terça-feira, 28 de outubro de 2008

Fruto de mais uma piada.

Eu já estive muito tempo mal, e ainda estou, mas antes, eu não queria ficar bem. Sabe esse papo de revoltadinho, de querer ser diferente, "chocante" e crítico? Esse papinho me deixava anti-social, infeliz e sem a mínima vontade de me relacionar com pessoas, com sistemas e de me integrar a esse ninho de cobras que são as sociedades.
Mas e agora? Agora, eu estou tomando (acho que faz uns dois anos que "estou tomando") consciência de que é inevitável (sim, é inevitável) fazer parte da sociedade. Fomos paridos nesse mundo, e temos de viver (ou se matar, mas aí é outra discussão). A "evolução" humana e a "evolução" das sociedades, nos inseriu necessidades que biologicamente não temos. Eu evitei sentir tais necessidades, evitei me sentir humana, podre, ignorante e egocêntrica, mas não é possível viver sem gostar das pessoas, dessas pessoas podres ignorantes e egocêntricas, como todos somos, não é possível viver sem uma diversãozinha despreocupada, sem uma sacanagenzinha sem moralismos. Mas isso tudo vai contra meu pensamento humanista, contra minhas idéias de bem-estar social, já que, enquanto estou me divertindo com os amigos, diversas pessoas estão chorando a noite toda por estar a semanas sem comer.
Mas, sacrificar a minha vida por essa idéia (nem é um ideal), vale á pena? Vale à pena deixar de se sentir bem, de se sentir bonita, realizada individualmente só pelo remorso de saber que muitas pessoas sofrem, sofrem todos os dias?
Vale á pena lutar por isso, mas não vale à pena se martirizar, todos os segundos, por isso. Vale à pena ter atitudes que possa nos dar consequências mais justas para as sociedades, mas não vale à pena abrir mão das necessidades, fúteis, algumas vezes, que a sociedade vigente nos clama.
Não há problema em sair bem vestida, porque o africano desnutrido que está em 90% dos albuns de orkut está usando míseros trapos. Não é deixando de usar suas roupas que aquele desnutrido vai conseguir comida.
Vem um radical (sem pre vem um radical) falar que é um sistema complexo que blábláblá... não posso dizer "todos", mas EU sei de tudo isso, eu sei que cada passo que damos, cada molécula de energia (putz, nem sei química) que gastamos tem uma influência grande no sistema das sociedades, mas meu pai, precisamos ser felizes! Nós estamos aqui, a vida pode acabar no próximo segundo! Nós podemos fazer planos, construir ideais, sonhos a longo prazo, mas precisamos viver o agora. Não sei se vale à pena morrer pela causa. Podemos estar fazendo uma revolução na sociedade, mas não vamos morrer e ressucitar pra ver nossos resultados e aí sim ficarmos felizes. Podemos fazer nossa revolução, mas precisamos fazer a nossa vida.

Por mais que o meu discurso transpareça esta sendo fácil, não está, não. E quanto mais obstáculos surgem, ou eu mesma crio, para que eu não consiga me sentir bem, e em paz a cada dia que passa e que EU VIVO, em que EU ESTOU PRESENTE, mais me indigno com esses panacas que vêm com discrusos prontos, utópicos, dizendo que todos somos alienados e que eles são os fodões. Ah, abram os olhos! Todos somos alienados, mas todos (ou a porcentagem com escolaridade) temos chances de transformar as sociedades, mas temos uma única chance, e uma única vida para viver.













É fútil, é? Mas EU GOSTO, eu AMO, os dois (SCI e Bruno).

