sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Seminário Integrado e Ensino Médio Politécnico

Quando iniciei neste ano a minha carreira docente, me foi designada, além de ministrar Geografia, a disciplina de Seminário Integrado em um primeiro ano do Ensino Médio noturno. Como estou no começo da caminhada como professora, é bastante difícil construir um texto crítico em relação ao sistema escolar o qual estou me adaptando. Entretanto, já no quase encerramento das atividades na "disciplina", acredito ter constituído algumas concepções, que nem sei se vão de acordo com a proposta do Ensino Médio Politécnico ou outras implicações que este possa oferecer.
Particularmente, minha experiência no Seminário Integrado foi assustadora. Assustadora porque entrei na escola, nunca havia lecionado a disciplina de Geografia (além dos estágios) e já me intimam mais um desafio novo e imprevisível. Sem saber muito bem qual o objetivo da proposta da "disciplina", fui tendo algumas ideias sobre como desenvolver o espírito crítico nos alunos, em relação ás questões levantadas em sala de aula - os problemas do bairro. Entretanto, em alguns momentos do ciclo, meu processo criativo era podado por exigências do currículo e do cronograma, e como sou uma pessoa que traumatiza fácil, essas limitações acabam incidindo além do momento da disciplina de SI.
Por outro lado, a pesar desses choques de ideias, fui constituindo uma caminhada diferente na minha turma: como eram poucos alunos, o projeto de pesquisa limitou-se a um só, tendo como problemática as inquietações sobre o bairro: serviços públicos, poluição, etc. Adotei ao longo do ano a metodologia de introduzir aos alunos as etapas do método de pesquisa através de textos, questionamentos, discussões e construção coletiva de cada item que tem por objetivo organizar e desenvolver uma pesquisa: tema, problema, objetivos, metodologia, aplicação e análise. As discussões produzidas em sala de aula foram mais interessantes e construtivas que os produtos escritos propriamente, mas a exigência de documentos avaliativos ainda tem um peso forte e quase que escuso, e a escrita acaba tendo de ser exigida.
Mesmo com os percalços, de falta de comprometimento, disponibilidade de tempo, a confusão de trabalhar com um número de alunos durante a semana e esse número ser reduzido nos sábados, em que muitos trabalham e justificam sua ausência (dificulta a continuidade do trabalho), as limitações impostas e minhas próprias limitações por nunca ter trabalhado com a apresentação do método de pesquisa, acredito que, mesmo que o produto final possa carecer de conteúdo, o objetivo de instigar a curiosidade e o diálogo foi cumprido.

Pensando não na proposta do Ensino Médio Politécnico propriamente, mas em proposições sobre como a inovação do Ensino Médio poderia se desenvolver, o sistema escolar carece de unidade. A proposta é de interdisciplinaridade, mas em absolutamente nenhum momento das atividades de SI na turma em que eu regia, tive a colaboração de outros professores de outras áreas do conhecimento. Independente se foi por falta de comunicação, falta de tempo ou falta de vontade, o fato é que FALTOU.
A integração e interdisciplinaridade resumidas em um disciplina já é conflituoso, ainda mais quando o trabalho desenvolvido nessa disciplina é suprido por apenas um professor, com suas limitações técnicas e conteudistas. 
Trabalhar com a pesquisa e a interdisciplinaridade deve abarcar todo o projeto escolar. Todos os professores e currículos devem estar comprometidos no auxílio e mediação do processo de busca de conhecimento dos alunos. A disciplina de SI não precisa necessariamente deixar de existir, mas deve ser encarada como um espaço de compilação dos conhecimentos, dividida e orientada por todos os professores que possam colaborar com o desenvolvimento da pesquisa.
Podemos usar o "tema gerador", as propostas dos alunos, dos professores, da comunidade... independente da fonte, temos que trabalhar para que todas as disciplinas forneçam suporte para o desenvolvimento criativo dos alunos. Várias pesquisas podem ser feitas, vários objetos podem ser apontados, vários momentos podem ser apresentados, desde que tenham o suporte e sejam abarcados por todo o corpo escolar. Usando um exemplo simplista, as disciplinas de Geografia, Sociologia, História,Biologia, Física, Português, etc. devem se estruturar de maneira que auxiliem em sua parte no projeto de pesquisa do Seminário Integrado, e o espaço da disciplina SI servindo como sintetizador desses conhecimentos no desenvolvimento de hipóteses e soluções para o problema instituido sob várias possibilidades.

Minha atividade no SI neste ano de 2013 foi enriquecedora, tanto para mim quanto, acredito, para meus alunos, mas certamente poderia ser desenvolvida por meios mais ricos e produzindo materiais mais completos. A atuação não foi decepcionante, o que frustrou a caminhada foi a falta de unidade escolar nos projetos. Sendo objetiva, sim, me senti prejudicada no sentido de encarar sozinha na minha turma (como outros professores encararam em suas regências) as dúvidas e muitos assuntos ("conteúdos") que poderiam ser muito mais produtivamente abordados e desenvolvidos se outros professores de áreas distintas tivessem espaço maior para colaborar com o desenvolvimento científico da turma.


sábado, 3 de agosto de 2013

Se reconhecer é maior que o reconhecimento.

Como o ser humano é bobo...
(Dessa vez, não é nenhum texto crítico)

A gente fica todo "se achando" quando o nosso nome, nosso trabalho é lembrado. O mais gostoso disso é quando você não procura por reconhecimento, só pura e simplesmente faz o seu trabalho da melhor maneira possível, sem auto-promoção, e a valorização para nós (pessoas simples) é uma mera menção, é um "não esquecemos de ti porque fostes importantes".
Eu sou do tipo que não valoriza o fato de ter passado no primeiro vestibular, de ser elogiada por um professor, de ter passado no primeiro concurso do magistério estadual que fiz em primeiro lugar na área pela CRE. Não mesmo. Quem me conhece, nem sabe direito que conquistei essas coisas, falo aqui, agora, pra evidenciar o que, de fato, me deixa feliz.
Eu sou do tipo que fica mais realizada quando os amigos se formam, quando os amigos são aprovados, quando ouço um simples "como a Débora é...", seguida de um adjetivo singelo. Fico mais boba ainda quando não dizem pra mim, quando descubro por acaso que meu trabalho, minha amizade, meu esforço são valorizados.
Isso aconteceu hoje quando li uma historinha do Album do PIBID FURG, que o autor nem deve ter pensado "uó, a Débora foi importantíssima", mas só de eu, uma "estrangeira" do PIBID, que estava lá porque a professora coordenadora me tinha como bolsista e necessitava de mim para auxiliar o desenvolvimento de seu trabalho, acabava sendo mais aprendente do que auxiliadora, ser citada no registro de um trabalho tão importante, me deixa contente.
No fim, eu deveria mais é ter reprovado e ficado mais um ano na FURG para continuar no projeto! Mas não, precisava me formar e trabalhar, tenho uma filha canina pra sustentar...

