É isso, é essa a lavagem cerebral. Eu acordo no meio da noite com a cabeça a mil, e a primeira coisa que penso é que "é castigo eu não dormir bem por eu 'rejeitar' Deus". Esse tipo de mecanismo é o que me faz lutar contra essas imposições, é perceber a tamanha palhaçada que a sociedade religiosa tenta nos incutir, tenta, e consegue nos fazer ter medo, nos fazer agregar a ela todas as alegrias e infelicidades da vida.
Por mais que pudesse ser saudável pra mim, especificamente, não me sentir sozinha, transferir minha cura para um ser superior, por sofrer de problemas psiquicos que atrapalham por demais a minha vida, por mais que uma religião, uma bitolação pudesse me fazer ESQUECER meus problemas, pudesse me fazer enganar que meus problemas estavam sendo solucionados (pensando assim, é bom por um lado, mas voltamos à prisão por outro), eu não quero, eu vou lutar sozinha pra me sentir bem e ser uma pessoa LIVRE. Mesmo que minha cabeça sofra, mesmo que minha vida sofra, mesmo que o medo de ser "castigada" exista lá no fundo, eu vou sentir que estou fazendo o certo, o que minhas idéias e minha consciência manda. Não vou deixar o subconsciente do medo me levar pra um caminho que não considere conscientemente o certo. Mesmo que eu acorde no meio de todas as noites da minha vida me sentindo castigada, afinal, o sub-consciente (onde vive nossa "massa de manobra") é mais evidenciado quando dormimos, quando estamos com sono. Mas durante o dia, com o consciente bem aceso, eu sei que estou fazendo a coisa certa.
Dane-se meu sub-consciente.
Isso pode ser considerado uma pregação, mas é uma pregação para mim mesma, afinal, todos de fora pregam religiões, eu mesma, sozinha, preciso pregar a mim a consciência.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Americana e Bad Habit.

Fui no show do Offspring, e mais uma vez cosntatei o quanto é irritante e atrapalha a minha vida as minhas fraquezas mentais e, consequentemente, físicas. Chegamos na fila as 4 horas da tarde, levei um rãfals, uma Trakinas de limão e água. Os portões abriram só as 8h da noite. Quando chegamos na fila, tinham umas 30 pessoas na nossa frente, e quando os portões abriram tinham quantas? Umas 100! Furamos a fila na cara dura, e quando criticavam, costuravam a boca com a minha resposta "furão por furão, agora é a minha vez de furar".

Fiquei com uma mão na grade, esperando um vacilo dos da frente que nunca veio, pelo menos até o momento que fui tirada pela grade porque estava passando mal. Mas antes disso, Tequila Baby entrou no palco, uma hora e meia depois de estarmos em pé na frente do palco, tocou umas 6 musicas fodas, mal dava pra pular, só dava pra cantar junto e suor, emanando uma quantidade incalculável de suor.

No intervalo, começou a tensão. Dois emos malditos de um lado, uma otária nerd do outro que se achava punk porque "bah, meu moicano é feito de ovo, meu", começaram a empurrar sem noção nenhuma, a amassar, a massacrar, e mais 6 mil pessoas atrás que não tinham noção nenhuma de Física de que "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço".

Passado 15 minutos de intervalo, chamei o tiozinho gente boa que era segurança ali na frente e perguntei se ele podia pedir pra que parassem de empurrar tanto e ele disse que não podia fazer nada sobre isso, então, nem deu 2 minutos e o pânico bateu. Não vinha nenhum ventinho pra acalmar meus nervos, e comecei, na verdade, a morrer de medo de passar mal. Mais uma vez, chamei o tiozinho e perguntei como eu podia sair dali, porque eu estava me sentido mal. Aí me puxaram pela grade e me levaram para a ambulância. Assim que sentei na cadeira do atendimento, escuto a gritaria e os primeiros acordes de "Stuff Is Messed Up". Então, comecei a chorar, a tremer, medindo minha pressão, meus sinais vitais. E a médica "é, dá pra ver que és bem fã da banda", e eu, aos prantos "fã? passei um ano juntando migalhas pra conseguir chegar aqui", e cantarolando "Stuff".

A médica disse pra eu ficar calma, que assim que eu parasse de chorar, ela me liberava pra voltar, mas que eu não devia mais voltar pra grade que eu poderia passar mal denovo. Então, os seguranças levaram o Bruno e eu de volta pra pista (ainda nutri uma pequena esperança de que eles fossem bondosos de me deixar do lado de dentro da grade, mas não).

Chegamos na pista no finzinho da "All I Want", e eu aos prantos ainda. Ficamos no canto direito, a uns vinte metros do palco. O Bruno disse "amor, calma! aproveita o show!". Mas eu estava sentindo pontadas fortes de dor na barriga que não me deixavam pular direito, sentia falta de ar que não me deixava cantar direito e sentia emoção que não me deixava ficar com os olhos secos.

Eu dava cinco pulos e parava pra respirar, berrava umas três frases e parava pra respirar, a cada nova música, novo ataque de choro, gritos, faltas de ar, pulos, dores e choros.

Na hora que eles sairam do palco pra fazer o "charminho do biz" eu nem sabia mais se queria mais, ou se queria que acabasse, de tanta confusão de sensações que eu tinha. Demoraram pra voltar, teve até vaia, mas eles voltaram e tocaram "I Can't Get My Head Around You", " Want You Bad" e "Self Esteem". Eu não sabia se admirava a calma do Greg, a loucura do Noodles ou a força das cordas vocais do Dexter. Ou também, se eu cantava, ou pulava, ou chorava. Foi tenso.

Quatro anos e dezessete dias depois daquela noite em que chorei por não ter grana de ir, finalmente consigo assistir ao show do Offspring, da banda que sustentou minha adolescência e ainda a sustenta (já que nunca consigo sair dessa fase). Extremamente emocionada, nervosa e passando mal, mas vale à pena cada fisgada de dor e de nervosismo pra ver todas aquelas músicas serem tocadas pela banda que escreve letras que casam com todos meus transtornos, minhas idéias, meus conceitos e meus desejos, banda feita de caras que não se preocupam com um esteriótipo punk, que se vestem com roupas normais, que gostam de coisas normais, que não se prendem à conceitos mornos e estáticos. Curtem a vida (gostaria de conseguir curtir), vivem, trabalham, pensam, estudam. Um pouco do que sou e tudo o que quero ser.

Ah, ainda perdi a caixa dos meus óculos, porque a minha mochila se abriu enquanto o Bruno se divertia (quem diria) mais que eu na roda punk.

