segunda-feira, 31 de maio de 2010

SUS - Rio Grande.

Minha mãe é diabética, ela consultava no posto de saúde da família da Vila da Quinta, mas ela pediu para ser transferida para um especialista no hospital da FURG. Por quê? Porque o atendimento no posto era debilitado, as pessoas vão as 4h da manhã pra fila, esperando por 6 fichas/dia, quando não é menos... o posto abre as 8h e os queridos médicos não começam a atender antes das 9h, enquanto enfermeiros e enfermeiras passam pra lá e pra cá na multidão de pacientes, falando sobre as coisas mundanas, e rindo de piadas, enquanto os enfermos esperam as porcarias dos médicos. Também acontece de enfermeiros discordarem da opinião medicamentosa do médico, e deixarem o coitado do leigo paciente sem saber o que é certo fazer. Um médico(a) chegou a dizer a minha mãe que ela tinha problemas de coração, analisando um eletrocardiograma, e, minha mãe preocupada levou a um médico particular, outro médico avaliou o exame como sem problemas, além de fazer outro exame na hora que mantinha o diagnostico de sem problemas cardíacos.
Mas então, foi por essas e outras que ela foi para o hospital universitário. E aí, entre muitas remarcações, e médicos que vão e voltam, foi marcada uma consulta para ela dia 20 de maio de 2010, anotada no cartão de consultas pela atendente.

Aqui, quero lembrar que tenho ciência de que a finalidade de um hospital universitário, como o da FURG, é a formação médica - alerto de minha ciência quanto a esse fator, porque essa é uma das desculpas dadas pelo descaso com os pacientes. "É um hospital universitário", dizem os atendentes e dirigentes estressadinhos.
OK, mas se o hospital oferece atendimento e tratamento de doenças pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ele deve atender seus pacientes com o devido comprometimento e respeito que o usuário do sistema merece. Então, não me venha com a maldita desculpa de que "é um hospital universitário. Eu sei que é, meu anjo, mas ele também oferece atendimento pelo SUS e isso já resolve esta questão.

Chegamos minha mãe e eu no início da tarde, horário marcado, saindo da Vila da Quinta, a 50min. do centro da cidade, pegamos uma clássica fila, para chegarmos à atendente e ela dizer que "não tem consulta marcada". Como, minha filha, se minha mãe tem essa consulta marcada há três meses, e ligou semana passada para confirmar? "Não está marcado no sistema, senhora". Mas esse problema não é meu, é da incompetência da funcionária que realizou o atendimento. "É que eles vivem trocando o sistema de marcar as consultas". Mas vocês poderiam ter avisado que a consulta foi desmarcada. "Nós não temos o telefone da senhora". COMO NÃO TÊM? SE OUTRAS VEZES JÁ LIGARAM PRA MINHA MÃE PRA DESMARCAR CONSULTAS! "Não está aqui no sistema senhora, nós não temos o número".
Bufando, só me restou ficar com aquela cara de "sua vaca, não percebes que não existe lógica nesse argumento, se já ligaram outras vezes pra minha mãe?!" Como se lesse meus pensamentos, ela disse "Queres fazer a volta aqui e ver como não tem nada aqui?". Eu disse "não, não é necessário porque ninguém vai atender ela mesmo, e além do mais, das outras vezes que ligaram pra ela, eles chutaram o número e por acaso caiu no celular dela, não é mesmo?".
Bom, o fato é que o sistema público de saúde é uma vergora, e o hospital universitário, que deveria ser um espaço de educação, evolução e revolução, compactua com a falta de ética de colocar a culpa no sistema técnico, no engano que "não vai se repetir", em deus, em exú, e sabe lá onde.
O SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE DA CIDADE DE RIO GRANDE É DEPLORÁVEL, MESQUINHO, E SEM-VERGONHA, ALÉM DE COMPACTUAR COM A FALTA DE ÉTICA PARA COM A POPULAÇÃO RIO-GRANDINA.

domingo, 16 de maio de 2010

Cotidiano.

Conviver com ela é dificil. Cada vez que tu sais na rua, apenas um descuido faz vocês se esbarrarem.
Toda vez que ligo no noticiário, em algum momento falam dela. Esses dias eu vi ela, mas não foi comigo que ela esbarrou.
Quando tu vês ela encontrando alguém, passam dias até que consigas sair de casa sem os sentidos mais aguçados e atentos, o coração disparando com qualquer coisa.
Nessa estrada, na estrada da vida e na Br392 e RS734, ela vive á espreita dos que deslizam ou são empurrados de encontro à ela.
É complicado falar da morte. Quando vi no noticiário do dia seguinte que a motorista da moto que eu vi estirada no chão morreu, me veio à tona pânicos, pensamentos desmotivados. Afinal, não tem sentido ficar se preocupando com doenças e com vírus, se o fim da nossa vida pode estar no próximo passo na rua.
Afinal, não tem sentido viver maquinalmente até que nos esbarremos com ela.
Poderia ser um pensamento suicida, e seria em alguns meses atrás de minha vida, mas hoje não.
Hoje venho me adaptando à banalidade da vida, das nossas necessidades, dos nossos sonhos e desejos.
Mas em momentos como esse, faz a gente pensar na graça de viver.
Qual é a graça?


Ninguém precisa se preocupar, eu não saí daqui e meti uma faca nos meus pulsos. É mais provável que uma hora eu me estabaque no chão por um descuido e quebre o pescoço, ou me desequilibre numa moto e um carro maldito me atropele. Essas coisas me dão raiva, mas eu não sei de quem ter raiva.
Da morte?
Da vida?
Do inventor da motocicleta?
De quem não inventou um freio de ação imediata para carros?
Da falta de reflexo?
De quê ter raiva?

Aí, eu sigo no caminho das formigas até que um pé me tire da estrada.