Mas então, essas coisas que me fazem feliz. Ganhei a semana quando li "uma aluna para ajudar na coordenação" e "Prestando atenção a que ninguém se perca de estação, nossa colega nos acompanha e ajuda na organização do trem da partida a chegada". 
Como ganhei a semana outro dia que uma aluna disse "Bah professora, não gosto das suas aulas porque elas fazem a gente pensar".
Ou quando minha cunhada e amiga disse "Só tu mesmo pra me fazer rir".
Ou quando minha mãe não entende o que é uma pós-graduação, que eu penso "ok, vamos em frente, nenhuma conquista é unânime".

Me deixa feliz saber que eu posso ir adiante, e descubro que posso ir adiante quando vejo que, sem esforço pessoal pelo retorno evidente, o que fiz naturalmente ao longo do trajeto teve significado para outras pessoas.

Nesse sentido, a carreira de professora é enriquecedora e frustrante, porque quando não sentimos retorno dos alunos, sentimo-nos fracassados. Mas aqueles pequenos momentos, pequenos reconhecimentos, em que vemos o entendimento nos olhos dos nossos alunos, uau, é o que me faz acreditar.

Quem me conhece intimamente, sabe que atualmente ando (e muitos andam) revoltada com a atitude de indivíduos na sociedade, e sabe dessa minha falta de auto-valorização, e vai entender que o que eu quero com esse texto é mostrar que: você não precisa de um holofote para ser alguém importante, você precisa do seu esforço e dos seus amigos.



sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Coxinha" não me representa!

Como quando aconteceram as primeiras aparições de fotos "mascaradas" com aquela imagem que, hoje sei, refere-se ao filme "V de Vingança", primeiramente ignorei, mas depois decidi descobrir a que diabos se referia a expressão "coxinha", que têm pululado nas redes sociais fazendo referência, pelo que percebo, à políticos de direita e conservadores.
Então, fui tentar entender o termo, numa rápida pesquisa na internet.

Depois de ler algumas postagens explicando a origem do termo (paulistano), tentei fazer acepções a respeito de seu uso atual e sua semântica, e não consegui encontrar sentido. Posso ser uma humana de capacidade inferior que não compreende expressões explicitamente marcantes? Posso, mas não me sinto à vontade em relacionar o termo "coxinha" em sua referência original com sua evolução para classificar "pessoas que querem ostentar um status superior, com códigos próprios" (e também não entendo a relação dessa justificativa com os políticos reacionários os quais tem sido referidos pelo termo).

Não vou dissertar sobre o tema, apenas digo que não me faz sentido, e nunca fará, a utilização da palavra "coxinha" pra referir-me a pessoas, independente da índole que o termo pretenda designar. Acho simplesmente deslocado.


A seguir, texto extraído de <http://leorossatto.wordpress.com>, que, me elucidou sobre o sentido do termo como tem sido empregado, mas não me convenceu sobre sua justificativa (não é crítica quanto ao artigo, é apenas uma barreira minha de não encontrar a lógica no uso do termo para o fim atualmente usado):



O Coxinha – uma análise sociológica

Um fenômeno se espalha com rapidez pela megalópole paulistana: os “coxinhas”. É um fenômeno grandioso, que proporciona uma infindável discussão. A relevância do mesmo já faz com que linguistas famosos se esforcem em entender a dinâmica do dialeto usado por esse grupo, inclusive.
Afinal, quem são os coxinhas, o que eles querem, como esse fenômeno se originou?
O que eles são?
“Coxinha”, sociologicamente falando, é um grupo social específico, que compartilha determinados valores. Dentre eles está o individualismo exacerbado, e dezenas de coisas que derivam disso: a necessidade de diferenciação em relação ao restante da sociedade, a forte priorização da segurança em sua vida cotidiana, como elemento de “não-mistura” com o restante da sociedade, aliadas com uma forte necessidade parecer engraçado ou bom moço.
Os coxinhas, basicamente, são pessoas que querem ostentar um status superior, com códigos próprios. Até algum tempo atrás, eles não tinham essa necessidade de diferenciação. A diferenciação se dava naturalmente, com a absurda desigualdade social das metrópoles brasileiras. Hoje, com cada vez mais gente ganhando melhor e consumindo, esse grupo social busca outras formas de afirmar sua diferenciação.
Para isso, muitas vezes andam engomados, se vestem de uma maneira específica, são “politicamente corretos”, dentro de sua noção deturpada de política, e nutrem uma arrogância quase intragável, com pouquíssima tolerância a qualquer crítica.
A Origem
Existem muita controvérsia a respeito do tema. Já foram feitas reportagens para elucidar o mistério, sem sucesso, mas é hora de finalmente  revelar a verdade a respeito do termo.
 A origem do termo “coxinha”, como referência a esse grupo diferenciado, não tem nada de nobre. O termo é utilizado, ao menos desde a década de 80, para se referir aos policiais civis ou militares que, mal remunerados, recebiam também vales-alimentação irrisórios, também conhecidos como “vales-coxinha” (os professores também recebem, mas não herdaram o apelido). Com o tempo, a própria classe policial passou a ser designada, de forma pejorativa, como “coxinhas”. Não apenas por causa do vale, mas por conta da frequência com que muitos policiais em ronda, especialmente nas periferias das grandes cidades, acabam se alimentando em lanchonetes, com salgados ou lanches rápidos, por conta do caráter de seu serviço.

Reação da coxinha, o salgado injustiçado, ao ver seu nome associado ao grupo social
Os policiais, apesar de mal remunerados, são historicamente associados à parcela mais conservadora da sociedade, por atuarem na repressão aos crimes, frequentemente com truculência. Com o a popularização de programas policialescos como Aqui Agora, Cidade Alerta e Brasil Urgente, o adjetivo coxinha passou a designar também toda a parcela de cidadãos que priorizam a segurança antes de qualquer outra coisa. Para designar essa parcela que necessita de “diferenciação” e é individualista ao extremo, foi um pulo.
Expoentes
Não cabe citar socialites ou coisa do tipo. São pessoas que vivem em um mundo paralelo essas daí. Mas vou citar três criadores de tendências no universo coxinha:
1) O “engraçado”: Tiago Leifert