Obrigada, Bruno, por ter me ajudado a realizar esse sonho, por não me abandonar nem nos momentos em que eu estava chorando "por outros caras", por compreender (ou tentar) tudo o que significava pra mim ir a esse show. Obrigada.

Obrigada aos amigos que torceram por mim, mesmo sendo impossivel pra mim definir com exatidão o quanto era importante pra mim ir a esse show, a esses amigos que me incentivaram e me deram força (mesmo quando eu não acreditava possuir essas forças).

Obrigada ao Offspring, por conseguirem definir com tanta clareza meus pensamentos e transformá-las em canções, e me fazer fã dessa banda de caras normais.



O único problema é que não consigo tirar da cabeça a "Stuff Is Messed Up", só porque não VI ela ser tocada. E até quando eu disse "merda odeio essa música", dois segundos depois eu estava cantarolando, com os braços pra cima "Kristy, are you doing okay?". Nunca pensei que isso fosse possível, uiehauiheuiahueiae...






Foto tirada do celular, pelo Bruno, porque eu não estava em condições decentes de tirar fotos. Mais ou menos aí que ficamos depois do meu fiasco. O que me deixa de cara é que, bem, com tanto empurra-empurra e pressão perto da grade, por que foi só eu quem passou mal? Por que tenho de ser tão fraca, tao medrosa?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Fruto de mais uma piada.

Eu já estive muito tempo mal, e ainda estou, mas antes, eu não queria ficar bem. Sabe esse papo de revoltadinho, de querer ser diferente, "chocante" e crítico? Esse papinho me deixava anti-social, infeliz e sem a mínima vontade de me relacionar com pessoas, com sistemas e de me integrar a esse ninho de cobras que são as sociedades.
Mas e agora? Agora, eu estou tomando (acho que faz uns dois anos que "estou tomando") consciência de que é inevitável (sim, é inevitável) fazer parte da sociedade. Fomos paridos nesse mundo, e temos de viver (ou se matar, mas aí é outra discussão). A "evolução" humana e a "evolução" das sociedades, nos inseriu necessidades que biologicamente não temos. Eu evitei sentir tais necessidades, evitei me sentir humana, podre, ignorante e egocêntrica, mas não é possível viver sem gostar das pessoas, dessas pessoas podres ignorantes e egocêntricas, como todos somos, não é possível viver sem uma diversãozinha despreocupada, sem uma sacanagenzinha sem moralismos. Mas isso tudo vai contra meu pensamento humanista, contra minhas idéias de bem-estar social, já que, enquanto estou me divertindo com os amigos, diversas pessoas estão chorando a noite toda por estar a semanas sem comer.
Mas, sacrificar a minha vida por essa idéia (nem é um ideal), vale á pena? Vale à pena deixar de se sentir bem, de se sentir bonita, realizada individualmente só pelo remorso de saber que muitas pessoas sofrem, sofrem todos os dias?
Vale á pena lutar por isso, mas não vale à pena se martirizar, todos os segundos, por isso. Vale à pena ter atitudes que possa nos dar consequências mais justas para as sociedades, mas não vale à pena abrir mão das necessidades, fúteis, algumas vezes, que a sociedade vigente nos clama.
Não há problema em sair bem vestida, porque o africano desnutrido que está em 90% dos albuns de orkut está usando míseros trapos. Não é deixando de usar suas roupas que aquele desnutrido vai conseguir comida.
Vem um radical (sem pre vem um radical) falar que é um sistema complexo que blábláblá... não posso dizer "todos", mas EU sei de tudo isso, eu sei que cada passo que damos, cada molécula de energia (putz, nem sei química) que gastamos tem uma influência grande no sistema das sociedades, mas meu pai, precisamos ser felizes! Nós estamos aqui, a vida pode acabar no próximo segundo! Nós podemos fazer planos, construir ideais, sonhos a longo prazo, mas precisamos viver o agora. Não sei se vale à pena morrer pela causa. Podemos estar fazendo uma revolução na sociedade, mas não vamos morrer e ressucitar pra ver nossos resultados e aí sim ficarmos felizes. Podemos fazer nossa revolução, mas precisamos fazer a nossa vida.

Por mais que o meu discurso transpareça esta sendo fácil, não está, não. E quanto mais obstáculos surgem, ou eu mesma crio, para que eu não consiga me sentir bem, e em paz a cada dia que passa e que EU VIVO, em que EU ESTOU PRESENTE, mais me indigno com esses panacas que vêm com discrusos prontos, utópicos, dizendo que todos somos alienados e que eles são os fodões. Ah, abram os olhos! Todos somos alienados, mas todos (ou a porcentagem com escolaridade) temos chances de transformar as sociedades, mas temos uma única chance, e uma única vida para viver.













É fútil, é? Mas EU GOSTO, eu AMO, os dois (SCI e Bruno).

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Flashes

"As pessoas não tem moral nenhuma, e moral não apenas no sentido humano da palavra, para falar umas das outras ou de qualquer outra coisa, e olha o que nos distingue dos outros animais? A FALA!"
"'Gente' é nojento. Usam de tudo para conseguirem a razão. Atacam nas mais profundas feridas, só para se sentirem com razão."
"Talvez as crianças tenham a mente mais aberta do que um adulto cheio de 'ideologias' empregadas a eles. Seja de forma direta, ou indireta."
"Você compra uma moto que faz barulho pra ela fazer o que você não consegue? Chamar a atenção."
"Enquanto eu tive um cachorro, eu fui feliz."
Mas bah, quando eu estou conseguindo me despir de preconceitos contra os seres humanos, me surge um debate onde as pessoas inclusas possuem exatamente os mesmos aspectos que me deixam completamente desiludida de conviver nessa corja, nesse ninho de cobras que é a sociedade.
Arrogância, superficialidade, o próprio PRECONCEITO, e, o pior de tudo, se sentirem com capacidade e direito de julgar os outros.
Eu lamento muito que a minha indignaão chegue a um ponto em que eu não consiga expressar minhas idéias e minhas concepções. Lamento muito perder a paciência e a esperança de conseguir fazer esses cérebros miúdos e egocêntricos compreenderem o quão superficiais, ignorantes e todos outros inúmeros defeitos, eles, nós somos e temos. Preferem se manter na "superioridade de papel". Até aí, tudo bem. Cuidar da sua vida, considerar seus problemas os maiores (sim, eu acho uma besteira esse papo de "olhe para a pessoa ao lado e perceba o quão pequeno é o seu problema". Os problemas são grandes ou pequenos, em proporção à vida de cada um), etc., mas quando esse cuidado egoísta passa para o ponto de as pessoas acharem que são mais, o suficiente, para falar do outro, para julgar o outro sem "olhar pro próprio rabo", aí se torna aquela coisa nojetinha que é denominada de "gente".
Todos nós somos contraditórios, ignorantes. Mas temos a capacidade de viver bem com esses lastimáveis defeitos, até aparecer um egocêntrico cego que quer porque quer provar a razão, e não se coloca no mundo, não dá a cara a bater, só se limita ao seu pensamento e a sua "superioridade".

