sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Solidão e silêncio não são crimes.

Por que as pessoas se apavoram tanto com o silêncio, com a solidão? Por que parece tão estranho quando alguém quer ficar sozinha ou sem falar? Todo mundo já quis um dia ficar sozinho, e muitos querem e nem se dão conta disso!
Todo mundo já quis ficar quieto um dia, todo mundo já sentiu raiva de alguém na vida. Todo mundo odeia alguém. Por que todo esse alvoroço quando a gente expressa uma dessas vontades, ou age de acordo com essas vontades? Todo mundo fica abismado e fofocando quando vêem alguém fazendo coisas que todo mundo queria fazer, mas não faz; não faz talvez para justamente poder falar mal de quem faz. “Não é educado”. Claro, o que é educado é você fazer o que não quer ou deixar de fazer ou dizer o que quer para não “colocar em discussão a opinião do outro”.
Nós deixamos de fazer coisas que a nossa vontade pede para cedermos à conveniência da sociedade. Aqui não estou discutindo situações que coloquem em risco a vida ou o bem estar físico e social das pessoas, mas sim reações cotidianas que são apontadas e criticadas se você as tem em público. Querer ficar calada em um happy-hour, querer ficar sozinha no fim de semana, sentir raiva de alguma situação que vai contra as suas vontades (meramente sentir raiva e admiti-la verbalmente ou em expressões faciais, e não sacar uma arma e explodir os miolos de qualquer um que diga que é verde o que você diz que é vermelho), discutir verbalmente em público.
O que tem de obsceno em chorar? As pessoas são excessivamente pudicas com as ações mais humanas que alguém pode ter. Sentimentos, opiniões, vontades, são os mecanismos mais humanóides que alguém pode ter, mas expressá-las é considerado algo fora dos padrões. Muitos não se constrangem com filmes de sexo explícito, mas são profundamente críticos e seletivamente educados quando se trata de presenciar alguém chateado ou discutindo questões sentimentais.
Julgar o outro é um grande erro, mas muitas vezes é um erro inevitável. Mas qual é a “moral” de julgar o outro sem que o parâmetro seja você mesmo? Quando você for julgar alguém, alguma atitude ou reação, tome como base você mesmo, mas sem hipocrisia, que você vai perceber que ao menos uma vezinha queria ter tido aquela reação ou tomado aquela atitude, aí sim você vai ter a reação correta quando ouvir alguém falar que quer ficar quieto, sozinho.

Um comentário:

Leon disse...

Oi Débora
Gostei muito do blog e varios posts.
Uma otima representação do cotidiano e da vida em geral.
Muito bom mesmo!
Eu vi que és de Rio Grande.
Sou pelotense.
da uma olhada la no blog ,se puder mandar teu e-mail para conversarmos seria ótimo.
parabens pelo trabalho,um beijo