quarta-feira, 4 de março de 2009

Desordem organizada?

Não sei, eu acho que até tenho tempo de ficar mais na internet, mas nos últimos dias eu fiquei um tanto quanto alheia a navegadas.
Ontem, no ônibus, pensei em escrever alguma coisa, mas esqueci o que era. Acho que era algo referente a minha opinião sobre alguma coisa aparentemente inútil a olhos comuns, mas definitivamente esqueci o que era.
Ah, lembrei! Era algo referente à ordem social. Se não me engano, eu estava estruturando muito bem um texto para escrever aqui, mas algum inseto atraente deve ter feito eu perder a concentração. Mas me lembro da ideia.
Eu queria especificar como seria o balanço perfeito entre a ordem e a desordem. Porque eu fiquei pensando "uau, eu sou muito confusa mesmo. Sou toda revoltada com normas e regras injustas, com limitação de pensamento e compreensão, mas ao mesmo tempo sou tão radical com certas coisas quando estão 'fora do lugar". Acho o fim da picada te olharem atravessado por se vestir de forma diferente, ou de forma semelhante, tanto faz, e abomino atitudes vistas na sociedade como "revolucionárias", "livre expressão". É algo como "sou contra a opressão, mas condeno certas expressões de liberdade".
Então, eu achei necessário definir essas coisas todas, não que eu tenha a presunção de que isso interfira na vida de alguém, mas para minha própria consciência e para deixar minhas ideias e opiniões minimamente em ordem, e aproveitar pra atualizar o blog.
A questão, é que todo texto bem estruturado que vinha se formando, se perdeu em uma viagem de ônibus, então, apriori, só posso expressar aqui um esboço simples que faça sentido para justificar minha cabecinha no meio do caos, tentando ter lógica (uma lógica que, talvez, ninguém tenha, e eu ainda me mato tentando construir uma). Sendo assim, lá vai:
O fato é que, ao menos a organização social que temos hoje não é boa. Não sei se seria possível um sistema justo para todos, mas se não pensarmos nessas hipóteses, não haveria esperanças e mudanças.
Penso que a ordem social de hoje é absurdamente nociva e maligna, já que os padrões que estão aí, estão aí sem que muitos percebam que se tratam de padrões, e o pior de tudo, sem que muitos, ou a grande maioria, perceba que essas situações deturpam não só a nossa vida capitalista, se sermos fodidos em não poder ter um plano de saúde decente por ser pobre, de a grande maioria não ter uma alimentação decente, que fica de bônus pra quem tem mais poder capitalista.
Não, não é só nisso que interfere, e somente isso já é uma prova e um incentivo a necessidade de mudar as ordens. Interfere no nosso psicológico, de um modo que nós deixamos passar sem perceber. Nos tornamos automáticos, robotizados, absolutamente racionais (uma racionalidade em termos, porque a razão acaba por si só sendo moldada pela situação), nos tornamos nervosos, doentes, impacientes, e práticos. Esquecemos de pensar propriamente. A vida se torna cada dia ais incerta, mais imediatista, mais curta, que pensamos só em aproveitar do jeito que está, mas acabamos por aproveitar o que a ordem quer que nós aproveitemos. Deixamos de aproveitar uma paisagem, um sentimento, minutos de paz, porque já não já paz tanto fora, quanto no nosso interior.
Minha nossa! Eu ia só resumir em poucas palavras, e acabei desvirtuando toda a ideia. Mas não deixa de ter ligação, não não, só que pra retomar o "fio da meada" ficou complicado. Acho que deve ter sido isso que me fez tirar uma nota tão baixa na redação do vestibular!
Mas então, diante de toda essa interferência negativa subjetiva, invisível, e quase viciante, não se pode dizer que o que está aí está certo. Mas também não concordo que tudo seja desorganizado. Porque, quando se fala em "desordem", se pensa logo em um "pandemônio". Concordo com a ética, com o bom-senso, com o respeito, principalmente com esse, concordo com a paciência, com a compreensão, e com a justiça.
É um pensamento egoísta, às vezes, porque se penso que um muro fica mais bonito e confortável pintado de branco, eu já tacho de perturbador alguém que ache bonito o mesmo muro pintado com desenhos tortos e sem sentido (ou com sentido, varia de opinião), considere isso arte. Eu não devia pensar assim, e considero este meu pensamento uma ideia abominável, mas ninguém é perfeito, e tenho certeza que TODOS tem esse tipo de pensamento em alguma situação. Mas talvez a tolerância fosse a solução, os espaços para cada um, mas sem exclusão. Sei lá, não é só porque tu não curtes rock que tu vais deixar de ser uma pessoa legal, e que vá deixar de aprender algo com alguém que curte rock. Mas no momento em que tu quer curtir tua música, e o outro quer curtir seu rock, cada um tenha o seu espaço, sem aquele olhar atravessado.
Então, a frase que me vaio à mente aquela hora no ônibus foi: "talvez nem ordem, nem desordem social, mas uma desordem ordenada [ tenho de admitir que fiquei alguns minutos escrevendo uma justificativa aqui, porque não lembrava do termo que tinha pensado no ônibus que explicitava perfeitamente minha ideia, mas acabei lembrando - mais um parênteses para justificar minha sinceridade].
Nisto caberiam as diferentes idéias, opções, preferências, com uma ordem baseada no respeito. Talvez a capacidade intelectual de grande parte dos humanos não permitissem esse avanço, mas tenho esperança de que somos capazes de evoluir a esse nível, e mesmo que isso jamais aconteça, ainda temos tal capacidade.
Onde não seríamos obrigados a ver um muro com desenhos que consideramos grotescos todos os dias, e não precisássemos nos matar por considerar algo grotesco. Penso que todos temos o direito de gostar ou não das coisas, e isto não implica em preconceito. No momento em que vivemos, isso pode implicar, quase sempre, em preconceito, porque as pessoas são intolerantes com os outros e consigo mesmas. Alguns acham que as coisas tem que estar em uma forma, se não estas coisas estão condenadas, e outros acham que porque o outro não aceita suas opções, o outro merece ser condenado.
Mais diretamente, pode se pensar assim: "tal homem considera subversivo o homossexualismo, e acha que o homossexual não tem nenhum tipo de moral etc. e não merecem respeito", mas o homossexual em questão, muitas vezes é tão intolerante quanto, "ele não concorda com a minha opção sexual, ele é um ignorante, de cabeça fechada, homofóbico etc. e não merece meu respeito". Num caso de intolerância mútua, é compreensivel atitudes aversivas, mas pensando de forma tolerante e respeitando o espaço do outro, não há problema em um humano não compreender a opção sexual de outro, e definitivamente não querer ver certas situações que considere perturbadora, assim como um humano homossexual tem o seu direito de praticar sua opção, sem atropelar o espaço do outro. "Não compreendo, mas aceito e respeito".
Mais uma vez desvirtuei o assunto.
Então, a desordem ordenada seria a utopia do respeito e aquele papo de "cada um na sua".