Tá, posso vomitar?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quando eu subo no ônibus...

Você já parou um dia para pensar que nós sempre temos uma crítica a fazer a grupos religiosos, aos militares e afins, aos roqueiros alienados, aos pagodeiros sem intelectualidade, aos que veneram hinos, bandeiras, deuses e a todo o tipo de pessoa que de alguma forma segue alguma "doutrina" alheia à nossa? E achamos que somos mais que eles. Mais originais, mais decididos e menos comuns.
Mas você já percebeu que a maioria das pessoas que estão no mesmo ônibus que você, todo o dia no mesmo horário, seguem regras, inclusive você, a todo o instante? São o mesmo grupo de pessoas, mesmo que seus destnos sejam diferentes. Todos lêem um conjunto de códigos pré-estabelecidos na parte superior do veículo coletivo, identificam o seu caminha, pré-estabelecido, sobem no ônibus, pagam a passagem, passam pela roleta e se sentam (ou ficam em pé, como quem sobe na FURG no ônibus do Quinta das 22h). Na hora de descer, levantam, puxam uma cordinha, se direcionam para a porta e descem. A partir daí, partimos para fazer parte de outro grupo: aqueles que caminham pela rua.
Nós podemos não fazer parte do grupo dos religiosos, do exército militar, dos roqueiros ou pagodeiros que se reúnem propositalmente em algum momento para exercer atividades baseadas em regras inconscientes, mas fazemos parte do grupo da sociedade, do grupo dos mais completos alienados, repolhos (como diria um saudoso professor), que seguem rotinas que não escolheu seguir, regras que não criou, segue por caminhos que não traçou. Meros animais humanos tentando se organizar no mundo, achando que são mais que outros meros animais porque têm consciência, porque "pensam".
Consciência? Vivemos na automaticidade completa e ainda nos sentimos no direito e capacidade de julgar tribos porque vivem de acordo com suas regras "alternativas" em comum, e subjulgamos animais porque eles não são capazes de projetar uma bomba atômica, sem perceber que vivemos exatamente como eles: apenas nos organizando para viver e, no caso das tribos, nos unindo através de semelhanças.
Quando estamos no ônibus, temos algo em comum com a pessoa ao lado: queremos chegar a algum lugar.
Quando estamos num centro religioso, temos algo em comum com a pessoa ao lado: queremos venerar e agregar nossos desesperos e desejos a um ou mais deuses.
Todos nós fazemos parte de grupos, inúmeros grupos, e não cabe a você julgar as pessoas por isso.
Mas, se levarmos em conta a consequência de certos grupos, certas organizações, a discussão iria para um outro ponto, muito interessante e discutível, mas no momento não é meu objetivo aqui.
Este seria um texto reflexivo, se para mim isso não tivesse se tornado uma espécie de obcessão, ond não se consegue fazer mais nada na vida além de refletir sobre a ignorância do ser humano e na farsa onde vivemos. Onde eu vivo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Céu, sol, sul...

Bom, eu não sou uma pessoa inteirada, intelectualizada e aprofundada nem na ciência que escolhi lecionar daqui a três anos, então o que digo é uma mera constatação empirista dos fatos que acontecem em torno de mim e do mundo.
Hoje é a data comemorativa da Revolução Farroupilha. O que eu sei historicamente sobre isso é que não deu em nada. Não digo que seja pior que o dia da Independência do Brasil, porque esta (ou "essa", nunca soube direito como me referir ao sujeito mais próximo na frase) além de não ter muita simbologia ligada propriamente à independência, ainda por cimo não teve nada de luta, busca por um ideal.
O que sei, é que a Revolução se deu primeiramente por motivos econômicos e políticos, que nos deram uma independência de alguns anos (não sei dizer quanto, ou se foram apenas meses), e uma profunda reverência à cultura gaúcha.
Por que isso se dá tão intensamente na Semana Farroupilha? Talvez seja porque nos sentimos destacados do resto do Brasil por ter garra, por lutar bravamente para alcançar um objetivo. Não interessa que origem tenha esse objetivo e, parece-me que esqueceram os tradicionalistas, que não teve continuidade.
Abrindo mão da parte histórico-política desta data, me sinto mais gaúcha nesta época. Porque as tradições são mais explicitadas, porque vamos "aparecer" para o resto do país se exibindo da nossa cultura rica e centrada. Por, no fundo, acreditar-mos que somos mais que os paulistas, os cariocas, que levam tão maior importância no cenário político, econômico e mundial. Para esfregar-mos na cara dos cariocas "marrentos" que nossa cultura e nosso passado não se resume à boemia e à praia, mostrar para os paulistas que o nosso maior movimento de manifestação não é uma parada gay de mais de 1 milhão de pessoas.
No fundo, a evidência tão grande à nossa cultura serve para expurgarmos o sentimento de exclusão e separação que não depende de termos ou não quisto a independência em 1845.
Mas e o amor pelo Rio Grande do Sul? É o mesmo amor que o carioca tem pelo Rio de Janeiro, que o baiano tem da Bahia, e alguns não têm. Eu sinto orgulho pelo meu estado, mas me sinto frustrada de ter de sentir orgulho pelo passado e não ter nada digno de orgulho no presente. E mais ou menos como acontece na minha cidade, onde todos cultuam os prédios históricos, onde todos possuem um apego exacerbado ao passado e não começam a trabalhar para transformar o futuro, para melhorar o presente decadente. Não é só de cultura que vive o homem.
Eu gostaria tanto de não sentir remorso ao mesmo tempo que sinto orgulho no dia 20 de setembro. Eu gostaria tanto de olhar para a cultura riquissima do meu estado e me sentir grande, imensamente maior que outros estados, sem saber que na verdade isso tudo é uma máscara que nós mesmos usamos para ofuscar o presente. Eu gostaria tanto de enxergar o progresso junto com o amor à cultura ressalvada.
O que se tira de tudo isso? Eu não vou tirar meu amor, meu orgulho e minha vontade de sentir amor e orgulho. Eu vou mesmo demonstrar orgulho pelo meu passado. Afinal, se não honrarmos este, o que teremos para glorificar? A política? A educação? A economia? Tsc tsc...
"Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor" - Contraditório.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Não se assuste, existem textos anteriores mais legais.

