sexta-feira, 19 de junho de 2009

A Relatividade das Imprensas de Massa

È engraçado ver a abordagem da mídia diante de uma repressão violenta, dependendo do lado em que se defende.
Vi hoje o tom "recriminativo" com que a imprensa que domina o Brasil tratou a violência do governo iraniano com as pessoas que protestavam alegando fraude na eleição iraniana. Ok, opressão nunca deve ser apoiada. Mas espere aí, quando a violência é oprimindo algum protesto amargo contra os que a imprensa encobre, tais notícias são tratadas com impassividade. Quantas vezes já vimos noticias mais monstruosas e que atingem tão mais diretamente nossas vidas, que não foram tratadas com a mesma "militância" pela imprensa, se bobear, passando muito batidos pelo noticiário.
Cuidado com as notícias, cuidado com a parcialidade sutil da imprensa, que isso sim molda suas opiniões sem você nem perceber, e aí é o passo para reproduzir os pensamentos que governam desigualmente nossa sociedade.
Eu não tenho posição quanto à situação do Irã, e nem conheço a posição política de cada candidato de lá, só sei que não se deve formar uma opinião baseada no ponto de vista e nas insinuações das imprensas de massa. Não é pensamento conspiratório, só não enxerga quem não quer que as imprensas de massa trabalham para o lado mais inclinável, em todos, ou em algum aspecto para a reprodução social e ponto de vista conveniente.
Quando a imprensa reivindica a liberdade, é a liberdade de ela dizer o que quer para as grandes massas, e não liberdade de expressão. A liberdade de imprensa só aparece sendo reivindicada quando a imprensa de massa, por alguma forma radical, é silenciada, ou proibida de dizer tudo o que quer que você acredite.
As opiniões diversificadas e a imprensa alternativa, que pode te dar vários pontos de vista e você decidir qual defender e acreditar, essa vive reprimida, e não consegue vozes para ser ouvida e reivindicar à liberdade de imprensa que esqueceu dela.
E aí, tudo cai no círculo vicioso. Até mesmo você. E eu.

Hoje a gente vê todas as críticas a governantes que não são coniventes com o sistema vigente. Ouvimos falar de tudo de mal que eles fazem ou dizem que pensam. E todos aqueles que são os "figurões" da "boa-mocice" e do capitalismo, sempre aparecem na postura honesta, justa, cobertos de sensatez e racionalização.
Isso não é coincidência. Dá pra ver num exemplo simples e chulo, como nas notícias esportivas, a parcialidade com que a informação é transmitida pelas imprensas de massa. E será que a parcialidade só se restringe a isso? Será que os times de futebol de São Paulo e Rio de Janeiro são mesmo os melhores e mais fodões e perfeitos? Será que Evo Moralez e Hugo Chávez são tão monstruosos assim? E será que Sarkozi e Obama são tão moralmente superiores assim?

2 comentários:

Leonardo disse...

Com certeza a imprensa mostra o lado que quer das coisas. E não é só no Brasil. Aqui na Itália chega a ser ridículo, com o primeiro ministro sendo dono de praticamente todos os canais de TV aberta privados. Além disso, enquanto ele está no governo também tem controle sobre a TV pública. Ou seja, o Brasil é bem mais democrático que a Itália.

Sobre os times de futebol, claro que oe do RH e SP não são os "mais fodões". Quem está vivo na Libertadores? Grêmio e Cruzeiro. Quem está a frente no Brasileiro? Atlético-MG e Inter. Por essas e outras que o inter precisa muito ganhar a CB. Por essas e outras que se fosse o São Paulo a enfrentar o Grêmio eu torceria pelo Grêmio. E não entenso os gremistas que torcem pelo Corinthians contra o Inter.

Leonardo disse...

Ah, ainda sobre a mídia, eu acho a BBC de Londres um raro exemplo de jornalismo imparcial. Eu já vi os caras entrevistarem líderes iraquianos e palestinos e questionando duramente os dois lados, sem favorecer ninguém. Eu não sei se existe jornalismo imparcial, mas do que eu já vi, a BBC é o canal que chega mais perto.