Um exemplo do que o Tiago Leifert trouxe pro jornalístico Globo Esporte: apostas babacas envolvendo a seleção da Argentina
Uma característica importante do coxinha padrão é tentar ser descolado, descontraído e não levar as coisas a sério. E nisso o maior exemplo é esse figurão da foto acima. Filho de um diretor da Globo, cavou espaço na emissora para introduzir o jornalismo coxinha na grade de esportes da Globo. Jogos de futebol valem menos do que as piadas sem graça sobre os jogos, metade do Globo Esporte é sempre sobre vídeo-game ou sobre a dancinha nova do Neymar, e TUDO vira entretenimento, não esporte.
Prova disso são declarações do próprio, como a declaração em que ele diz que não leva o esporte a sério, ou quando fala que o Brasil não é o país do futebol, é o país da novela. Isso revela duas características do coxinha default: ele não aceita críticas (e isso fica claro pelo número imenso de usuários bloqueados no Twitter pelo Tiago Leifert – incluindo este que vos escreve) e ele não tem conteúdo, provocando polêmicas para aparecer. Tudo partindo, obviamente, da necessidade quase patológica de diferenciação.
2) O “bom moço”: Luciano Huck

A aparência de bom moço – só aparência
O apresentador, que revelou beldades como a Tiazinha e a Feiticeira na Band, na década de 1990, virou, na Globo, símbolo do bom-mocismo coxinha. Faz um programa repleto de “boas ações”, que, no fundo, são apenas uma afirmação de superioridade, da mesma forma que a filantropia dos Rockfellers no início do século XX. Puro marketing.
Quando você reforma um carro velho ou uma casa, além de fazer uma boa ação, você se autopromove. Capitaliza com o drama alheio mostra que, além de “bondoso”, você é diferente daquele que você está ajudando. Como preza a cartilha do bom coxinha.
Além disso, Luciano Huck é a representação da família bem sucedida e feliz. Casado com outra apresentadora da Globo, Angélica, forma um dos “casais felizes” da emissora. Praticamente uma cartilha de como montar uma família coxinha. “Case-se com alguém bem sucedido, tenha dois ou três filhos, e leve eles para festinhas infantis junto com outros filhos de famosos”.
Para se mostrar engajado e bom moço, Huck deu até palestra sobre sustentabilidade na Rio+20. Irônico, pra quem foi condenado por crime ambiental, em Angra dos Reis. Ele fez  uma praia particular sem autorização. Diferenciação, novamente. Isolamento. Características típicas do coxinha default. Assim como “ter twitter”. Mas o twitter dele é praticamente um bot, só serve pra afagar seus amigos famosos e mandar mensagens bonitinhas.
3) A “Coxinha Política”: Soninha Francine

Soninha, em evento do PPS: “onde foi que eu me enfiei?”
O terceiro e último (graças a Deus) exemplo de coxinha é a figura da imagem acima. Soninha Francine deve ser o maior caso de metamorfose política do Brasil. Até 2006 era petista convicta, mas o vírus da COXINHICE já afetava seu cérebro, a ponto dela sair na capa da Época em 2001 falando “eu fumo maconha”, provavelmente por um brilhareco.
Daí ela saiu do PT, entrou no PPS, caiu nos braços de José Serra e do PSDB paulista e se encontrou. Tenta conciliar a fama de “descolada”, adquirida nos anos como VJ da MTV, com uma postura política típica de um coxinha padrão: individualista e conservadora. E, pra variar, manifesta tais posturas via… Twitter. Emblemático foi o dia em que Metrôs BATERAM na Linha Vermelha e ela, afogada em seu individualismo, disse que não encarou nenhum problema e que o Metrô estava “sussa”. Assim como a acusação de “sabotagem” do Metrô às vésperas da eleição de 2010.
Soninha ajuda a definir o estereótipo do coxinha default. O coxinha tenta de forma desesperada parecer um cara legal, descolado e antenado com os problemas do mundo. Mas não consegue disfarçar seu individualismo e sua necessidade de diferenciação. Não consegue disfarçar seu rancor quando os outros passam a ter as mesmas oportunidades e desfrutar dos mesmos serviços que ele.
Conclusão
O coxinha é um fenômeno sociológico disseminado em vários lugares, mas, por enquanto, só “assumido” em São Paulo (em outras cidades, os coxinhas ainda devem ter outros nomes). Não por acaso, tendo em vista que São Paulo é um dos ambientes mais individualistas do Brasil.
São Paulo é uma das cidades mais segregadas do país. É uma cidade de grande adensamento no centro, com as regiões ricas isoladas da periferia. A exclusão é uma opção dos mais ricos. Eles não querem  se misturar com o restante da população. E, nos últimos anos, isso ficou mais difícil: não dá mais pra excluir meramente pelo poder econômico. Daí, é necessário expor um personagem, torná-lo um padrão, pra disseminar essa mentalidade individualista e conservadora: é aí que surge o coxinha.
E isso é bom. Porque o coxinha, hoje, é exposto ao ridículo pelo restante da sociedade. Até algum tempo atrás, ele era apenas um personagem latente. Ele não aparecia, portanto, não podia ser criticado ou ridicularizado. No final, o surgimento dos coxinhas só reflete a mudança do nosso perfil social. E, por incrível que pareça, o amadurecimento de nossa sociedade.


domingo, 16 de junho de 2013

Vaias à presidente do Brasil na abertura da Copa das Confederações 2013

Sei que é um assunto aaaaaamplo, altamente perigoso e discutível, mas não posso deixar de demonstrar a minha opinião sobre as vaias à presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa das Confederações ontem, 15 de junho de 2013. Acho que vou abordar o tema em tópicos e tentar resumir minha opinião.

- Lembremos que, fora das imediações do estádio Mané Garrincha, em Brasilia, centenas de manifestantes estavam nas ruas (lugar de protesto) reivindicando por maior atenção do Governo Brasileiro para várias  questões sociais mais importantes no país - como a educação. Essas pessoas, até onde eu sei, pacificamente, estavam fora da "zona de conforto", sendo ameaçadas por iminente repressão policial (que mesmo que necessária em caso de violência e vandalismo, é questionável sua postura quando nos referimos à manifestações sociais), estavam lá, mostrando sua intenção: opinar, protestar - por que mesmo que tenhamos o processo "democrático" do voto, nossos representantes políticos precisam saber de alguma forma o que incomoda a sociedade e o que ela julga importante e prioritária.

- As pessoas que estavam no estádio, estavam prestigiando um evento de proporções mundiais conquistado durante o processo contínuo do Governo Federal ainda atuante, cuja representante é a presidente Dilma Rousseff. Se é uma "conquista" válida ou não para o povo brasileiro, é OUTRA discussão que acredito não ser necessária para expor minha opinião referente ao acontecido na abertura do evento.
Sendo assim, as pessoas que vaiaram a presidente no estádio, presumidamente, não são discordantes em relação à vinda do evento para o Brasil - já que pagaram seus ingressos, participaram e prestigiaram o evento.

- Por que as pessoas que estavam no estádio vaiaram? Não sei ao certo, mas tenho palpites.