Eu não sei se esse texto deveria ser colocado no outro blog, aquele que ninguém conhece (assim como esse mas...) e só serve pra meus desabafos, mas eu achei legalzinho. É um pouco egocêntrico (pra variar), mas ah, dane-se.
Eu queria ser rebelde. Mas rebelde de verdade. Quer dizer, aí teria-se de definir o que é verdade, algo que é improvável. Então, posso dizer o que eu não gosto de ser e o que não gostaria de ser.
Eu não gosto de ser motoramente acomodada, de discordar de tudo no pensamento e fazer nada no prático. Eu queria beber excessivamente sem ser viciada e me sentir bem, me divertir sem remorso, ser mais descontraída e mais objetiva. Gostaria de questionar tudo sem medo, e questionar bem.
Eu não queria ser o esteriótipo comum de rebelde que se tem hoje, revoltadinhos com nada, só para andar "à vontadade", se divertir e beber querendo ser diferente da massa (onde acabam por eles mesmos se tornando uma massa e perdendo o sentido), que só sabem mandar os outros longe e ouvir bandinhas da sub-moda.
Queria ter corageme cara-de-pau para fazer tudo o que penso, até inconscientemente, em fazer. Queria ter sentimentos e sensações menos intensas, não sentir remorso por coisas pequenas, me importar menos com as consequências dos meus atos e além disso, ter atos mais inteligentes, ao invés de manter a minha capacidade "dentro do armário". É, eu acho que tenho capacidade de ser muito mais do que sou e do que serei. Mas pelo que sou hoje, não serei mais amanhã.
Queria ter objetivos condizentes com minha capacidade e ter ânimo para correr atrás deles.
No meio de tudo isso, queria conseguir ser uma pessoa legal. Mas não nutro muita esperança de um dia ser essa pessoa e nem tenho ânimo e condições psicológicas para sê-la.
Além do mais, queria conseguir resistir ao vício de sempre me comparar aos outros. Fisicamente, mentalmente, cotidianamente... comparações só fazem eu me diminuir, eu me sentir menor em algum aspecto. Mas parece que eu sinto gosto em me ferir, sinto prazer em me menosprezar.
Uau, eu sou animal.
(continuo sem imagem pra colocar)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mais filosófico que poético.

Sempre detestei literatura, especialmente poesia. Aqueles versos repetitivos, chorões, nunca me atraíram. O pior foi quando eu descobri que o pleonasmo era usado como "ferramenta" para os poetas, e para pessoas comuns, que não eram escritores, pleonasmo é um vício de linguagem. Para mim, "cadáver morto" é um termo inútil tanto na boca de um leigo quanto num renomado livro de poesias.
Poesia é algo tão vazio de objetivos, e tão cheio de beleza. É como menininhas de balada que usam micro-saia, quilos de maquiagem, mas quando abre a boca, não é para falar. Perdão aos amantes da poesia, mas ela é como a ciência que estudo, a Geografia: poesia fala tudo que outros já falaram muito antes, de uma forma mais rebuscada, mas que de fato não acrescenta em nada na vida do sujeito.
Eu não leio muito, meus conhecimentos são 90% empíricos. Sei lá, até gostaria de ler, mas tenho tantos problemas mentais, que eu passo a maior parte do tempo em que eu poderia estar acrescendo meu conhecimento, pensando nos problemas e tentando me relacionar com as pessoas. Perda de tempo, porque eu acabo não lendo e conversando com ninguém, na grande maioria das vezes.
Mas onde eu estava mesmo? Ah sim, não leio muito, mas do pouco que conheço de cada área, a Filosofia me parece a mais sensata de todas. Por mais que as pessoas digam que filósofos só enrolam, mas oras, que respostas podemos dar às questões mais significativas da humanidade? Achamos que é besteira porque nunca paramos para observar as coisas, sim, mais simples da vida. Nos preocupamos com contas a pagar e com pessoas a se relacionar e deixamos passar questionamentos ímpares. Só porque não existem respostas concretas, não significam que os assuntos não sejam importantes.
Eu estou em uma fase egocêntrica e a procura de o que crer e para onde olhar.
Mas porque eu estava escrevendo sobre isso?
Puxa vida, eu estava ontem no ônibus e pensei na frase "mais filosófico que poético" para definir o blog, meus pensamentos e coisas importantes na vida. Eu pensei "uau, vou escrever um texto sobre isso". Depois, percebi que eu sabia mais de futebol do que os caras que estavam discutindo sobre as eliminatórias da copa, e a construção desse texto foi direto pro ralo "masso-cinzento".
Tentei escrever alguma coisa legal sobre isso, mas não deu.
Bah, tô começando a me sentir um fracasso...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Muitas faces, muitos pensamentos e muitas contradições.

Uau, esse mês começam os trabalhos, as provas. Menos tempo que nunca pra postar alguma coisa que alguma pessoa possa achar que merece ser lida...

Aliás, eu estava disposta a escrever alguma coisa legal agora, mas sinto uma energia emanando da cozinha, provavelmente vinda da minha mãe, avisando que daqui a pouco ela vai gritar alguma coisa para eu fazer e se, por um acaso do destino, eu estivesse aqui em um momento raro (ou jamais existente) de inspiração, ele seria interrompido para eu ter de concretizar mais um momento do dia-a-dia repetitivo, inútil, infundado, mas que ao menos fará minha mãe não enxer meu saco e passar mais um dia (o terceiro), sem discutir com ela e acabar com um olhar assustadoramente mortal e possuído meu, que dá medo ate em mim quando percebo a intensidade do ódio passageiro.
As pessoas não têm noção do quanto são más, e do quanto de ódio possuem. Elas podem dizer que não, podem viver 95% de suas vidas sem se estressar com as pessoas, mas lá no fundo, elas sentem que seriam capazes de matar meio mundo para acabar com sua sede de rancor. Acredito que no fim da vida, quando elas estão indo, nos ultimos segundos de vida, que acredito que seja possível passar um "flash-back" da sua vida, ela vai sentir o quanto sua vida foi vazia por não ter matado umas cinco pessoas. Mas tudo bem, até que viver até aqui teve seus benefícios. Quer dizer, você viveu pra morrer, mas durante esse tempo você também teve lapsos de euforia que saciou. Mas os de fúria não. O que de certa forma é sensato, pois vivemos numa sociedade em que as pessoas tem de se aturar mutuamente, se não, certamente, você já teria sido morto a muito tempo.
Talvez, no raiz da coisa toda, nós apenas vivemos em sociedade para não nos matarmos tanto. Quer dizer, os cidadãos comuns não se matarem tanto, porque os governos dominantes, esses sim, vão morrer felizes de terem saciado sua fúria com a mãe na infância, matando milhares de civis pelo bem-maior: o petróleo, a sua infinitamente mais inteligente cultura, e por Alá, Deus, Jaev, Jesus e todas essas figurinhas que foram criadas para justificar nossos desvios de conduta social e nossas desgraças. Foram criadas, para não saciarmos nosso desejo de fúria no vizinho, mas apenas pensar "sou infeliz porque Deus quer".
São dois lados difíceis de definir como certos ou errados. Será mesmo que a sociedade seria melhor sem um Deus, sem o medo da cobrança posterior? Claro, não digo que os ateus sejam assassinos em série, mas tomando as verdadeiras proporções da sociedade, a grande maioria não tem acesso ao conhecimento, à sensatez, à razão, então colocam-as todas em Deus. Será que se desiludissemos elas da existência de tal, elas não se rebelariam e acabassem por bombardear todas as suas frustrações, que eram justificadas por Deus, no vizinho?
A questão é que é confortável viver com um Deus, confortável até para os ateus. Pensem bem nisso.

