quarta-feira, 25 de março de 2009

Utilidade Pública - 1

Graças ao blogueiro Leonardo, conheci uma ferramenta que eu pretendia que aumentasse meu ego, que consistia em um relatório sobre as visitas do blog, o Google Analytics. O fato é que essa ferramenta não inflou meu ego como eu gostaria, mas descobri que meu blog era indicado em pesquisas do Google sobre alguns assuntos, como por exemplo relacionados à Geografia (uma prova minha que publiquei aqui ano retrasado).
Sendo assim, alio ao fato de eu não andar com muito tempo de dedicar momentos exclusivos a escrever para o blog, e vou postar aqui, de vez enquando, algumas resenhas, resumos, fichamentos, trabalhos, e sei lá o quê mais, que possam interessar alguns desesperados por pesquisas na internet, e pra encher linguiça no blog, mesmo!
Ah, e aviso aos poucos que visitam o blog com alguma assiduidade, que achei esse texto péssimo, e concluo que dediquei mais tempo a ele do que ele merecia.




Resumo do texto de Pura Lúcia Martins, “O campo da Didática: expressão das contradições da prática” - Disciplina de Didática - Geografia - FURG/2009

"Primeiro, a autora deixa bem estabelecido que o ponto de vista que ela segue é de que a teoria vem da pesquisa e observação da prática. Sendo assim, o estudo da Didática deve se ater a discussões que tragam as “justificativas” da situação escolar, mas propõe discussões ativistas, que tenham o intuito de transformar através da prática, não tratando o estudo da Didática como um “guia”, mas como um retrato literário da realidade.
Argumenta que o alicerce para uma boa educação são os aspectos das relações sociais, oriundas do modo de produção vigente e das situações que este impõe. Didática é “expressão de uma prática determinada num momento histórico determinado”.
Ela discorre sobre a história da Didática no Brasil, os marcos políticos que influenciaram na compreensão da Didática pelos professores, explicitando a influência social na educação.
Destaca o período pós 1964, de ditadura, onde a educação era vista de forma sistemática a propiciar o investimento social e individual, uma escola centrada e voltada no momento político-econômico, ou seja, a serviço do Estado. “A racionalização do processo aparece como necessidade básica para o alcance dos objetivos do ensino”.
Cita também o fim do período de ditadura, a iniciativa popular, as lutas entre classes, onde o objetivo maior passa a ser evitar que o aluno mais pobre abandone a escola. E aqui, novamente o contexto político-social interfere no papel da Didática. O sentimento de mudança, a vontade de agir e transformar das classes oprimidas e assalariadas dá um papel mais crítico à educação; A avaliação da prática e metodologias na escola.
A partir desse momento, a autora especifica o pensamento de alguns autores, que admitiam a prática baseada na teoria, com o princípio de que a educação se dá num processo de transmissão/assimilação ativa de conhecimentos, e aqui se exemplifica bem essa ideia no parágrafo quatro da página 591:
“As propostas de uma pedagogia crítica desses grupos acentuam a importância de estimular uma consciência crítica e uma ação transformadora pela transmissão-assimilação ativa de conteúdos críticos, articulados aos interesses da maioria da população. Entendem que uma formação teórico-crítica sólida garantirá uma prática conseqüente”.
Também apresenta a linha de pensamento de grupos mais radicais, que priorizam a ação nos processos de produção do conhecimento, ou seja, na prática. Uma mudança nos paradigmas dentro da escola, nas relações sociais que englobam a prática do ensino. Inutilizam o “eixo” da transmissão/assimilação e tratam de uma “sistematização coletiva do conhecimento”, considerando os diversos saberes empíricos dos alunos e contexto e relações sociais.
A autora compacta esses momentos sociais que refletem na Didática em três aspectos distintos: 1984/88, traduzido como “dimensão política do ato pedagógico”; 1989/93 com discussões centradas na “organização do trabalho na escola”; e no período de 1997/2000 como “produção e sistematização coletivas do conhecimento”. Percebe-se uma evolução no pensamento sobre a Didática e na influência da educação na sociedade.
Na penúltima parte de seu texto, Pura Lucia apresenta suas conclusões baseadas na concepção da “teoria como expressão de uma ação sobre a realidade”, em alguns princípios:
“Da vocação prescritiva da Didática a um modelo aberto de construção de novas práticas”, um incentivo ao professor criar e produzir novos conhecimentos para transformar a pratica, na prática;
“Da transmissão à produção do conhecimento: pesquisa-ensino, uma unidade”, onde se substancia o ato de produzir novos conhecimentos e crescer junto com o aluno;
“Das relações hierárquico-individuailtas para relações sociais coletivas e solidárias”, aqui propondo uma quebra de padrões hierárquicos e argumentando que com relações sociais saudáveis, amplia-se o campo da educação;
“Da relação conteúdo-forma numa perspectiva linear de causa-efeito, para uma perspectiva de causalidade complexa”, que é resultante da concepção anterior, que rompe com o constrangimento hierárquico, vertical, e adota um resultado mais amplo e diversificado;
“Do aluno sujeito individual, para o sistema ideológico individual do aluno”, que acentua a individualidade em prol do coletivo.
Em sua conclusão, a autora traz a expressão “aprender a aprender” como sendo o novo objetivo da Didática. Transformar o aluno num sujeito intelectual, capaz de absorver as idéias existentes, as ferramentas e competências, e criativo, produzindo novas idéias. O incentivo ao aprendizado de forma com que o aluno expresse suas questões e cresça intelectualmente. Sucinta isso como a prática social historicamente vigente.Ainda completa afirmando que o novo desafio da Didática é conectar-se com outras práticas sociais, para estabelecer o ensino como um caminho social saudável."

