quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quando eu subo no ônibus...

Você já parou um dia para pensar que nós sempre temos uma crítica a fazer a grupos religiosos, aos militares e afins, aos roqueiros alienados, aos pagodeiros sem intelectualidade, aos que veneram hinos, bandeiras, deuses e a todo o tipo de pessoa que de alguma forma segue alguma "doutrina" alheia à nossa? E achamos que somos mais que eles. Mais originais, mais decididos e menos comuns.
Mas você já percebeu que a maioria das pessoas que estão no mesmo ônibus que você, todo o dia no mesmo horário, seguem regras, inclusive você, a todo o instante? São o mesmo grupo de pessoas, mesmo que seus destnos sejam diferentes. Todos lêem um conjunto de códigos pré-estabelecidos na parte superior do veículo coletivo, identificam o seu caminha, pré-estabelecido, sobem no ônibus, pagam a passagem, passam pela roleta e se sentam (ou ficam em pé, como quem sobe na FURG no ônibus do Quinta das 22h). Na hora de descer, levantam, puxam uma cordinha, se direcionam para a porta e descem. A partir daí, partimos para fazer parte de outro grupo: aqueles que caminham pela rua.
Nós podemos não fazer parte do grupo dos religiosos, do exército militar, dos roqueiros ou pagodeiros que se reúnem propositalmente em algum momento para exercer atividades baseadas em regras inconscientes, mas fazemos parte do grupo da sociedade, do grupo dos mais completos alienados, repolhos (como diria um saudoso professor), que seguem rotinas que não escolheu seguir, regras que não criou, segue por caminhos que não traçou. Meros animais humanos tentando se organizar no mundo, achando que são mais que outros meros animais porque têm consciência, porque "pensam".
Consciência? Vivemos na automaticidade completa e ainda nos sentimos no direito e capacidade de julgar tribos porque vivem de acordo com suas regras "alternativas" em comum, e subjulgamos animais porque eles não são capazes de projetar uma bomba atômica, sem perceber que vivemos exatamente como eles: apenas nos organizando para viver e, no caso das tribos, nos unindo através de semelhanças.
Quando estamos no ônibus, temos algo em comum com a pessoa ao lado: queremos chegar a algum lugar.
Quando estamos num centro religioso, temos algo em comum com a pessoa ao lado: queremos venerar e agregar nossos desesperos e desejos a um ou mais deuses.
Todos nós fazemos parte de grupos, inúmeros grupos, e não cabe a você julgar as pessoas por isso.
Mas, se levarmos em conta a consequência de certos grupos, certas organizações, a discussão iria para um outro ponto, muito interessante e discutível, mas no momento não é meu objetivo aqui.
Este seria um texto reflexivo, se para mim isso não tivesse se tornado uma espécie de obcessão, ond não se consegue fazer mais nada na vida além de refletir sobre a ignorância do ser humano e na farsa onde vivemos. Onde eu vivo.

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