Alguém vai ler?

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Passagem breve.

No final das contas, todos somos alienados. A diferença é que alguns têm consciência disso e se alienam por vontade própria a outras culturas, que no discurso se dizem anti-capitalista, mas que preservam os mesmos tipos de regras: de mercado, de convivência, de aceitação, e acham que melhoram alguma coisa ou são diferentes e melhores, e acabam voltando ao estado mentalmente mórbido, crendo que não são alienados.
E há também os que seguem sua vidinha sem nenhuma preocupação além das contas a pagar.
Outros, possuem disturbios mentais que não permitem que esses tomem o caminho de serem alienados comuns ou alienados "revoltados". Esse é o meu caso.

Eu vivo numa cultura capitalista, onde é preciso vender algum bem, no caso, o trabalho, para que se consiga comer e sobreviver. Aliado a isso, ainda me submeto à convivência com outros seres dessa cultura, onde estes se julgam e se condenam pela roupa que você está usando. Na verdade, esta ultima descrição se enquadra em qualquer cultura tida até o momento no mundo: se você não se enquadra é mau visto. Só o que é revoltante é que algumas pessoas dizem integrantes de culturas que abominam quaisquer ferramentas do sistema, ou a maioria delas, inclusos aí os esteriótipos. Mas ainda assim, julgam os demais pelo que elas vestem ou coisas que fazem ou deixam de fazer. Você não quer que te julguem pela sua roupa rasgada, mas julga o outro por usar uma roupa inteira.
Quando se fala em "hipocrisia", soa como um clichê, mas o problema em si não é a hipocrisia. A hipocrisia² é o problema das pessoas. Pregar um discurso que não se segue é normal, mas insistir na hipocrisia de não se sentir hipócrita é o fim, é o suicídio coletivo. E isso está virando moda, justamente pelo fato do termo "hipocirsia" cair na boca do povo. É uma palavra bonita, é um adjetivo que todos temos. Mas é aquela coisa, o cara feio da danceteria só é mais feio, porque se acha bonito. Saca?
Hoje em dia, só de incluir no seu discurso a palavra "hipocrisia", ele passa a ser mau visto. Mas há termo mais perfeito e palavra mais bonita para nos qualificar?


Se eu tivesse tempo, escreveria mais.
o/

Ps.: ia anexar alguma imagem legal, mas lembrei que PERDERAM MEUS ARQUIVOS.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

De quem é a culpa?

Viver é agonizante.
É doloroso.
Ter que tomar decisões difíceis, ter sentimentos, ter doenças, ter problemas. Tudo isso pra depois morrer.
Se você toma uma decisão errada, quando você percebe que fez uma merda: blum. Seu mundo cai, você passa vários dias, meses, anos se arrependendo e se lamentando. E quando você acha que superou o escorregão, a cicatriz dói.
Quanto menos capital você tem, mais problemas você acumula, e mais decisões erradas você toma.
Você tem que crescer, parar de sonhar com o impossível. Mas não vivem dizendo que nada é impossível?
Você tem coisas que te fazem bem, tem pessoas que gostam de você, e mesmo assim você se sente irritada e inconformada. Você só consegue enxergar o que se tem pra corrigir.
Mas e a culpa é de quem? É sua? Você acha que se pudesse, você não seria feliz. Eu não sei o que é. A culpa não é sua, a culpa não é deles. A vida é curta e é só uma. A culpa é do medo de conseguir viver satisfatoriamente os 60, 70 anos que te restam.
Eu, nesse momento, tenho certeza de que vou morrer incompleta, inconformada e arrependida de ter e não ter feito muitas coisas. Mas eu me arrepender? A culpa não é minha se eu fiz ou deixei de fazer as coisas. A culpa é do medo, do medo da vida.

DE QUEM É A CULPA?
Me vejo parado aqui
E vejo você sumir
Talvez eu não esteja pronto pra crescer
Misturando tudo
Eu te peço desculpa
Não tenho nada pra provar
De quem é a culpa
Talvez você possa encontrar
Nos próximos dias sem mim
E você pensou em viver assim pra sempre
Engolindo as lágrimas
Será que você não sente
Que quando se perde a direção
É melhor recomeçar
Seria bom
Se hoje você não ligasse pra mim
Você escreve torto em linhas tão retas
Eu faço força mas nada acontece aqui
Ninguém é tão bom quanto você
Talvez eu não esteja pronto pra crescer

Tequila Baby.





Ahhhhhhhhhhhh, e meus cisos dóóóóóem!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Vida virtual mutilada.

Coliformes fecais! Perdi todos meus arquivos, textos velhos, novos, tuuuudo! Menos o que estava aqui.

Que inferno, que %$@#&*¨$@#$¨¨!!
Meu time perdendo, meus arquivos perdidos, minha prisão de ventre ativa, minha hemorróidas proeminente, minha banda favorida lançando um CD medíocre, transtorno de ansiedade generalizado... o que mais falta pra minha vida se transformar num desastre completo?
Ahhhhh não! O caminhão! Desvia, desvia!
CABLUMMM...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Oco.

Nossa! Eu precisava tanto escrever...
Já que eu não consigo escrever sobre as minhas sensções do momento, mascaro os meus pensamentos escrevendo um episódio inédito de " A Vida de Morgana". Hehehehehe...
Eu nunca sigo meus planos adiante, por achar que não sou capaz de finalizá-los, e por preguiça de fazê-los. Eu mostro que estou achando graça da situação, mas no fundo me sinto frustrada de não ser capaz de produzir algo bom, com um objetivo atingido, simplesmente pelo fato de me sentir frustrada.
Acompanhe a vida de Morgana no Blog Dois. Até quando vai durar, eu não sei. Talvez ela se suicide na minha mente subitamente e nunca mais seja lembrada, já que ela não tem mãe, tem um pai medíocre e amigos e relações falsas.

