sábado, 18 de julho de 2009

Mais uma cutucada na “liberdade de imprensa”.

O ultimo texto que escrevi pro blog falava da parcialidade da imprensa de massa, e não sei se na mesma semana, mas sei que no mesmo, houve uma decisão do Ministério Público, ou Senado, ou STJ (tenho o péssimo hábito de ouvir só as partes com conteúdo das notícias, e já que a política do Brasil não tem conteúdo, hehe) de que para ser ou trabalhar como jornalista, não é mais obrigado ter curso superior na área. O ministro Gilmar Mendes alegou que a exigência de diploma para trabalhar na área vai contra a liberdade de expressão, o que faz sentido no meu ponto de vista, mas não se pode negar que a decisão minimiza a profissão.
Bem, na verdade, talvez não.
Eu li esses dias uma coluninha no jornal da cidade, o Jornal Agora, em que o cara lá, jornalista (que por sinal, fez questão de listar toda sua formação no final da coluna, talvez querendo dizer que só por isso, sua opinião fosse mais relevante), alega que o jornalista deve ter formação superior, porque o curso de Jornalismo tem disciplinas que tem por objetivo capacitar o formando a organizar informações, disciplinas que debatem a Ética, e blá blá blá.
Mas qual a importância dessas disciplinas? O universitário não se torna uma pessoa com ética e moral acima de julgamentos só porque cursou tais disciplinas e recebeu nota acima de sete para conseguir o diploma. Não é uma disciplina na faculdade que torna uma pessoa capaz de absorver e definir que informações são ou não são significativas. O que define isso é a ética e a moral do cidadão, estas que, por sua vez, não são construídas em um semestre ou um ano, baseadas numa disciplina de universidade.
Acredito que a exigência de um diploma na área do jornalismo para trabalhar efetivamente nos veículos de informações, vai continuar sendo uma valoração da capacitação profissional do sujeito. Existe uma cambada de gente sem emprego (inclusive eu), que procura um lugar em qualquer lugar minimamente digno no mercado, e a seleção dos profissionais é, e vai continuar sendo, cada vez mais baseada na formação do candidato. Isso quer dizer: jornalistas, não sensacionalizem (mesmo que isso seja da natureza de vocês)! Vocês vão continuar tendo seus empregos, e os estudantes de jornalismo vão continuar um passo à frente dos rélis mortais sem formação superior na busca do seu emprego na imprensa.
O que muda é que agora toda a opinião não precisa mais ser filtrada e manipulada, ou deixada de lado porque a imprensa não acha relevante divulgar. E a importância de um fato ou um ponto de vista não vai ser determinada pelo ponto de vista do jornalzinho da TV. Aliás, isso também vai continuar, porque a mentalidade da sociedade, sendo formados ou analfabetos, não muda com uma lei ou uma decisão do Senado ou da “Justiça” brasileira.
Eu fiz a disciplina de Ética Profissional ano passado, então eu sou uma pessoa absolutamente íntegra e meu ponto de vista é o ponto de vista que o povo merece ouvir. Minha opinião sobre os fatos é a visão que o povo precisa ter para compreender. Só depois de eu receber a informação, processa-la e formar uma notícia imparcial (imparcial, porque eu fiz a disciplina de Ética!), aí sim, o povo será capaz de compreender o significado das coisas, o comum sem formação superior será capaz de absorver os fatos que correm pelo mundo.
Isto foi uma ironia. Da minha parte.

Um comentário:

Nóbrega disse...

Encontrei seu blog pelo do Leonardo.
mas vamos lá...

Eu sou a favor da não necessidade de diplomas para trabalhar em jornais, em mídia, enfim. Por alguns motivos:
Um é muito simples, Jornalismo não é ciência. Não que isso encerre tudo é claro.

Mas não sendo uma ciência com metodologia específica e pré-requisitos, o que me difere (faço História) de alguém que tem diploma de jornalista?

Cadeira de Ética eu também tive na minha formação. E como vc disse, uma cedeira dessas não altera em nada a integridade ou forma a ética de alguém...baboseira esse argumento que alguns desavisados dão.

Bem, o grito do discruso acadêmico sai de onde? Bem, se levarmos em consideração que o número de faculdades de jornalismo privadas são infinitamente superiores as universidades públicas, temos uma resposta aparecendo. O din-din provavelmente vai deixar de entrar em muitos bolsos.

O curso precisa continuar existindo, não que deva ser extinto, óbvio que não, mas acreditado ter sido um passo importante a não exigência do diploma, pois coloca em pé de igualdade aqueles que não tem o curso, mas escrevem tão bem e são tão "capacitados" quanto que o tem.

Somente uma coisa me intriga, que foi uma afirmação de alguém do sindicato dos jornalistas de Brasília se não me engano: "Deixamos de ser uma classe para ser um amontoado"
Ok, até pensei bastante nisso, mas acho que houve exaero no "amontoado", pois não vão deixar de existir gente trabalahndo na área. Os jornais vão continuar existindo e empregando gente.

Enfim, daria para escrever bem mais coisas, mas fico só a questão da ciência nesse momento.hehe

Um abraço e voltarei mais vezes aqui!