terça-feira, 19 de junho de 2012

Rio +20


Quando anunciaram os preparativos pra Rio +20, gerou-se uma mobilização de propagandas e manifestos, reportagens, etc. sobre o futuro do planeta, alternativas sustentáveis de desenvolvimento e outros diálogos em relação às propostas e resultados pós a Rio 92.
Hoje estamos vendo noticias de que a maioria dos governantes mundiais estão transformando a conferencia em nojentas pizzas que acreditávamos que somente a política brasileira era capaz de produzir. Aquele jogo de empurra, valorizando o desenvolvimento ECONÔMICO e CONSUMISTA. Os países mais pobres não querem “pagar a conta” da sustentabilidade e não poder gerar e gastar dinheiro com padrões de vida vazios e consumistas, onde o objetivo de vida das pessoas é somente adquirir bens. Muitas vezes, justamente bens que vão totalmente contra a perspectiva de recuperação do meio ambiente que necessitamos.
No caso brasileiro: esses dias eu estava vendo um terrível programa de humor do canal mais popular do país, e uma “piada” me chamou atenção: o programa abriu com uma personagem dizendo que o Brasil enche o peito para dizer que tem riquezas naturais, que é referencia em pesquisas que visam a sustentabilidade, mas o principal projeto do governo tem sido incentivar o consumo de automóveis, reduzindo taxas e valorizando financiamentos.
 No lugar disto, deveria estar investindo em transporte público de qualidade, que fizessem a população, que por décadas sonha com um carro confortável, considerar utilizar o transporte coletivo, com maior frota, maior conforto e agilidade. Investimento na mobilidade urbana, para que estes objetivos possam ser alcançados. Espaço para as bicicletas, de fato, pois o que vejo são motoristas reclamando da conduta dos ciclistas e ciclistas reclamando da falta de espaço. O investimento na educação entra neste setor e em todos os outros da vida pública e coletiva saudável.
No final das contas, são os governos e a mídia que inserem no povo a necessidade de consumir e poluir. Não entendo de onde surgem hoje tantos manifestantes atrás de melhora da saúde do planeta. Na verdade, o que mais vejo no dia a dia são pessoas preocupadas com o seu particular. Mas se estão acontecendo tantas manifestações, tantas críticas com a atitude dos políticos perante a saúde do planeta, porque esse povo, de todo o mundo, hoje quando vê a palhaçada dos documentos produzidos pela Rio +20, conduzidos pelos governantes dos países mais poderosos do mundo, não se levantam nas urnas e dizem NÃO, com o instrumento pacífico que possuem em mãos do voto, a esses sistemas políticos de valorização do dinheiro, dos gastos, do consumo?
Por favor, deixemos de lado os discursos bonitos, os compartilhamentos vazios no Facebook, e até as marchas sensacionalistas nas ruas, e usemos de fato a democracia que temos para mudar, votar em outras propostas, mas OUTRAS propostas MESMO, não aquilo que fizemos em 2002. Na verdade, fomos ingênuos em 2002. Votamos em uma proposta dita revolucionária, que valorizava a pessoa, o trabalhador, mas que 10 anos depois vemos que este era apenas o pano de fundo para impulsionar as empresas, os EMPRESÁRIOS, a indústria do consumo. O que melhorou para a classe pobre que subiu para a classe média? Trabalha muito como sempre, a diferença é que agora elas têm um carro novo, uma geladeira nova, um microondas. A saúde continua patética, a educação continua desvalorizada e o humano e o coletivo, continua deixado pra trás.
Se a democracia não funcionar, aí sim, vamos protestar e coletivamente buscar reconstruir o mundo justo e saudável que merecemos. Nos países onde não existe democracia, muitos já fizeram e estão fazendo isto, lutando pela sua vontade.

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