- Talvez porque grande parte dos brasileiros adoram reclamar: reclamam do técnico, reclamam do árbitro, reclamam da falta de feriado em agosto, reclamam da política, mas sair da "zona de conforto" (no caso, cadeira estofada no estádio) que é bom, poucos fazem.

- Talvez porque quem tem dinheiro para pagar cerca de R$ 400 em um ingresso para uma partida de futebol, provavelmente viva em uma classe ou nivel social economicamente favorecido e não esteja contente com o aumento do preço da gasolina, do tomate, da TV de 42", do imóvel na praia, com suas necessidades individualistas (inclusive, possivelmente críticos dos recentes protestos contra o aumento das passagens em grandes cidades brasileiras), e resolveu mostrar sua insatisfação ali, na cadeira estofada, na segurança, sem riscos de levarem bala de borracha no olho, e ainda desfrutando de uma boa (nem tão boa assim) partida de futebol de âmbito mundial.

- Ou, também, as pessoas que lá estavam têm aquela mentalidade (que talvez todos nós tenhamos em referência a algum assunto que envolva nosso país) de que o Brasil é uma merda que nunca vai mudar, é um país pelo qual a população sente vergonha, e resolveu mostrar que despreza seu próprio país em rede mundial de transmissão em massa (o futebol). Sim, porque vaiar a representante maior de seu país, colocada lá em processo eleitoral, escolhida pela maioria da população do país é dizer que detesta seu país e seu povo.


Não sei se preciso resumir o que eu penso - pode tornar a opinião simplista ou parcial -, mas devo deixar claro que achei as vaias vergonhosas, para os brasileiros, e desnecessárias, porque quem realmente está descontente, se tem na agenda dois programas -uma manifestação social em busca de evidenciar suas necessidades, e se distrair em uma partida de futebol - no mesmo dia, moralmente deveria lutar pela sua opinião, e não ir prestigiar um evento que, notoriamente, sugou e suga muito dinheiro dos cofres públicos que serviriam para buscar soluções para mazelas sociais. E ainda me vai ao jogo de futebol pra pagar mico.



Manifestantes no estádio Mané Garrincha, em Brasília (15-06-13)
Fonte: Terra Brasil

Manifestantes nas ruas de Brasília (15-06-13)
Fonte: G1



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Utilidade Pública - DUBET: O que é uma Escola Justa?

Nossa, por um acaso do destino, resolvi dar uma olhada em um outro blog que fiz há muito tempo, e pouco postei e esqueci, quando vi que o texto a seguir teve 133 visualizações! O dobro do que qualquer outro do blog principal (este).

É o fichamento (ou resenha?) de um texto, provavelmente exigida na disciplina de Didática no curso de Geografia da FURG (creio, pois a escrita é de 2009, quando eu estava no terceiro ano do curso).




O que é uma escola justa?

DUBET, François. "O que é uma escola justa?", Caderno de Pesquisa, v. 34, n. 123, p. 539-555, set./dez. 2004.


Descrição breve sobre o que trata o texto e sua construção:

O texto aborda o(s) conceito(s) sobre como seria uma escola justa. O autor propôe questionamentos sobre os métodos utilizados para avaliar a justiça do sistema educacional, e apresenta como sendo a característica do sistema de ensino vigente o "modelo meritocrático", onde, teoricamente, é fornecido a todos alunos as mesma ferramentas para alcançar sua formação.
A partir dessa constatação, o autor discorre sobre as falhas desse método, e propôe, timidamente, correções que poderiam ser feitas para tornar a escola mais livre das desigualdades sociais que permeiam sobre nossas relações sociais e nossas oportunidades.
Ele divide o texto em sete partes, mais a introdução sobre as pretenções do texto, e suas distinções são feitas basicamente através dos quetionamentos levantados sobre o conceito e as falhas do sistema escolar vigente. São estes os subtítulos: " A Igualdade de Oportunidades e Seus Limites"; "Uma Ficção Necessária"; A Justiça Distributiva"; Garantia de Competências Mínimas"; "Uma Escola Eficaz"; As Esferas de Justiça"; e "Como Tratar os Vencidos?". Todos abordando questões fundamentais para o entendimento do funcionamento do sistema escolar.


Idéias Centrais; Citações do Autor

Traz as idéias de justiça que queremos ter na escola, e já traz um embate sobre as contradições de tais concepções: "... cada uma das concepções de justiça evocadas entra imediatamente em contradição com as outras. Assim, uma meritocracia escolar justa não garante a diminuição das desigualdades".
O autor problematiza a idéia de "igualdade de oportunidades", alegada no modelo meritocrático: "... a abertura de um espaço de competição escolar objetiva não elimina as desigualdades" (...) " desde o início, os mais favorecidos têm vantagens decisivas". E agrega essa afirmação às condições sociais dos pais, que influenciam na importância familiar para com a escola, o nivel cultural e, inclusive, no nível de capacitação escolar. Afirma: "as desigualdades sociais pesam muito nas desigualdades escolares".
Alega que o sistema meritocrático traz uma crueldade, quando transforma o aluno menos favorecido em "responsáveis por seu fracasso", já que o modelo da meritocracia se reserva da "culpa da desigualdade social", antes e após a vida escolar.
Apesar dessas ressalvas, o modelo meritocrático é o mais "justo", se tratando de uma sociedae "democrática", onde o princípio básico é a igualdade entre todos, alegando que " o mérito pessoal é o único modo de construir desigualdades justas". Mas traz a questão de como tornar esse método mais justo, afim de considerar as desigualdades sociais existentes: "É preciso principalmente assegurar a igualdade de oferta educacional para suprimir alguns 'privilégios', algumas cumplicidades evidentes entre a escola e determinados grupos sociais".
Como uma tentativa de compensar as desigualdades, o autor propõe a centralidade no aluno e suas competências apresentadas em aula.
Também traz a idéia de mecanismos que rompem com a "igualdade pura" para que s obtenha resultados mais inclusivos, "se quisermos que as mulheres entrem na política, será preciso que criemos quotas; se desejarmos que os bons alunos dos bairros populares façam bons estudos, será preciso que tenham preparação específica...".
A idéia de "garantia de competências mínimas" traz uma maneira de termos uma igualdade mínima de ensino: "Na verdade, essas garantias visam a limitar os efeitos dos sistemas meritocráticos" (...) "Rawls, considera que a justiça de um sistema escolar pode ser medida pelo modo como trata os mais fracos e não somente pela criação de uma competição pura".
Uma discussão sobre o valor de diplomas no mercado de trabalho é levantada, ao considerar que esses diplomas "fixam o nível e as portunidades de emprego à que os indivíduos podem prentender", além de trazer à tona o fato de que o acesso a cursos profissionalizantes também é limitado, de certa forma, pelas desigualdades sociais trazidas na bagagem de cada aluno, e consequentemente a mesma alteração no mercado de trabalho em que os alunos irão atuar e, novamente, no seu nível social.
As diferentes esferas de justiça também atuam na concretização de uma escola justa: "há desigualdade e injustiça novas quando as desigualdades produzidas por uma esfera de justiça provocm automaticamente desigualadades em outra esfera" - processo que ja foi abordado no parágrafo anterior. Aqui, ele traz um argumento que pode nos ajudar a compreender as dimensões da importância do processo de educação e sua modificaçao: "uma escola justa não teria a pretensão de fazer a triagem dos indivíduos de maneira tão definitiva; ela permitiria, aos que fracassaram ou saíram, tentar uma nova oportunidade" (...) "Um sistema mais aberto, com maior mobilidade, que oferecesse duas ou três oportunidades, menos preocupado com a produção de uma elite fechada, seria provavelmente menos injusto porque suas próprias injustiças teriam menos consequencias sobre o destino dos indivíduos.
Por fim, o autor alega que a escola justa deveria primeiramente se questionar sobre como tratar os alunos mais fracos, aqueles que fracasaram nas primeiras tentativas. Questiona as maneiras de tratar as competências dos alunos e apresenta a idéia de que a "discriminação positiva" seria talvez a maneira mais justa de tratar os alunos, agregar ao modelo de escola meritocrático, princípios que possam aprimorá-lo e assegurar maior igualdade de oportunidades: "Enfim, um sistema competitivo justo, como o da escola meritocrática da igualdade de oportunidades, deve tratar bem os vencidos na competição, mesmo quando se admite que essa competição é justa".