Abraços.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Falta de respeito.

Desde o infantil "falar de boca cheia" à ignorância pessoal. Falta de respeito é algo que temos de engolir todos os dias, o dia inteiro. Estamos tão impregnados com a falta de respeito e a sua arma de combate, o cinismo, que nosso cotidiano acaba se transformando num verdadeiro depósito de sutis humilhações, que dentro de nossa memória se transfiguram a um ódio reprimido horrível, que nos consome e nos resume ao automático, ao maquinal.
Às vezes, você está tomando café da manhã, e percebe o quão amarguradas são as pessoas à sua volta, e acaba revelando sua própria amargura pra si mesmo. Tantos tentam te ajudar, tentam te mostrar como ser uma pessoa melhor, mas não são pessoas boas pra elas mesmas. Não respeitam suas prórpias vontandes, não conseguem transpor obrigações ruins em afazeres "aturáveis", não conseguem ver os outros com sanidade humana.
Perdemos a humanidade. Nos preocupamos tanto em criar máquinas para nos poupar trabalho, que acabamos por nos tornar coisas as quais demos humanidade. Podemos mascarar as verdades, mascarar as dores e reprimir o ódio, sermos automático. Mas ainda temos cérebro pensante. Ainda temos um conjunto de ligações, alterações e experiências que compôem a nossa inteligência e nossos sentimentos, por mais interiores que eles têm ficado. E essa característica unicamente humana, por vezes transborda a um ponto que não conseguimos mantê-la escondida, manter escondidas as frustrações, e pequenos traços insignificantes dos que estão à nossa voltam, tornam-se insuportáveis, tornam-se profundamente errôneos para nós. Então, surge uma discussão, uma briga, uma morte. Você, por breves e lúcidos minutos, percebe o quanto somos bestas, artificiais, e moldados. Moldados pelo tempo, moldados pelas circunstâncias. E nesses breves minutos, tenta por expor todas as coisas que não são compatíveis a você, ou o que você não gostaria de ser. Mas a enxurrada de opressões e dores, não deixam você se expressar como deveria, e as pessoas a sua volta ficam chocadas, e acabam, como sempre, colocando a culpa no de fora, no stress. É muito fácil colocar a culpa, ou as esperanças, no que está fora. Você mesmo acaba por concluir que (mulher) está na TPM ou (homem/mulher) o dia foi ruim no trabalho, e automaticamente, as coisas voltam a ser como antes.
Mas será mesmo apenas a atividade hormonal feminina, ou só a atividade comum de trabalhar? Não, não é. É a forma com que a vida é levada. A forma com que as pessoas tratam umas as outras e a si mesmas. Pequenas atitudes, egocentrismo irredutível, e mais uma série de massantes desrespeitos agrupados em nossas engrenagens, tão apertados, que só o que se consegue fazer é adaptar a máquina a trabalhar com mais uma peça. Deixamos nosso corpo e mente ser invadidos todos os dias por peças inúteis que só sobrecarregam nosso sistema operacional.
Tudo isso pode parecer egocentrismo, e em partes realmente é, mas tenho certeza que todos já tiveram esse tipo de sensação, de que tudo está errado, de que todos estão errados e ninguém vê o furúnculo infeccionado se proliferando. Só que a nossa maldita máquina tem peso demais para ter tempo de consertar esse problema. Nossos remédios tem doenças demais para curar, para se preocupar com o câncer que governa nossas vidas. O egocentrismo pode vir da causa desse texto, pode vir da minha experiência em particular, que talvez tenha sido usado um sentimento exagerado para expressá-la aqui. Realmente, em algumas circunstâncias, as pessoas não têm culpa, eu nunca avisei a elas que me sentia mal com certo fato. Por que não avisei? Porque o "se sentir mal" é colocado na máquina e ela passa a trabalhar com ele, sem se preocupar se vale à pena ter mais uma peça pra conviver. O egocentrismo está aí, mas ao mesmo tempo, expressar a dor reprimida pode ser, e é, um mecanismo coletivo, social. Quando colocamos nossas diferenças na mesa, todos nós podemos ver onde dá pra ajudar e se ajudar. Mas isso não acontece. Não acontece porque nós achamos que é apenas o stress.
Mas a gente estoura. Todos nós transbordamos. Mas depois de trasbordar, o balde acaba tendo volume pra mais um pouco de repressão dos sentidos, e assim a vida segue.
Você, com a mais absoluta certeza, já se pegou com o coração amassado, não sabendo para onde correr e para quê correr, talvez chorou agonizadamente, talvez jogou uma almofada na porta, de alguma forma extravasou suas frustrações em alguma coisa, sem realmente saber que eram frustrações ou porquê elas existiam. Pense mais nisso. Certamente não vai salvar a humanidade, mas pode ajudar você a compreender que as pessoas não são mal-educadas porque te odeiam, mas sim porque mal sabem o significado de vida que a palavra "respeito" tem.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Rise and Fall, Rage and Grace.

Bom, como faz muito tempo que não escrevo algo diferente e com estrutura aqui, resolvi falar do novo CD do Offspring, minha banda favorita desde 2003. O lançamento oficial é dia 17 de junho, mas, com a internet e a pirataria, as músicas já estão acessíveis.

Depois do lançamento do single "Hammerhead" (4), criei uma boa expectativa para o CD. Uma música veloz, pesada, com toda a essência fundamental do Offspring.

Mais adiante, seguiram-se no Youtube trechos ao vivo de "Half-Truism" (1), e me assustou. Essa música abre o cd, mas gravada, não é tão assustadora quanto no vídeo de máqualidade do site Youtube. O som começa pesado, quando você acha que vai engrenar, surge uma melodia "chorona" no refrão, que só se consegue não desligar o som, porque o resto da música é veloz.

"Trust in You" (2) é a melhor do cd, parece um plágio da própria Smash, mas tem elementos mais maduros, é enérgica e com passagens marcantes.

"You're Gonna Go Far, Kid" (3), começa parecendo um baladinha quase dance, mas nem assusta, porque em seguida se percebe o propósito da canção. É um hit que gruda na cabeça, mas não é tão comercial como os hits que costumam tocar nas rádios. Uma das melhores.

"A Lot Like Me" (5) é o som diferente melhor no cd. Começa numa mistura de Helloween com Coldplay, com piano e som pesado, achei que não seria algo que me agradasse, mas lá pelo 2º minuto melhora muito. É um som mais melódico, mas apresenta elementos essensciais que me fizeram gostar de Offspring, como o vocal forte e inconfundível do Dexter Holland, e as sacadas de backing vocals.