terça-feira, 24 de março de 2009

Justificativa [inútil]

Por mais incrível que pareça, ando com MUITAS idéias e com pouco tempo para discorrê-las.
Enchi o saco de escrever no celular, e depois complementar aqui, dá muito trabalho escrever no celular, mesmo com a previsão de texto.
Esses dias no ônibus, eu estava extremamente chateada com problemas pessoais, o corno do motorista só parou quando eu quase me atirei na frente do ônibus, e aí, pra complementar, tinha uma praga de uma criança que soltava gritinhos estridentes de 2 em 2 minutos. Coloquei meu mp3 no ouvido, no máximo que ele alcança (que não é muito), um punk rock nervoso e grudante, e ainda assim, se ouvia os berros. A cada grito, eu fechava os olhos, suspirava, suspirava de novo, me controlando pra não levantar do meu banco, ir até a criança, pega-la dos ombros, sacudir, e gritar na cara dela "CALA ESSA BOCA, SEU DEMÔNIO MALDITO".
Essa situação me fez refletir, ainda no ônibus, o quanto guardamos nossas sensações pra nos mantermos "sociáveis", e isso afeta unica e exclusivamente a nós, que vamos guardando todos os sentimentos [os de euforia, por não sair pulando de felicidade pela rua, os de fúria, por não gritar e chacoalhar alguém que te perturbe], tudo se transforma em estresse, em ansiedade, até em depressão, enquanto aqueles que iam te condenar se pulasses pela rua a cada alegria, ou gritasse com alguém a cada nervo estourado, estão lá, vivendo suas vidas e rindo da cara dos outros.
Mas eu ainda tenho esperança de que lá no fundinho, esses pessoas sintam o mesmo vazio de não expressar suas emoções.
Então, também pensei em escrever sobre mentiras e verdades, sobre esquis(z)ofrênicos da sociedade, sobre pessoas escrotas, sobre elos de amizade perdidos, e ainda achei no meu celular, um esquema de um texto sobre esses radinhos que rolam por aí, sendo que já foi inventado os fones de ouvido, esse esquema guardado a meses no celular.
Mas não ando com tempo pra escrever "legal" sobre essas coisas. E também me desestimula quando leio meus textos e sinto meio repetitivos. Mas mais é o tempo mesmo. Esse ano, os professores acham que só temos a disciplina deles, e cada um passa zilhões de textos pra ler, resumir, fichar. E o pior, esse ano, não estou me adaptando ao curso =S
Buenas, uma hora vai.

quinta-feira, 12 de março de 2009

¿Quién educó, su mente enajenada?