Opinião sobre o assunto e sobre o texto:

Acredito que a discussão sobre uma escola justa tem de ser mais abrangente do que somente o âmbito escolar. Seria necessário toda uma transformação social, de preconceitos sociais, de acomodação social, e sobre o que deve ser mais importante na sociedade. Considerei interessante as quesões problematizadas ao longo do texto. É de suma importância conhecer os processos sociais que permeiam o sistema escolar no qual iremos ingressar como professores num futuro.
A pesar de não apresentar uma "solução" de uma escola justa - até porque julgo isso, no mínimo, um processo longo - o texto explicita bem o que deveria ser considerado para iniciar um processo de transformação escolar, pessoal, social.
Tendo em vista nossa sociedade capitalista, que visa acima de tudo a competição, as ideias abordadas pelo autor são de uma lógica coerente. E, de fato, creio que de nada serve ficarmos idealizando um modelo escolar que não condiz com nossa realidade social - mesmo sabendo que o sistema não é o mais justo. Manter a ideia de competição na escola é essencial no modo de produção capitalista, e enquanto vivermos com ele, nos resta adequar, de maneiras mais justas, o processo de formação escolar com a realidade do mercado e com a realidade social.

(Abril de 2009)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Os verdadeiros "problemas internos" do Brasil

Tchê, na boa, eu fico de cara com essas publicações em redes sociais de "Brasil contrata médicos cubanos", "Brasil fornece 'dinheiro' para invesitmentos em Cuba". Sinceramente, não vejo problema com isso! O Brasil tem seus próprios problemas? Sim. E não são poucos. 

Mas pensemos em Cuba: desde a Revolução Cubana, o país sofre com sanções econômicas, de política e comércio externo. Se fosse qualquer outro país do mundo (além de Venezuela, Bolívia e alguns países "estigmatizados" pelo socialismo), o Brasil estaria "investindo em alianças externas e contribuindo para as relações diplomáticas com países em ascensão econômica".

Os caras não têm dinheiro ou infraestrutura em alguns setores não porque não querem (ou os governantes - "ditadores"- não querem), mas porque são a décadas boicotados pelo resto do mundo capitalista que se nega a importar e exportar mercadorias e tecnologias ao país, no fundo, por medo de que o socialismo dê certo. 

Então, o "problema" de o Brasil contratar cubanos ou ajudar Cuba, não é porque o nosso país está mal das pernas em muitas questões internas, mas sim porque é simplesmente Cuba, socialista, o câncer do capitalismo tratado com quimioterapia exaustiva pelas grandes potências capitalistas mundiais, tanto em nível econômico, como político e midiático.

Não estou com tempo para discorrer longamente sobre o tema, mas não podia deixar de registrar esse pensamento.





sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ah... o Rock and Roll...

É sempre divertido falar de Rock. Como ninguém pergunta nada pra mim, resolvi contar aqui, que as "paredes" me ouvem. E também porque é bom uma dose de narcisismo de vez em quando.

Todo mundo tem um passado negro, e eu começo dizendo que na faixa etária dos 6 anos,  eu sabia de cor todas as músicas do "É o Tchan" (o que não era muito difícil). Depois, na faixa dos 10 anos, o sertanejo (naquela época, não era "universitário", o que diminui a quantidades de pontos negativos pra mim) era a trilha sonora, sonhando fazer a dupla "Thaís e Laís" com a minha amiga de infância. Meu irmão faz questão de lembrar que, nessa época, eu debochava de uma propaganda de uma banda na TV: "Punk Rock até os Ossos, que merda é essa??". Triste.

Então, lá pelos 13 anos, a coisa começa a melhorar. Meu círculo de amizades se ampliou; mesmo assim, a época era do KLB, lembra, A** P****? (talvez ela não queira revelar o nome, hauehaiuahe). Porém, tinha uma das amigas desse novo círculo de amizades que, ironicamente, era e permanece hoje a menos "rockeira" do bando, que possuía dois CD's que mudaram a minha vida: Live in Roma, do Nirvana, e Appetite for Destruction, do Guns N'Roses. 

Quando ouvi a primeira vez os ditos CD's, de cara identifiquei umas 5 músicas que tinha ouvido na rádio, gostado, mas não sabia do que se tratava. Então, descobri o Rock.

Aí foi uma corrida desenfreada. Em época em que a classe média baixa ainda não tinha tanto acesso à internet, eu e minhas amigas recorríamos à loja de revista da vila (tenho umas revistas do Nirvana até hoje), atrás de informações sobre bandas de rock. Lembro que ao descobrir o nome da banda que tocava "Rock and Roll All Nite" eu e a Paula sentamos no PC do meu irmão, com internet discada, á procura de "novidades" no Google. Eram blogs pequenos e informais de onde tirávamos as primeiras informações de tudo que curtíamos.

Surrupiei uma fita cassete do meu irmão do Faith no More, e repetíamos mil vezes "Epic" no micro-system da Paula (eu era tão pobre dos inferno que nem rádio com CD eu tinha). Tínhamos "gozos" com Bon Jovi. Redescobri uma fita dos Mamonas Assassinas e do Skank que ganhei na minha época de axé/sertanejo e não dei muita importância. 