"Takes Me Nowhere" (6) traz um traço de Smash que a banda precisava a um bom tempo. Claro, bem equipado com sonoridade inovada, e mais uma vez, com backing vocals que grudam na cabeça.

"Kristy, Are You Doing OK?" (7). Aí a coisa começa a desendar. Não sou boa conhecedora de Green Day, e nem ouvi o American Idiot por inteiro. Mas não confunda, o comentário a seguir não tem influência alheia. Qualquer um que ouvisse "Wake me Up When September Ends" veria que o Offspring tentou lançar nessa música o mesmo sucesso que o GD alcançou com sua baladinha. Mas sucesso não é sinônimo de qualidade nos dias de hoje. Essa faixa só vai ter como consequência trazer "fãs" novos aos shows. Tenho um desejo íntimo de que eles se decepcionem, que o Offspring não esqueça suas raízes e essência.

"Nothigtown" (8) tem um ar de "American Pie". Não é uma música ruim, mas como o "American Pie", é repetitiva e acaba enchendo o saco lá pela quarta ouvida.
"Stuff Is Messed Up" (9) é a mais Rock and Roll do CD. Parece AC/DC, coisas do gênero. A banda se superou muito nessa música, apesar de eu ter visto comentários desgostosos pelos orkuts da vida. É animada.

"Fix You" (10), lamento informar, mas só ouvi, com muito esforço, uma vez. Muitos dizem que é "surpreendente" ver o Offspring gravando uma música lenta. Mas como o sucesso, surpreender não é necessariamente um sinal bom. Ela tem lá seus atrativos, mas não pra mim. E mais, até a voz do meu ovacionado Dexter soa intragável aos meus ouvidos.

"Let's Hear it For Rock Botton" (11) é aquele reggaezinho que já virou tradição nos cd's. Eu, particularmente, não acho esse tipo de alteração ruim. Dá um traço "ska" no cd.

"Rise and Fall" (12) surge pra encerrar o cd com um ar Ramones. Quando ouvi a primeira vez, gostei muito. Mas acho que depois da cinco anteriores, não precisava muita coisa pra me deixar feliz. Mas mesmo assim, é boa, traz traços "offspringuianos" ainda diferentes dos que já tinham sido demonstrados no cd.

Não se pode dizer que é um cd ruim. Sem dúvida, é muito variado. Traz de volta momentos aclamados pelos fãs, como os toques de "Smash", preserva toda a evolução adquirida pela banda em seus trabalhos anteriores e mostra um lado novo do Offspring. Esse lado novo é o que têm me causado receio. São evoluções extremamente boas na sonoridade, no arranjo, mas entre essas novidades, tem tambem assustadora necessidade de se enquadrar no mercado. Muitos fãs acharam essas baladas "lindas, divinas", mas eu vejo um lado negro. Espero que esse lado negro não ofusque o brilho da coroa do Offspring, espero que seja apenas uma estratégia. Mas no todo, não me assusta tanto quanto poderia assustar, já que as letras continuam impactantes, protestantes e tudo mais que faz o Offspring ser respeitado por muitos "conservadores", mesmo alcançando o sucesso que alcançou como no Americana.


Deixo claro aqui que não tenho nenhuma base musical pra constatar o trabalho ou a opinião de ninguém. Esse texto, apenas expressa a minha idéia, como fã, do novo álbum do The Offspring, com base nos elementos que me fizeram admirar e me prender tanto a essa banda, que foram esquecidos ou resgatados nesse CD. (mas eu prefiro o Splinter selecionaaquirere!)






Ah, ninguém vai entrar aqui pra ler mesmo!
bgosmeligaokzz

terça-feira, 13 de maio de 2008

Todos somos representações.

Algumas são mais simples, outras não.
Eu olho para as pessoas e sei que o que elas materializam, não é o que elas são. Que as coisas que elas dizem não são as coisas que elas realmente pensam (ou não todas). Eu penso tudo que penso, e quando vou transformar isso em palavras ditas, já não é mais aquilo que se está dizendo.
É tosco, não é?
É complicado pensar demais, não controlar os pensamentos. Saber que as coisas são momentâneas e...
Sei lá...
Mais uma vez eu tinha muita coisa pra escrever sobre esse assunto, mas na hora, tudo voa. Voa pra longe.
Nossa, eu tenho tanto potencial e desperdiço tudo nessas depressões chatas e inúteis que me dominam!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Desculpas.

Ao meu ver, todos deveriam aceitar desculpas. Todos um dia vão errar e vão querer e precisar se desculpar, e vão gostar de ouvir um "não foi nada". Praquê levantar a cabeça pra tudo? Por quê perder a humildade? Custa compreender?

Nossa, eu programei escrever bem mais coisas, mas me fugiu da memória agora.
Tô ficando doida.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Esclarecendo o filho sobre a vida.