É tão profundamente irônico, me remete uma mistura tão estranha de comédia e tragédia quando vejo "punks" condenado estética, criticando pessoas que andam "na moda" (lê-se simplesmente ter a opção de usar uma roupa inteira, uma calça jeans, uma camisa e um tênis, minimamente limpos e inteiros), basicamente condenando quem se arruma, digamos, "de propósito", e aí, tu sai na rua e vê esses mesmos tão profundamente entendedores e críticos sociais absolutamente vestidos como o "padrão" desejado do punk, passam horas preparando a meleca que resolvem colocar no cabelo, e mais algumas horas "esculturando" seu moicano "crítico", "chocante". E ainda têm exatamente o mesmo tipo de diálogo que as pessoas "normais", "domesticadas", mas com termos específicos, tipo "cara, meu moicano é feio de clara de ovo, tu coloca assim e assado, e aí deixa brotar uma flor, e depois cria uma lagarta pra comer a flor e ficar assim".
E eu ainda tenho que aguentar fingir liçõezinhas de moral, papinhos DOMESTICADOS (que é a mais jovem palavra que ouvi para definir um "não-punk") sobre atitude, sobre pensamento crítico e blá blá blá. Acho até curioso ouvir o que eles têm a dizer. Me impressiona a cara-de-pau, de julgarem que os "normais" não criticam nada, aceitam tudo, e não param para avaliar suas próprias atitudes. Sempre prontos pra dar uma definição chula, ofensiva para a vida do outro, e não olham pras suas próprias vidas. Sempre dispostos a "criticar" ignorantemente a vida, as atitudes e pensamentos dos outros, mas sem ter capacidade de receber uma crítica e PENSAR a respeito.
Eu já cansei tantas vezes de falar sobre isso. Já cansei tantas vezes de discutir, me estressar sobre isso, mas vira-e-mexe, estou aqui, precisando explicitar meus sentimentos, que não sei definir como desprezo ou desespero, diante de declarações "perfeitas", de verdades "absolutas", contaminadas de pura hipocrisia, aquele discurso de "não tenho a verdade absoluta, mas se não concardas, és um bosta, um 'domesticado".
Me dá graça de ver a ignorância desses "senhores" da lógica, da teoria, da crítica, da vida.
Depois, me dá raiva de ver que ainda (e creio que sempre) existem pessoas com a mentalidade tão tacanha, mas o que é pior, se ACHANDO diferentes, e até melhores.
E por fim, eu sinto desesperança. Sinto desesperança de ver que as pessoas estão cada vez mais alienadas, quando mais fica evidente que elas estão aliendas, mais elas procuram uma justivicativa, uma maneira de se sentirem fora dessa massa de manobra, e acabam se alienando para não se alienar. Uma fuga alienada.
Mas no fundo, o mundo ainda têm pessoas, que não precisam dizer, mostrar que são e pensam diferente. Elas simplesmente são e fazem. E nem precisam ouvir punk rock.
Digo, tenho consciência que esse texto é repetitivo, até me sinto incapaz de tão repetitivo que alguns textos são aqui. Mas este é um blog pessoal, então, o que surge aqui são assunto que estão mais pertinentes em meus momentos. Muitas vezes são baseados em discussões em aula, em debates no orkut, ou com amigos. "I’m a product of my environment. So don’t blame me, I just work here."
[Nossa, até vou colocar esse parágrafo na descrição do blog!]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Desordem organizada?