Peguei todas minhas fitas sertanejas e regravei em cima com músicas que tocavam na Atlântida (nessa época, era boa). Fui no meu primeiro "show" de rock, da Bandaliera, em uma Festa do Mar.

Ana Paula, Raquel, Liliane, Charlene e eu, éramos as estranhas da escola. Usávamos camisas de rock, calça velha e All Star, andávamos com revistas pra cima e pra baixo, éramos bem "infantis", mas MUITO felizes.

Lá perto dos meus 15 anos, eu estava no BIG com minha mãe, e vi um CD de oferta de uma banda de rock, que eu não conhecia muito, mas como estava "10 pila", pedi para ela. Quando cheguei em casa, identifiquei uma, e pirei com as outras 13. Era o "Conspiracy of One", The Offspring entrando na minha vida. Em 2004 ganhei ingresso pro show deles em Porto Alegre, mas, de novo, a pobre dos inferno, não pude ir pela falta da grana pra passagem (e ah, eu tinha 15 anos =\).

Bom, depois disso, fissurei unica e exclusivamente por Offspring (e Ramones) por uns 4 anos, minhas amigas meio que se foram pro lado do Hard Rock. Também me deixei levar por elas, quando "descobrimos" os festivais. Muitos problemas, "meninas de família", saindo à noite sozinhas, em eventos "não-formais", éramos o terror das mamães (mesmo sendo castas, sem beber álcool ou usar drogas, ligando quando chegava e quando saíamos dos lugares). Shows da extinta DDT, os shows no extinto "Plebe Rude Espaço Underground".
Show do Marky Ramone em Rio Grande, minhas melhores amigas lá, um dos melhores momentos da minha vida. Desculpa, gente, cantei com Duda Calvin! E terminei um namoro de 1 ano e 8 meses =D

Quando entrei para a faculdade de Geografia, me afastei das amigas e dos festivais, fiquei solitária e depressiva, mas o rock sempre mudando minha vida. Conheci, pela Paula e Raquel (e pela extinta "War Machine"), Skid Row, Guns N'Roses (in fact), Aerosmith, Motorhead, AC/DC, Van Halen, entre outras menos importantes (para mim). Tudo muito intenso e rápido.
Nessa época que o Hard Core entrou na minha vida, através de uma amiga da faculdade que nem rockeira era, que me passou umas duas músicas do Bad Religion. Me afundei nas drogas da internet, participava intensamente de uma comunidade de Punk Rock, onde me divertia pelas madrugadas, mais ou menos quando meu amigo virtual, Paulo Roberto, me apresentou ao Ska-P (que, inclusive, virou objeto da minha monografia de conclusão da graduação).

Depois, com o amor da minha vida, meio que voltei a ouvir Nirvana (como não, cara mais doido por Nirvana, nunca vi), fui, finalmente, ao show da minha ETERNAMENTE FAVORITA The Offspring, passei mal, chorei, cantei, pegamos caronas com uns moleques desconhecidos que, ao chegar no carro deles, decobrimos serem "de posses", hehehe. Conheci coisas diferentes, como Kaiser Chiefs, Strokes, retomei The Hives, Metallica (outro show memorável, pelo lamaçal do Parque Condor em POA e pelos respingos em nossos calcanhares que não sabíamos se era lama pura ou vômito alheio).

Numa idade avançada da vida, decidi que deveria conhecer mais bandas de Hard Core, já que, ora bolas, era o som que mais me empolgava, e descobri Pennywise, aprofundei Dead Kennedys, Agnostic Front, Bad Religion, Bad Religion e Bad Religion. E continuamos aí "na atividade": atividade de velhos, só ouvindo musiquinha no MP3 e com preguiça de saír à noite quando tem algum evento na cidade.

Agora, nunca nunca posso me esquecer daquele grupinho de amigas que sempre estiveram do meu lado na melhor fase da minha vida e marcam até hoje minhas motivações (mesmo com brigas e rompimentos).

Essa postagem, acaba sendo uma homenagem à juventude, ao Rock e à amizade (e ao meu narcisismo).
=)


E aqui, uma música que me fez distender um músculo do pescoço ao tentar imitar a banda em um show da New Hell Band, no extinto Plebe Rude Espaço Underground:




quarta-feira, 1 de maio de 2013

Controversa

Sei lá, estava re-lendo alguns dos meus textos e percebi isso.
Não considero algo completamente negativo, quer dizer somente que devo refletir mais sobre meus pensamentos (por mais que isso já seja nocivo para a minha sanidade mental).

Mas, "Crônicas de uma mente Moldada e Partida" continua fazendo sentido e esclarecido aqui:
http://www.nadamuitocriativo.blogspot.com.br/2012/03/cronicas-de-uma-mente-moldada-e-partida.html

=)


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Falam sempre os senhores(as) da razão

Falam sempre os senhores(as) da razão. 
Nem vale à pena discutir quando as pessoas se tem como superiores, superficialmente, pelo "seu" modo de pensar e/ou agir.

Sempre encontram uma justificativa que os façam se sentir maiores ou melhores que os outros. Sinto um misto de pena, raiva e outros sentimentos indefinidos de pessoas que usam de uma suposta superioridade (intelectual, psíquica ou financeira) para diminuir o próximo. Pior ainda quando o próximo é, de fato, próximo.

Mas, temos que aprender a engolir isso, não é mesmo, mundo?!

Temos que aceitar que as pessoas sejam assim, e procurar o lado bom nelas, mesmo que essas impressões negativas sejam intensas, precisamos buscar algo em que acreditar. Eu SEMPRE me decepciono, mas tenho aprendido aos poucos a controlar a minha frustração e passar por cima desses meus sentimentos de justiça e humildade (afinal, não é essa a prioridade no mundo social) para conseguir conviver com as pessoas sem me sentir tão mal.

Fobia social sendo amenizada.



sexta-feira, 12 de abril de 2013



Diretor enfia a mão dentro do vestido de Nicole Bahls durante entrevista


A notícia acima tem sido a base das ultimas discussões sobre machismo e a cultura do estupro nas redes sociais.

O cara mete a mão numa mulher, absurdo.
Mas o absurdo já começa quando esse mesma mulher, e outras, vendem a figura feminina todos os dias na TV como fantoche sexual.

Só vi compartilhamentos fazendo crítica a esse tal de Gerald Thomas, que estão corretíssimas em sua indignação, mas não consigo deixar passar que a mulher, essa mulher, essas mulheres, contribuem substancialmente para essa cultura machista. Entendam, o problema não é a roupa que ela usa, é o fato de que ela é paga para fazer exatamente o que é a essência da crítica das postagens que eu vi: o trabalho dela é expor a mulher ao papel de objeto sexual no espaço de mídia de massas - a TV.