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Flashes

"As pessoas não tem moral nenhuma, e moral não apenas no sentido humano da palavra, para falar umas das outras ou de qualquer outra coisa, e olha o que nos distingue dos outros animais? A FALA!"
"'Gente' é nojento. Usam de tudo para conseguirem a razão. Atacam nas mais profundas feridas, só para se sentirem com razão."
"Talvez as crianças tenham a mente mais aberta do que um adulto cheio de 'ideologias' empregadas a eles. Seja de forma direta, ou indireta."
"Você compra uma moto que faz barulho pra ela fazer o que você não consegue? Chamar a atenção."
"Enquanto eu tive um cachorro, eu fui feliz."
Mas bah, quando eu estou conseguindo me despir de preconceitos contra os seres humanos, me surge um debate onde as pessoas inclusas possuem exatamente os mesmos aspectos que me deixam completamente desiludida de conviver nessa corja, nesse ninho de cobras que é a sociedade.
Arrogância, superficialidade, o próprio PRECONCEITO, e, o pior de tudo, se sentirem com capacidade e direito de julgar os outros.
Eu lamento muito que a minha indignaão chegue a um ponto em que eu não consiga expressar minhas idéias e minhas concepções. Lamento muito perder a paciência e a esperança de conseguir fazer esses cérebros miúdos e egocêntricos compreenderem o quão superficiais, ignorantes e todos outros inúmeros defeitos, eles, nós somos e temos. Preferem se manter na "superioridade de papel". Até aí, tudo bem. Cuidar da sua vida, considerar seus problemas os maiores (sim, eu acho uma besteira esse papo de "olhe para a pessoa ao lado e perceba o quão pequeno é o seu problema". Os problemas são grandes ou pequenos, em proporção à vida de cada um), etc., mas quando esse cuidado egoísta passa para o ponto de as pessoas acharem que são mais, o suficiente, para falar do outro, para julgar o outro sem "olhar pro próprio rabo", aí se torna aquela coisa nojetinha que é denominada de "gente".
Todos nós somos contraditórios, ignorantes. Mas temos a capacidade de viver bem com esses lastimáveis defeitos, até aparecer um egocêntrico cego que quer porque quer provar a razão, e não se coloca no mundo, não dá a cara a bater, só se limita ao seu pensamento e a sua "superioridade".

Tá, posso vomitar?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quando eu subo no ônibus...

Você já parou um dia para pensar que nós sempre temos uma crítica a fazer a grupos religiosos, aos militares e afins, aos roqueiros alienados, aos pagodeiros sem intelectualidade, aos que veneram hinos, bandeiras, deuses e a todo o tipo de pessoa que de alguma forma segue alguma "doutrina" alheia à nossa? E achamos que somos mais que eles. Mais originais, mais decididos e menos comuns.
Mas você já percebeu que a maioria das pessoas que estão no mesmo ônibus que você, todo o dia no mesmo horário, seguem regras, inclusive você, a todo o instante? São o mesmo grupo de pessoas, mesmo que seus destnos sejam diferentes. Todos lêem um conjunto de códigos pré-estabelecidos na parte superior do veículo coletivo, identificam o seu caminha, pré-estabelecido, sobem no ônibus, pagam a passagem, passam pela roleta e se sentam (ou ficam em pé, como quem sobe na FURG no ônibus do Quinta das 22h). Na hora de descer, levantam, puxam uma cordinha, se direcionam para a porta e descem. A partir daí, partimos para fazer parte de outro grupo: aqueles que caminham pela rua.
Nós podemos não fazer parte do grupo dos religiosos, do exército militar, dos roqueiros ou pagodeiros que se reúnem propositalmente em algum momento para exercer atividades baseadas em regras inconscientes, mas fazemos parte do grupo da sociedade, do grupo dos mais completos alienados, repolhos (como diria um saudoso professor), que seguem rotinas que não escolheu seguir, regras que não criou, segue por caminhos que não traçou. Meros animais humanos tentando se organizar no mundo, achando que são mais que outros meros animais porque têm consciência, porque "pensam".
Consciência? Vivemos na automaticidade completa e ainda nos sentimos no direito e capacidade de julgar tribos porque vivem de acordo com suas regras "alternativas" em comum, e subjulgamos animais porque eles não são capazes de projetar uma bomba atômica, sem perceber que vivemos exatamente como eles: apenas nos organizando para viver e, no caso das tribos, nos unindo através de semelhanças.
Quando estamos no ônibus, temos algo em comum com a pessoa ao lado: queremos chegar a algum lugar.
Quando estamos num centro religioso, temos algo em comum com a pessoa ao lado: queremos venerar e agregar nossos desesperos e desejos a um ou mais deuses.
Todos nós fazemos parte de grupos, inúmeros grupos, e não cabe a você julgar as pessoas por isso.
Mas, se levarmos em conta a consequência de certos grupos, certas organizações, a discussão iria para um outro ponto, muito interessante e discutível, mas no momento não é meu objetivo aqui.
Este seria um texto reflexivo, se para mim isso não tivesse se tornado uma espécie de obcessão, ond não se consegue fazer mais nada na vida além de refletir sobre a ignorância do ser humano e na farsa onde vivemos. Onde eu vivo.