domingo, 8 de outubro de 2006

Após ter lido “ A punk Manifest”, de Greg Graffin



"É triste conhecer a situação do mundo, e a maior parte dos seres humanos ignorarem esta realidade. A verdade está mesmo escondida atrás dos cérebros inutilizados e dominados. Não culpo os “governantes atuais” por isto. Este foi um processo longo e quem sabe, até os poderosos foram manipulados pela situação imposta desde os primórdios, e não conseguem abrir a mente e entender para onde a falta de uso cerebral está nos levando.
Graffin expressa no texto citado no começo, grande parte das questões que conturbam meus pensamentos, que muitos classificam de vazios, por não conterem expressões matemáticas e processos químicos decorados. Impressionei-me com as letras das canções do Bad Religion e tomei um esforço de pesquisar a respeito das idéias de Greg Graffin e me interessei, porém, admito ser “acomodada”, deixei de lado.
Acho bastante interessante e inteligente as ideologias do Punk. Mas alguns pequenos fatos que venho presenciando, me fizeram pesquisar e analisar o que é Punk e o que é ser punk.
Sem nenhum conhecimento concreto do que são os princípios do verdadeiro Punk, o que nos leva a ser punks ou o que seriam atitudes punks, criei uma opinião própria a respeito do vandalismo de pseudo-punks e dos breves conceitos populares que encontrei do Punk. Coisas como “aparência suja, roupas pretas” e violência. Além do fato de ser discriminada em comunidades “punks” por não ser como os integrantes, não agir como eles, pensar diferente deles e eu tentar viver (com bastante esforço) normalmente na sociedade. Passei várias horas dos meus dias com essa idéia na cabeça: “movimento Punk não está ligado à quebra de regras? A abrir os olhos da humanidade e tentar mostrá-los a verdade? A serem seres relativamente sociáveis para conseguirem compreensão geral, sem perder seus conceitos? Será que ser punk é fazer um moicano, usar roupas diferentes e sair por aí quebrando e gritando ‘viva a anarquia’ e discriminar pessoas com diferentes opiniões?”.
Diante destes primeiros questionamentos, me desiludi com a ideologia Punk. São mais um bando de sem cérebro que acham que são maiores por supostamente contrariar a sociedade. Quase achei melhor cair no mundo e aceitar tudo sem pensar. Talvez seja possível aceitar, tento este termo como forma superficial, aparente. Viver e colaborar com o sistema apenas porque é necessário, porque não podemos ir para Júpiter e criar uma nova sociedade, livre de padrões, regras e mentes manipuladas. Mas dentro de si, ter consciência mental de que enxergamos a verdade e que fazemos o possível para que nos entendam.
“Punk” é apenas um termo usado para designar as pessoas que não deglutem as informações e idéias estabelecidas, e têm capacidade de entender e encontrar as falhas da humanidade. Infelizmente, como qualquer movimento ou pequena sociedade que se torna conhecida, em qualquer espaço de tempo (grande ou curto) é mastigado em forma de informação viável, padronizado pela sociedade para serem “mais um”. Com esta situação, em relação ao Punk, mais manipulados são os que aceitam o status de “bandidos sujos e violentos”, distorcido pela rede de meios de comunicação.
Depois da leitura de “A Punk Manifest”, tomei conhecimento de que toda a idéia que eu mantinha em minha mente, ainda muito difusa e sem bases, não era tão erronia. Minhas indagações do que era realmente ser punk e meu conceito criado sem nenhuma fonte, faziam sentido. Minha crença de que o Punk (sem regras) era o modo do ser humano refletir e pensar, que ser punk estava no interior, nos idéias. Esta minha crença que foi atingida pelas visões de vandalismo que meus mais profundos amigos designaram “punk”, e que todo o resto do pequeno meio que convivo, também a consideravam.
Agora com um pequeno alicerce, volto a acreditar que o Punk é feito de pessoas que sabem, quem entendem o que está errado, que pensam antes de se afundarem e enquadrando-se no lugar no sistema. Se mostrar punk, é ser capaz de conviver e dialogar com pessoas de idéias diferentes, É provar superioridade, mostrando que somos capazes de trabalhar no meio de um mundo adverso, capazes de revidar com as mesmas armas racionais, É conseguirmos não sermos influenciados pela pressão social que impõe o que eles querem que sejamos. Mostrarmos inteligentes o suficiente para que a humanidade abra os olhos e enxerguem e acreditem na verdade. Verdade que está oculta dentro de todos nós e que talvez até os verdadeiros punks ainda não sabem representa-la. Mas entendem que ela existe.
O progresso “final” do pensamento Punk é uma idéia muito utópica, pois é quase impossível abrir os olhos de milhões de seres humanos limitados pela alienação, seres involuntariamente adaptados. Alerta-los de que eles são mais que peças, antes disso, mais difícil ainda é convence-los de que SÃO peças, porque, ao que me parece, é da natureza humana se sentir pensante, sem ao menos perceber que há muito mais a se preocupar do que com pagar as contas.
O que digo não é “não coma e morra de fome, mas pense”. Digo que é necessário se submeter ao sistema mundial, mas não somos obrigados a realmente acreditar nas formas impostas. Precisamos raciocinar para um dia conseguirmos trair com sucesso, esta sociedade que tanto coloca em prova nossa capacidade e que tento subestima nossos pensamentos. Precisamos fazer por merecer.
Quanto aos pseudo-punks, eles não conseguirão denegrir mais ainda nossa imagem diante do cenário mundial. Eu prefiro ficar sem o rótulo “punk”, do que ser vista como mais uma encaixada em seu posto.


12 de setembro de 2006.
15h 49 min."
Link da tradução do texto de Gregory Graffin:

Um comentário:

William disse...

Sem palavras.