Desculpa, mas essa "cultura do estupro" é uma construção social deprimente, mas coletiva. Se não houvessem mulheres dispostas a serem esses objetos sexuais, não por se vestirem com roupas sensuais, mas por, descaradamente, exibirem seus corpos e sua sexualidade como mercadoria, ou pior, expor seu corpo e sua sexualidade como objeto, descartando o fato de mulheres serem sujeitos, seria muito mais difícil estabelecer esse comportamento coletivo, subentendido e quase automático da sociedade de ver e usar da mulher como brinquedo sexual.

terça-feira, 26 de março de 2013

Sobre as "Fobias" da moda

É fato que a grande maioria dos meus escritos são de opiniões pessoais e muitas vezes sobre assuntos em que sou quase leiga. Mas nem por isso acredito que eu esteja "errada" em ter uma opinião, mesmo que superficial - como diz na descrição do blog, "I'm a product of my environment...".
Hoje uma postagem no Facebook me fez pensar (acredite, isso às vezes acontece no Facebook). Até vou colar aqui antes de iniciar o post:






















Via página "Nacionalismo Brasileiro"
Detalhe: depois que vi o conteúdo da página, preciso alertar que discordo da grande maioria das ideias expostas pela página.


O que eu pensei quando compartilhei: é verdade, hoje em dia o mundo está cada vez mais tomado de preconceito. Mas o preconceito vêm mais é dessas pessoas que vêem preconceito em tudo.

O que eu desenvolvi depois, despretensiosamente ao arrumar a minha cama:
A nossa sociedade atual é tão tomada pela violência e pelo medo, que tudo se transforma em fobias sociais. Uma pessoa que não concorda com o homossexualismo é homofóbica, uma pessoa que não concorda com os hábitos e postura de alguém vindo de outro lugar é xenofóbico, uma pessoa que não concorda com atitudes feministas é machista, e vice-versa. A superproteção ao direito individual acaba por podar o direito do outro de discordar. É uma ditadura das "fobias".
Essa superproteção é históricamente compreendida, como no caso dos homossexuais, que de fato, sofrem violência irracional e desmedida em muitas situações da vida cotidiana. A questão da xenofobia, o "ódio ao estrangeiro" também é um problema político, histórico e social grave que deve ser discutido e combatido através do diálogo e esclarecimento. A população negra no Brasil também merece atenção.
Entretanto, essas questões não podem se tornar, como estão se tornando hoje, clichês politicamente corretos e motivo para o desprezo e ignorância alheia. Pelo que sei empiricamente, "crime de homofobia" tem sido tratado na sociedade brasileira por atitudes que "incitam o ódio e a violência" contra o homossexual, certo? Pois, eu não gostar do homossexualismo (o que, dessa vez, não é o meu caso, pois para a minha vida não faz diferença as opções dos outros, desde que não impeçam as minhas), não concordar com seus argumentos, e até não me interessar em manter relação com homoafetivos, não me torna um homofóbico. Opinião própria não implica em ataques discriminatórios e violentos.
Noutro dua estava discutindo com alguém sobre as questões atuais em Rio Grande, referente a questão da população nordestina que está na cidade em função do Pólo Naval. O que se sabe, é que muitos trabalhadores provenientes dessa regiao do país, têm sim desacatado, desrespeitado e gerado tumulto em diversas situações pela cidade. Isso me causa profundo repúdio, admito. Eu, ou a população, estar indignada com essas atitudes que vão contra a postura social aceitável na sociedade, não é xenofobia. Eu querer que meus costumes e minha educação seja respeitada não é xenofobia. Xenofobia é você querer eliminar as pessoas de um grupo, coletivamente, é querer, ter desejo de exterminar sua cultura, seu povo, seus rastros. Isso que é ódio preconceituoso relativo a um grupo.

Ultimamente, você não pode abrir a boca para argumentar com alguém sobre a questão homossexual sem ser considerado homofóbico. Não pode ficar indignada com uma piada de péssimo gosto na rua se o mal educado for de outro estado ou nacionalidade, ou se defender de um assédio, sem ser chamado de xenofóbico por qualquer politicamente correto querendo que sua opinião seja certeira, inquestionável, cabal.
Isso me incomoda muito. Os grupos sociais querem tanto liberdade e direitos, mas o povo está cada vez mais privado de ter sua própria opinião ser ser estigmatizado como o "anti-direitos humanos".
Tchê, eu odeio intolerância, de qualquer lado.

Se algo não estiver esclarecido, pergunte antes de sair "atirando" contra uma "fóbica" qualquer.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Breve comentário sobre a morte de Hugo Chávez

Como passei o dia de ontem (05/03) planejando loucamente aulas que não esperava dar pela noite, fiquei sabendo da morte de Chávez quando estava na sala dos professores da escola em que trabalho. Fiquei bastante surpresa, e na verdade, nem tanto, quando ouvi algumas professoras dizerem "Morreu finalmente o Chávez, né", "Já foi tarde", "Já tinha ido há muito tempo". 
Aí, a conversa deslanchou, e como sou nova na idade e na escola, e vi que o rumo da conversa não me favorecia, me mantive observando e fazendo leves acenos de cabeça quando direcionavam frases para mim.
Mas aqui, vou dizer o que eu gostaria de ter dito e não disse, por inúmeros fatores, de necessidade de convivência social, de aceitação no ambiente de trabalho, etc. 
Quando alguém disse "É, não vai fazer falta, quanta gente esse homem matou pra ter o poder?", eu diria "Acho engraçado que todo mundo esquece dos genocídios indígenas promovidos por Europa e EUA na América Latina desde séculos atrás, esquece da opressão e dilaceramento da cultura latina pela cultura do consumo, que expropria recursos dos países mais pobres, desde sempre, pra transformar em uma mercadoria cara para estes mesmos países pobres".
Quando alguém disse "Sei de fonte segura que na Venezuela, as pessoas não podem ter mais de duas residências que o governo pega para os outros invadirem". Bem, esse é mais um dos taaaaantos argumentos individualistas que ouvimos por todos os lados e escalas. As pessoas que votavam no Fábio Branco, justificavam seu voto dizendo que "ele ME ajudou a blábláblá", ou seja, o interesse pessoal e de poucos é o que conta pra decidir quem vai governar uma cidade ou um país. Mas, no contexto da situação, eu gostaria de ter dito "E as pessoas que não tem nem uma casa para morar? E não tem, não só 'porque não trabalham', 'são preguiçosos'; não tem porque são séculos de expropriação e exploração, porque trabalham em um ramo desvalorizado pelo mercado de trabalho, porque pra sobreviver, precisam se submeter a embargos políticos e econômicos de uma carência de cooperação mundial de países produtores, só porque muitos deles têm medo de o socialismo dar certo".
Quando alguém fala em tom de desaprovação sobre a apropriação pela Venezuela dos SEUS poços de petróleo, fico confusa. Quando estes mesmos reclamam do preço da gasolina no Brasil e reclamam que o nosso petróleo é vendido para fora e o que sobra fica caro no país, fico mais confusa ainda! Só porque é "a Venezuela", um país da América Latina, pobre e historicamente saqueado, eles não podem querer proteger o que é deles e não ceder aos que vendem de volta a preços absurdos??