Mas, como diz certa música célebre, que ninguém conhece:

"No fronteras, no banderas, no a la autoridad
no riqueza, no pobreza, no desigualdad
rompamos la utopía, dejemos de soñar
arriba el mestizaje, convivir en colectividad."

3 comentários:

Leonardo disse...

A intolerância é "foda" mesmo. Parece que ninguém vê que somos todos praticamente iguais. Não há grande diferença física e nem mesmo mental entre o executivo e o mendigo. Entre o PhD e o analfabeto. Na maioria das vezes as pequenas diferenças são meramente circunstanciais. Somos todos muito pareceidos. Se as pessoas percebessem isso acho que haveria menos intolerância.

A uma certa altura, tu falaste em alguém considerar o outro "sem moral". "Moral" é uma palavrinha bem interessante. De uns tempos pra cá eu acho que eu não considero quase nada "imoral" ou "indecente". Acho o moralismo uma grande bobagem. Qual a tua definição de "moral"? Eu tenho dúvidas quanto à minha hoje em dia. Acho que a definição clássica de "moral" é repressora e estúpida.

Débora Freitas disse...

É, acho que "moral" pra mim tem uma ligação muito forte com respeito mútuo.

Bruno Gonçalves disse...

Débora eu estive aqui e gostei do seu blog. :]