segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Deveria ser maior.

Não é bem assim uma "restrospectiva", é que no meio de tanto pessimismo (que prefiro definir como realismo), é preciso olhar pra traz e tentar enxergar alguns ponto bons de um ano tão decadente pessoalmente.
A partir de abril, decaí horrendamente na minha melhora com os transtornos de ansiedade. Agora, com a praia que pareço lavar a "alma" de paz, de um pouco de alegria. Intimamente, o ano foi muito angustiado, e não vou destrinchar aqui todas as complicações mentais que passei em 2008. Como disse, quero relatar o que pode ser considerado bom, de algum ponto de vista, no meio de toda lama.
Estava eu aqui, tentando me tornar uma pessoa mais culta, mais entendida de assuntos relativos para a humanidade, e consequentemente a mim, percebi que teve algo que impulsionou uma grande transformação em mim, moralmente falando. Eu a conheci ano passado, mas só esse ano, quando me interessei um POUQUINHO mais pela minha faculdade de Geografia, que percebi o quanto conhecê-la estava me tornando uma pessoa mais crítica e inteligente. No sentido de comunicação, não porque continuo a gaguejar toda vez que sofro um comentário preconceituoso ou injusto, mas pelo menos tenho todas as respostas venenosas na cabeça, mesmo que meu nervosismo não me permita que eu as expresse.
Eu passei a ouvir Ska-P. Meu namorado não gosta porque é voz "latina no rock" (apesar de ser uma banda espanhola, mas já conscientizei ele disso), meu irmão não gosta porque "tem griteiro". É, ele não gosta de coisas que, em algum breve momento, não casem com a opinião dele sobre as coisas. A minha mãe diz que gosta, mas ela dizia que gostava de Nirvana quando eu gostava, e quando deixei de ouvir ela me revelou que, na verdade, não gostava e nunca achou Kurt Cobain bonito! Mas eu gosto. No começo, foi porque eu vi na mensagem pessoal de um amigo (amigo, sim, mesmo que nunca mais tenhamos nos falado): "A La Mierda - Ska-P". E lembrei "nossa, meu pai vive falando "a la mierda, caraco!", então pedi para que esse meu amigo me passasse alguns links da banda.
Então, foi o som diferente, aparentemente cômico, que me fez ouvir com mais frequência. E depois, depois de ter que decifrar um texto em espanhol pra faculdade, que percebi o que realmente tinha de bom, e de diferente na música do Ska-P. E passei a perceber que tudo (ou quase tudo) que era "gritado" por eles, eram os gritos que eu tinha reprimidos. Ou eram informações dadas de pontos de vistas diferentes dos comuns, informações que eu não levava em consideração por não me chamarem àtenção na forma em que eram divulgadas "cotidianamente".
Foi assim que, antes sem perceber, passei a viver uma transformação de meus conceitos, preconceitos, idéias, intenções e visões. Penso que essa "transformação" só está no começo, e não sei se ela será por completo, porque vivemos tanta enxurrada de informações maldosas, e vivências cruéis, que vez por outra acaba saindo de nossas bocas um comentário preconceituoso sobre as pessoas e situações. Mas estou aqui, firme, tentando passar por cima das toneladas de informações manipuladas que insistem em jorrar sobre a minha cabeça.
Isso me traz outro problema, ligado aos "transtornos de ansiedade", porque toda a vez que me pego sendo preconceituosa ou "saindo da linha que estou tentando seguir", me culpo, me martirizo. É algo que preciso aprender a conviver, porque seres humanos são falhos, e são mais falhos que outros animais, por usar o raciocínio, que por vezes, não é confiável. Sou um ser humano falho, e não adianta mais escrever como escrevia que "odeio ser humana". Porém, como sou falha, como qualquer ser humano, provavelmente virão vários textos de cunho "odeio ser humana" nos próximos anos.
Aprendi que estamos aqui mesmo, e foda-se. Se erramos, devemos procurar acertar. Outra coisa que percebi foi que discordo do capitalismo, acho (e na base, por enquanto, do "achismo") um sistema desonesto e degradante, mas fui consumida por ele. Sinto prazer em comprar, em sacanear. Principalmente em comprar, mesmo que meu poder aquisitivo não permita essa ação com frequência, o que, de certo ponto de vista, é bom. Posso dizer que cuspo no prato que como, e me lambuzo. Mas também, como blablabla seres humanos falhos, erramos. Erro nas atitudes, mas penso que minha consciência está bem remendada e segura.
Mais adiante, o fato de cada vez me tornar mais "anti-religião", me trouxe bons resultados. Não tenho mais medo de ser possuída, quando durmo sozinha, não tenho mais medo do "sobrenatural", quando estou lúcida. Em compensação, percebi que é tão fácil morrer, que hoje tenho medo de morrer daí a dois segundos, sem ter feito absolutamente nada de produtivo. E isso não é um simples relato. Cada vez que dói a cabeça, comunmente, me dá um medo súbito de morrer ali, entre outros.
Criei algumas amizades. Sempre distantes. Ontem mesmo, comentei com o Bruno que me sinto um "bichinho" quando estamos em um meio social, porque todas as pessoas em volta têm um enorme círculo de relacionamentos, e eu não. Mas por outro lado, não sinto a mínima falta do cinismo que um círculo maior de relacionamentos me proporcionaria. Criei amizades virtuais, sim, e não tenho vergonha de admití-las, mesmo sabendo que muitas pessoas achem isso uma atitude "infantil", ou "falsa", sei lá quais outros adjetivos esses "grandes sociáveis" dão a isso
Bom, acabei de interromper o texto para ir almoçar, e esqueci o que tinha lembrado de possíveis pontos positivos do meu ano.
Sempre, sempre espero uma fase melhor. Digo fase porque para mim, o ano novo começa dia 20 de fevereiro! Espero passar por mais um ponto da minha transformação como pessoa humana, social, e espero dar um jeito de sacudir minha vida pessoal, mental.

E, se faz diferença pra você lhe dizer só no fim do ano que desejo um futuro saudável a você, um feliz Ano Novo.





E hoje, faltam 96 dias para o centenário.
Será um FELIZ ano novo, hehehe...

2 comentários:

Leonardo disse...

Anxiety, depression, loneliness... our mind plays tricks on us all the time.

Mr. Cortex disse...

Gostei muito desse blog... (((((:
Muito mesmo!!