A morte de Hugo Chávez me preocupa. Me preocupa porque seguidores de ideologias, como o Chavizmo, que permanece sem o Chávez, quase nunca conseguem encontrar um comum acordo entre suas divergências, muitas vezes mínimas, e acabam por enfraquecer um projeto que em sua essência é o caminho que estava levando a Venezuela, e outros países latinos, à igualdade. Como o comunismo de Lênin e outros, suas inúmeras "facções" discordantes e briguentas, que deram ao comunismo/socialismo a má fama que essas palavras suscitam nos dias de hoje. Ao invés de priorizar as ideias em comum e traçar caminhos em comum, buscam a divergência e a afirmação da sua verdade absoluta. Esse é o problema de o poder estar na mão de seres humanos.

Não que Chávez seja alienígena e acertasse tudo em seu governo, mas defendo porque duvido do que os ricos me dizem pela TV todos os dias.







sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Jornal da Globo e Hugo Chávez


Depois da única reportagem decente sbre a Venezuaela que vi até hoje na Globo, da Délis Ortiz no Jornal da Globo (10/01/13), numa transmissão neutra sobre como foi o dia que seria a posse do quarto mandato de Hugo Chávez, impossibilitado de assumir por doença, mas que o povo foi às ruas em festa celebrar a "posse do povo", Arnaldo Jabor surge com seu comentário infeliz típico de transmissão manipuladora da Globo.
Diz que o povo venezuelano aprova com alegria uma "ditadura", além de informar alguns dados surreais sobre a situação política da Venezuela.Disse, dentre isso, que tem não sei quantosmil cubanos lá pra cuidar do petróleo quando Chávez morrer. Longe de eu acredtar nisso, mas tenho absoluta certeza de que se fossem os EUA tomando essa atitude, não seria passível de crítica pela mídia reacionária e rica do Brasil. 
Os EUA estão em muitos países, só pra citar, Israel, e recentemente na Líbia, demarcando território, se apossando e salvaguardando bens em troca de acordos políticos e econômicos, apoiando ditaduras. Essas, nunca desejadas pelo povo submetido a elas. Omissos, certamente, mas nunca apoiadas.
Já gostei muito da opinião do Arnaldo Jabor, mas é deprimente que, em se tratando de política e economia, seus comentários destoem de coerência; o seu pavor a sistemas ou regimes, como queiram se referir, que vão contra à ideologia da sua conta bancária.
Em pensar que, semanas atrás, destilava ironia e crítica ao falar do exílio de Gerard Depardieu... Provavelmente deve ser outro que quando apertar no seu bolso irá correndo se munir de estratégias para fugir de pagar a conta aos pobres.


Talvez queiram dizer que o apoio do povo não quer dizer que seja bom, fazendo analogias ao fascismo/nazismo. Mas se vamos comparar a situação político-econômica de hoje com a de 70 anos atrás, vamos nos contextualizar pra não tornar a discussão cansativa:
Em 1940, países do "terceiro mundo" não existiam, só serviam para serem sugados e seus governos eram geralmente de lacaios dos Europeus e Norte-Americanos ricos. Em 1940, Mussolini e Hitler tinham sua política nacionalista, mas ainda eram os ricos querendo ferrar com os pobres e os outros ricos. Hitler, por exemplo, foi, sem sobra de dúvida, um doente. O povo, italiano e alemão, em questão, estava desgastado por umaguerra e privações políticas e econômicas a que estavam "desacostumados". Um recesso econômico que pegou a classe media e o poder político de imediato.

Em 2012/13, os países do "terceiro mundo" estão se levantando de séculos de exploração e genocídio pelos povos Europeus e Norte-Americanos ricos, e o povo, querendo a mídia ou não, colocou no poder, em vários países da América Latina, governos socialistas no poder. Chavez e Morales têm suas políticas nacionalistas, mas o que eles fazem?? Eles mantêm suas riquezas em seus países, priorizam a economia interna, a população (ah, é isso que desagrada, então, mais do que qualquer outra coisa: as barreiras impostas aos ricos ao acesso a produtos nacionais). Agora, são os países pobres que estão se levantando e querendo ferrar com os ricos que os exploraram por décadas. Oh, que injusto. 
O povo latino-americano, não está carente de identidade, pelo contrário, sempre teve sua identidade com orgulho, mesmo que dilacerada pelos genocídios indígenas impostas por espanhóis, portugueses, etc. etc. O povo latino-americano quer mesmo é revanche, quer, agora que tem governos ao seu lado, manter as riquezas materiais e culturais que ainda os restam.

Agora, ainda quer comparar a "empatia" de Hitler com a de Hugo Chávez??


Link da reportagem:

Link do comentário:



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Pessoas inconvenientes

Deixar ou não deixar de gostar/admirar as pessoas por elas se sentirem donas da verdade por terem engolido livros, conseguido um diploma universitário e por isso se sentirem no direito de cortar opiniões superficiais sobre assuntos?? É quase como dizer "não pense sobre isso, o que eu estou dizendo é a verdade absoluta e você não pode ir contra isso, porque você não leu os 330 livros que eu li" (leitura é fundamental, mas ninguém é melhor ou mais importante que alguém porque possui mais informações sobre determinado assunto. É o mesmo tipo de desrespeito à inteligência, que já citei anteriormente, que os jornalistas cometem ao deturpar a informação para ser mais "compreensível" à população: eu sei, então o que eu sei é o que eles devem saber).

Estava justamente hoje conversando com uma jovem (como eu) colega professora na escola sobre o quanto é inconveniente, chato, egocêntrico e dispensável a pessoa se formar na sua área e sair apontando o dedo pra cada um que não possui uma faculdade de cada área pra ser fluente em absolutamente todos os assuntos.
É como um geógrafo dar pitchí a cada rocha chamada de pedra, um licenciado em Português corrigir todas as faltas de plurais em uma conversa, etc.
Mas agora, eu vou ficar "queimando a mufa" pra conscientizar do inconveniente? Pra que mudem de atitude? Eu não, sejam felizes com suas verdades acadêmicas/literárias/históricas/políticas/educacionais (...) absolutas.


Procurei imagem, mas não encontrei...