"Filho, na vida, as coisas existem de duas formas: umas, existem de verdade, podemos tocar e ser tocados por elas e deve se preocupar com o fato que elas podem ser coisas e pessoas boas ou ruins. Outras existem apenas porque acreditamos nelas, existem nos nossos pensamentos. Mas essas não se podem ser tocadas, simplesmente porque elas não existem materialmente. São coisas que você pode escolher se existem ou não.
As coisas que podem ser tocadas, não têm como fugir delas, só se pode lidar com elas, não tem o que se discutir, apenas saber que existem e como conviver com elas.
Sobre as coisas que podemos escolher se existem ou não, as coisas que apenas imaginamos, elas, apriori, não vão existir materialmente, a não ser que você ou alguém ache um jeito de transformá-las em matéria, tocável. Elas podem um dia existir, mas não existem. O problema, é que existem algumas coisas que não são saudáveis de se acreditar, porque elas acabam manipulando nossas vidas e decisões. Você precisa aprender a se comandar e não deixar ser mandado pela sua imaginação.
Você pode acreditar numa historinha, imaginar as situações e cenas de um determinado livro, você pode viajar saudavelmente na sua imaginação, mas precisa aprender a se desligar delas quando for tratar das coisas que existem materialmente, porque estas, as materiais, elas sim, podem fazer coisas ruins e boas para sua vida.
Tento te explicar isso, filho, porque no mundo em que vivemos, existem coisas que são apenas imaginação, e são, de certa forma, saudável te-las. O problema é que as pessoas acabam sendo convencidas de que essas coisas existem a ponto de serem capazes de influenciar nossas vidas materialmente. Por exemplo, a religião. A crença em um Deus é saudável de se ter até certo ponto, acreditar que pode ser protegido por algum ser superior, mas a partir do momento que você passa a identificar que as coisas que acontecem ou deixam de acontecer na sua vida e no mundo, são causas de coisas materiais, que chove porque existe um chamado “ciclo da água”, real, e não porque um Deus está de mau humor, que aconteceu alguma coisa boa na sua vida porque você lutou para que ela acontecesse, e não porque um Deus te julgou digno de ter essa coisa boa. Então, a partir do momento em que você consegue materializar essas coisas, tem de perceber que essas coisas são da sua imaginação, e deve guardá-las lá, e de modo algum transporta-las para a vida material, porque não são reais, existem na sua idéia.
Filho, você precisa, mais do que tudo, aprender a separar esses dois tipos de existência. Com isso, você vai ser uma pessoa consciente e não vai ser levada pelas idéias dos outros, mas pelo que você acredita ou deixa de acreditar.
Veja bem, a mamãe cresceu com medo de coisas que não existiam, porque as pessoas diziam a ela que eram coisas que podiam fazer mal a ela. Outras coisas diziam que era o certo a se acreditar, mas também me amedrontavam com a ameaça de que se eu não acreditasse nessas coisas, coisas ruins me aconteceriam. Isso não é bom. Nada que pode te fazer mal, essas coisas que só existem na nossa imaginação, não são saudáveis de você acreditar. Hoje, a mamãe não acredita mais nessas coisas que diziam que regiam nossas vidas, mas ainda assim ela sente receio, medo de ser vingada. Então, é bom você nunca se deixar levar por essas coisas, nunca misturar esses dois mundos, material e imaginário, porque eles nunca se misturam na verdade, e se você se deixa levar por essas pessoas que misturam esses mundos, você vai acabar com medo de fazer coisas saudáveis, e também, vai subestimar suas conquistas, e vai, no fundo, se sentir incapaz, porque você dá os méritos das coisas que você faz para um produto da sua imaginação que não, NÃO influencia sua vida material.
Com o tempo, você vai perceber e entender melhor o que estou te explicando. Qualquer dúvida que surgir ao longo da sua vida sobre esse e outros assuntos relacionados a acreditar ou não nas coisas, traga para sua mãe, que eu sempre tentarei te esclarecer e fazer você ser uma pessoa feliz e desprendida desses dois mundos diferentes."

sábado, 8 de março de 2008

Nádegas a declarar.

Nossa, faz tempo que eu não escrevo nada pro blog. Também... agora voltou as aulas e preciso me empenhar mais pra ser alguém útil no futuro (apesar de não estudar muito, e não conseguir adquirir força de vontade).
Bom... como estou? Nesse exato momento, estou bem. No geral, estou na média. Continuo com alguns problemas irritantes, continuo apaixonada, cada dia uma sensação diferente, mas olhar pra ele é o que me faz passar por esses dias.
Continuo vivendo a minha vidinha, por vezes medíocre, por vezes encantadora. O vizinho continua, infelizmente, trabalhando, com aquela maldita serra elétrica, que me faz acordar as 9h da manhã. ¬¬
Fiz aniversário esses dias, e o Buh faz depois de amanhã. Legal... somos pscianos, chatos, dramáticos... a gente adora um ao outro, mas odiamos a nós mesmos. Incrível. O meu aniversário foi morno, só pra ganhar presente: sorvete, calça, óculos, Trakinas, Smirnoff, chocolate e um coração que me diz tudo o que quero ter =)
Não tenho coisas construtivas a dizer. Talvez agora com a voplta às aulas, me obrigue a escrever alguma coisa interessante pras aulas e posto-as aqui. Mas nem sei...

Tchau o/

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Postagem rápida.

É, pensei que ia ser mais fácil, mas tô percebendo que não.
Pensei que eu tinha aprendido a chamar todos de "amiguinho" e praticar outros sintomas que determinam se a pessoa adquiriu ou não a técnica de hipocrisia, mas começo a perceber que meu pavio curto não me deixa ser "neutra".
Se eu calo a minha boca "a Débora é quietinha, tímida e blá blá blá"; se eu abro a boca, tem que ser pra falar coisas que agradem aos outros, e isso é algo que eu não sei fazer se eles não se agradam com as mesmas coisas que eu, o que é a maioria dos casos; se eu tento ser "simpática", fica óbvio e claro na minha testa a frase "estou sendo falsa, não percebeu? Ah, percebeu sim."; se eu falo o que eu penso, "te ferra, otária, blá blá blá".
Alguém me dá uma sugestão de qual exemplo destes seguir?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Sem saco pra escrever e sem nada pra fazer.

Ele não sabe o quanto eu gosto dele e ele nem pode mais visitar meu blog. Mas eu gosto, demais. (tá?!)



Ah ha, vou pintar o cabelo de vermelho hoje! =P

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Mesmo assuntozinho do momento.

Depois de um dia de desligamento com a vida real, o feriado do dia 1º, volta tudo ao "normal". Os mesmos problemas, as mesmas discussões, o mesmo tédio e a mesma dor nas costas.

O "ano novo" não é lá essas coisas. Nada a ver com esse slogan de "ano novo, vida nova". A vida se renova só com muito tempo, e eu não sei se vou ter saco suficiente pra vê-la se renovar. Apenas um feriado onde se bebe champagne, cerveja, vinho, espumante, smirnoff, essas coisas. E se come. Come muito. Alguns se divertem muito, outros por breves momentos e outros continuam na miserabilidade, sofrendo calados.

Eu, por exemplo, passei o dia na praia gargalhando e falando merda com o namorado, isso porque eu tenho um, a única coisa produtiva que me veio em 2007. Depois, volto pra casa, casa que fica nesse lugarzinho de merda que é o meu bairro, e junto volto pra rotina de críticas, de desconsiderações e de briguinhas chatas pelos mesmos motivos, caras emburradas de quem diz querer me ver feliz, mas não parecem nem um pouco satisfeitas quando saio pra me divertir.

O que esperar do ano novo? O que a gente pode esperar de uma troca de folhinha? Ah, a decoração da cozinha vai mudar, provalvelmente uma "pomba da paz" substituindo a biblia de 2007.

A paz, a paz que ninguém quer. Paz é utopia, a vida é uma utopia, mas estamos aqui, tentando e fingindo crer que as coisas existem e que somos pessoas de verdade.

Não temos mais um ano pela frente. Temos uma vida inteira pela frente e é nisso que devemos pensar, isso que queremos mudar: nossa vida, e não só 365 dias dela.

Mas mesmo assim, desejo 365 dias felizes pra vocês. Desejo uma boa vida a todos, mas como isso faz parte da cultura impositora chata em que vivemos, daqui a 364 dias, terei de renovar meus votos a vocês.