domingo, 16 de maio de 2010

Cotidiano.

Conviver com ela é dificil. Cada vez que tu sais na rua, apenas um descuido faz vocês se esbarrarem.
Toda vez que ligo no noticiário, em algum momento falam dela. Esses dias eu vi ela, mas não foi comigo que ela esbarrou.
Quando tu vês ela encontrando alguém, passam dias até que consigas sair de casa sem os sentidos mais aguçados e atentos, o coração disparando com qualquer coisa.
Nessa estrada, na estrada da vida e na Br392 e RS734, ela vive á espreita dos que deslizam ou são empurrados de encontro à ela.
É complicado falar da morte. Quando vi no noticiário do dia seguinte que a motorista da moto que eu vi estirada no chão morreu, me veio à tona pânicos, pensamentos desmotivados. Afinal, não tem sentido ficar se preocupando com doenças e com vírus, se o fim da nossa vida pode estar no próximo passo na rua.
Afinal, não tem sentido viver maquinalmente até que nos esbarremos com ela.
Poderia ser um pensamento suicida, e seria em alguns meses atrás de minha vida, mas hoje não.
Hoje venho me adaptando à banalidade da vida, das nossas necessidades, dos nossos sonhos e desejos.
Mas em momentos como esse, faz a gente pensar na graça de viver.
Qual é a graça?


Ninguém precisa se preocupar, eu não saí daqui e meti uma faca nos meus pulsos. É mais provável que uma hora eu me estabaque no chão por um descuido e quebre o pescoço, ou me desequilibre numa moto e um carro maldito me atropele. Essas coisas me dão raiva, mas eu não sei de quem ter raiva.
Da morte?
Da vida?
Do inventor da motocicleta?
De quem não inventou um freio de ação imediata para carros?
Da falta de reflexo?
De quê ter raiva?

Aí, eu sigo no caminho das formigas até que um pé me tire da estrada.

2 comentários:

Bruno Z. Kairalla disse...

Oi!! Muito legal o teu blog.. colocamos o link no Mulher Interativa!

Bruno Z. Kairalla disse...

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