quinta-feira, 15 de abril de 2010

Eu e o mundo.

Eu gostaria de escrever textos novos, interessantes ou não, depressivos ou positivos, políticos ou fúteis.
Mas eu ando tão, mas tão carregada de problemas que não abro espaço pra curtir escrever sobre algo. As manchetes na tv não me incomodam mais; as opiniões dos outros sobre mim não me incomodam mais; a falta de perspectivas (ou não) não me incomoda mais; a falta de amigos não me incomoda mais.
A FURG me incomoda, os zilhões de textos contraditórios e muitas vezes vazios que tenho que obrigatoriamente encontrar sentido e absorvê-los como se isso fosse a solução pra minha vida. Me irrita ler "grandes autores" que têm medo de expor uma opinião, sempre com aqueles termos "em cima do muro", com medo de "ferir a ética" em dizer o que realmente pensam. Por incrível que pareça, isso é o que eu mais vejo nos textos que leio na universidade: caras em cima do muro, respeitando as opiniões contrárias, e acabando por não dizerem nada que faça diferença ou seja significativo. Esse receio de fazer tudo nos padrões e receio de críticas. E a droga toda é que eu preciso me encaixar nisso pra conseguir um diploma, e depois, se seguir a carreira de professora, pensar com meu próprio cérebro, ou somente se preocupar com as contas pra pagar.
Minha casa me incomoda. A barulheira INCESSANTE de caminhões passando, moto-serra sendo consertada, minha mãe citando os problemas das coisas. Se ela ganha na loteria, ela só vai lembrar do problema de onde guardar tanto dinheiro.
A rua me incomoda, as pessoas ouvindo a porra do mp3 sem os fones de ouvido, passar por conhecidos na rua e dizer "tudo bem". Eu quero mais é dizer "tá tudo uma merda, e a sua vida provavelmente também está, mas você prefere não enxergar pra não se incomodar", mas se eu digo isso, eu destruo a vida das pessoas, como fiz com a minha mãe.
Então a mídia controladora e manipuladora de informações, é definitivamente o menor dos meus problemas, a cegueira do mundo fica totalmente em segundo plano nos meus diálogos internos. Enquanto eu não me sinto segura com minha própria vida, é melhor ficar de fora dos questionamentos das vidas do resto do mundo.

Um comentário:

Anônimo disse...

gostei