quinta-feira, 12 de março de 2009

¿Quién educó, su mente enajenada?

É tão profundamente irônico, me remete uma mistura tão estranha de comédia e tragédia quando vejo "punks" condenado estética, criticando pessoas que andam "na moda" (lê-se simplesmente ter a opção de usar uma roupa inteira, uma calça jeans, uma camisa e um tênis, minimamente limpos e inteiros), basicamente condenando quem se arruma, digamos, "de propósito", e aí, tu sai na rua e vê esses mesmos tão profundamente entendedores e críticos sociais absolutamente vestidos como o "padrão" desejado do punk, passam horas preparando a meleca que resolvem colocar no cabelo, e mais algumas horas "esculturando" seu moicano "crítico", "chocante". E ainda têm exatamente o mesmo tipo de diálogo que as pessoas "normais", "domesticadas", mas com termos específicos, tipo "cara, meu moicano é feio de clara de ovo, tu coloca assim e assado, e aí deixa brotar uma flor, e depois cria uma lagarta pra comer a flor e ficar assim".
E eu ainda tenho que aguentar fingir liçõezinhas de moral, papinhos DOMESTICADOS (que é a mais jovem palavra que ouvi para definir um "não-punk") sobre atitude, sobre pensamento crítico e blá blá blá. Acho até curioso ouvir o que eles têm a dizer. Me impressiona a cara-de-pau, de julgarem que os "normais" não criticam nada, aceitam tudo, e não param para avaliar suas próprias atitudes. Sempre prontos pra dar uma definição chula, ofensiva para a vida do outro, e não olham pras suas próprias vidas. Sempre dispostos a "criticar" ignorantemente a vida, as atitudes e pensamentos dos outros, mas sem ter capacidade de receber uma crítica e PENSAR a respeito.
Eu já cansei tantas vezes de falar sobre isso. Já cansei tantas vezes de discutir, me estressar sobre isso, mas vira-e-mexe, estou aqui, precisando explicitar meus sentimentos, que não sei definir como desprezo ou desespero, diante de declarações "perfeitas", de verdades "absolutas", contaminadas de pura hipocrisia, aquele discurso de "não tenho a verdade absoluta, mas se não concardas, és um bosta, um 'domesticado".
Me dá graça de ver a ignorância desses "senhores" da lógica, da teoria, da crítica, da vida.
Depois, me dá raiva de ver que ainda (e creio que sempre) existem pessoas com a mentalidade tão tacanha, mas o que é pior, se ACHANDO diferentes, e até melhores.
E por fim, eu sinto desesperança. Sinto desesperança de ver que as pessoas estão cada vez mais alienadas, quando mais fica evidente que elas estão aliendas, mais elas procuram uma justivicativa, uma maneira de se sentirem fora dessa massa de manobra, e acabam se alienando para não se alienar. Uma fuga alienada.
Mas no fundo, o mundo ainda têm pessoas, que não precisam dizer, mostrar que são e pensam diferente. Elas simplesmente são e fazem. E nem precisam ouvir punk rock.
Digo, tenho consciência que esse texto é repetitivo, até me sinto incapaz de tão repetitivo que alguns textos são aqui. Mas este é um blog pessoal, então, o que surge aqui são assunto que estão mais pertinentes em meus momentos. Muitas vezes são baseados em discussões em aula, em debates no orkut, ou com amigos. "I’m a product of my environment. So don’t blame me, I just work here."
[Nossa, até vou colocar esse parágrafo na descrição do blog!]

Um comentário:

Kaio Cezar disse...

O pessoal parou de agir como alguém insatisfeito que age para mudar pra um tipo de gente que é do jeito que é só pra fazer moda, e consequentemente opinar sobre a moda alheia.