Não sei, eu acho que até tenho tempo de ficar mais na internet, mas nos últimos dias eu fiquei um tanto quanto alheia a navegadas.
Ontem, no ônibus, pensei em escrever alguma coisa, mas esqueci o que era. Acho que era algo referente a minha opinião sobre alguma coisa aparentemente inútil a olhos comuns, mas definitivamente esqueci o que era.
Ah, lembrei! Era algo referente à ordem social. Se não me engano, eu estava estruturando muito bem um texto para escrever aqui, mas algum inseto atraente deve ter feito eu perder a concentração. Mas me lembro da ideia.
Eu queria especificar como seria o balanço perfeito entre a ordem e a desordem. Porque eu fiquei pensando "uau, eu sou muito confusa mesmo. Sou toda revoltada com normas e regras injustas, com limitação de pensamento e compreensão, mas ao mesmo tempo sou tão radical com certas coisas quando estão 'fora do lugar". Acho o fim da picada te olharem atravessado por se vestir de forma diferente, ou de forma semelhante, tanto faz, e abomino atitudes vistas na sociedade como "revolucionárias", "livre expressão". É algo como "sou contra a opressão, mas condeno certas expressões de liberdade".
Então, eu achei necessário definir essas coisas todas, não que eu tenha a presunção de que isso interfira na vida de alguém, mas para minha própria consciência e para deixar minhas ideias e opiniões minimamente em ordem, e aproveitar pra atualizar o blog.
A questão, é que todo texto bem estruturado que vinha se formando, se perdeu em uma viagem de ônibus, então, apriori, só posso expressar aqui um esboço simples que faça sentido para justificar minha cabecinha no meio do caos, tentando ter lógica (uma lógica que, talvez, ninguém tenha, e eu ainda me mato tentando construir uma). Sendo assim, lá vai:
O fato é que, ao menos a organização social que temos hoje não é boa. Não sei se seria possível um sistema justo para todos, mas se não pensarmos nessas hipóteses, não haveria esperanças e mudanças.
Penso que a ordem social de hoje é absurdamente nociva e maligna, já que os padrões que estão aí, estão aí sem que muitos percebam que se tratam de padrões, e o pior de tudo, sem que muitos, ou a grande maioria, perceba que essas situações deturpam não só a nossa vida capitalista, se sermos fodidos em não poder ter um plano de saúde decente por ser pobre, de a grande maioria não ter uma alimentação decente, que fica de bônus pra quem tem mais poder capitalista.
Não, não é só nisso que interfere, e somente isso já é uma prova e um incentivo a necessidade de mudar as ordens. Interfere no nosso psicológico, de um modo que nós deixamos passar sem perceber. Nos tornamos automáticos, robotizados, absolutamente racionais (uma racionalidade em termos, porque a razão acaba por si só sendo moldada pela situação), nos tornamos nervosos, doentes, impacientes, e práticos. Esquecemos de pensar propriamente. A vida se torna cada dia ais incerta, mais imediatista, mais curta, que pensamos só em aproveitar do jeito que está, mas acabamos por aproveitar o que a ordem quer que nós aproveitemos. Deixamos de aproveitar uma paisagem, um sentimento, minutos de paz, porque já não já paz tanto fora, quanto no nosso interior.
Minha nossa! Eu ia só resumir em poucas palavras, e acabei desvirtuando toda a ideia. Mas não deixa de ter ligação, não não, só que pra retomar o "fio da meada" ficou complicado. Acho que deve ter sido isso que me fez tirar uma nota tão baixa na redação do vestibular!
Mas então, diante de toda essa interferência negativa subjetiva, invisível, e quase viciante, não se pode dizer que o que está aí está certo. Mas também não concordo que tudo seja desorganizado. Porque, quando se fala em "desordem", se pensa logo em um "pandemônio". Concordo com a ética, com o bom-senso, com o respeito, principalmente com esse, concordo com a paciência, com a compreensão, e com a justiça.
É um pensamento egoísta, às vezes, porque se penso que um muro fica mais bonito e confortável pintado de branco, eu já tacho de perturbador alguém que ache bonito o mesmo muro pintado com desenhos tortos e sem sentido (ou com sentido, varia de opinião), considere isso arte. Eu não devia pensar assim, e considero este meu pensamento uma ideia abominável, mas ninguém é perfeito, e tenho certeza que TODOS tem esse tipo de pensamento em alguma situação. Mas talvez a tolerância fosse a solução, os espaços para cada um, mas sem exclusão. Sei lá, não é só porque tu não curtes rock que tu vais deixar de ser uma pessoa legal, e que vá deixar de aprender algo com alguém que curte rock. Mas no momento em que tu quer curtir tua música, e o outro quer curtir seu rock, cada um tenha o seu espaço, sem aquele olhar atravessado.
Então, a frase que me vaio à mente aquela hora no ônibus foi: "talvez nem ordem, nem desordem social, mas uma desordem ordenada [ tenho de admitir que fiquei alguns minutos escrevendo uma justificativa aqui, porque não lembrava do termo que tinha pensado no ônibus que explicitava perfeitamente minha ideia, mas acabei lembrando - mais um parênteses para justificar minha sinceridade].
Nisto caberiam as diferentes idéias, opções, preferências, com uma ordem baseada no respeito. Talvez a capacidade intelectual de grande parte dos humanos não permitissem esse avanço, mas tenho esperança de que somos capazes de evoluir a esse nível, e mesmo que isso jamais aconteça, ainda temos tal capacidade.
Onde não seríamos obrigados a ver um muro com desenhos que consideramos grotescos todos os dias, e não precisássemos nos matar por considerar algo grotesco. Penso que todos temos o direito de gostar ou não das coisas, e isto não implica em preconceito. No momento em que vivemos, isso pode implicar, quase sempre, em preconceito, porque as pessoas são intolerantes com os outros e consigo mesmas. Alguns acham que as coisas tem que estar em uma forma, se não estas coisas estão condenadas, e outros acham que porque o outro não aceita suas opções, o outro merece ser condenado.
Mais diretamente, pode se pensar assim: "tal homem considera subversivo o homossexualismo, e acha que o homossexual não tem nenhum tipo de moral etc. e não merecem respeito", mas o homossexual em questão, muitas vezes é tão intolerante quanto, "ele não concorda com a minha opção sexual, ele é um ignorante, de cabeça fechada, homofóbico etc. e não merece meu respeito". Num caso de intolerância mútua, é compreensivel atitudes aversivas, mas pensando de forma tolerante e respeitando o espaço do outro, não há problema em um humano não compreender a opção sexual de outro, e definitivamente não querer ver certas situações que considere perturbadora, assim como um humano homossexual tem o seu direito de praticar sua opção, sem atropelar o espaço do outro. "Não compreendo, mas aceito e respeito".
Mais uma vez desvirtuei o assunto.
Então, a desordem ordenada seria a utopia do respeito e aquele papo de "cada um na sua".



Mas, como diz certa música célebre, que ninguém conhece:

"No fronteras, no banderas, no a la autoridad
no riqueza, no pobreza, no desigualdad
rompamos la utopía, dejemos de soñar
arriba el mestizaje, convivir en colectividad."