quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Michael Jackson e o Italiano

Cada dia que passo me impressiono mais com o povo brasileiro. Acredite, sempre que consigo e é possível, tento me despir de qualquer preconceito, mas, às vezes, até para enfatizar os absurdos, acabo (e todo mundo acaba) generalizando. Fiquei pasma com o que vi na TV nesses dois últimos dias; vou narrar a história sob meu ponto de vista baseado nas informações obtidas:
Um turista italiano estava com a filha e a esposa em uma piscina coletiva de um hotel em uma praia do nordeste brasileiro, quando dois cidadãos se revoltaram com o afeto explícito entre a família. O pai, notavelmente aproveitando suas férias com a família, se diverte no calor e na água com sua filha e lhe dá um beijo.
Entre muitos hóspedes que estavam ali, entre muitos empregados e segurança que ali estavam, apenas estes dois cidadãos sentiram-se atacados em sua moral e relatam abuso sexual por parte do pai italiano [provavelmente esses dois cidadãos nunca tiveram afeto da família e, ou realmente se surpreenderam com uma atitude de carinho como um selinho, ou sentiram inveja e rancor da família feliz e decidiram se vingar].
A defesa do italiano foi absolutamente óbvia: se tal pai tivesse a intenção de molestar sua filha, não o faria em um local público cercado de pessoas, além da alegação de que na Itália esse ato de carinho é extremamente comum [convenhamos, aqui também vêm se tornando; zilhões de celebridades fúteis vivem se dando beijinhos, e até mesmo eu dou uns amassos na minha mãe de vez enquando].
Será que o crime não está do lado oposto? Hoje temos a convicção de que turistas estrangeiros vêm ao Brasil para aliciar mulheres e jovens para programas sexuais. Por ser um italiano, dando um beijo em uma criança, a mente preconceituosa de alguns brasileiros não interpretaram como um atentado sexual apenas por essa generalização?
Isso não é xenofobia?
Bom, não quero defender a parte de ninguém aqui, cada um conclui o que quiser dos fatos, mas não vi em nenhuma parte da imprensa esta hipótese de xenofobia, mas se fosse um brasileiro em outro país seria “oh, que preconceito”, como foi com aquela mulher “com transtornos mentais” que se mutilou e jogou pelos quatro cantos do mundo um ataque xenófobo na Suécia, quando na verdade... bom, mais uma vez, tirem suas conclusões.

Coitado do Michael Jackson! O carnaval que estão fazendo em cima do cadáver congelado há setenta dias dele, é uma piada vergonhosamente humana. Esse passou a vida toda sendo condenado por cada passo que dava, passou a infância apanhando do pai, e a família está a setenta dias chorando, e arrumou lágrimas para mais uma cerimônia sensacionalista.
Os noticiários agora largam a manchete “o astro que foi vítima de homicídio”. O povo tem que arrumar um culpado pra tudo, e a família tem que arranjar alguém pra responsabilizar e conseguir uns trocados, quem sabe. Eu vi entrevistas, destas que jorraram na TV esses dois últimos meses, em que o Michael Jackson assumia que estava viciado em anestésicos e analgésicos. Se o coitado do médico recebe uma ordem do “rei do pop” para acalmar sua vontade de dormir, o médico é quem leva a culpa?
Como está acabando a folha de papel, e eu daria muitas voltas e faria muitos comentários a cerca do meu ponto de vista, para no fim das contas você tirar sua própria conclusão mesmo, termino por aqui!


04 de setembro de 2009/ 17h32minh

3 comentários:

Luís disse...

tem umas coisas que acabam soando até como ironicas, né? HAHA

Rodrigo Dias disse...

Oi...

As pessoas são estranhas, definitivamente. Precisam de alguém ou algum assunto para direcionar as suas frustrações, acho eu. Há pouco tempo atrás era o H1N1 e o Sarney, este que vi ultimamente apenas em algum jornal do Amapá.

"Italiano que beijou na boca a própria filha falou por telefone e já foi para Roma." - Verdes Mares

Não sei se foi a minha impressão, mas parece que essa chamada dá a entender que beijar a própria filha é um agravante. Bom vou finalizar por aqui, pois acho que estou completamente perdido no assunto (por isso que geralmente não comento... muitas palavras ocas).

Quanto ao Michael, não sei se você viu estampada na capa da Piauí de julho a seguinte frase:

"EXCLUSIVO! Nenhuma linha sobre Michael Jackson".

Crítica... (mas não deixo de ver alguma ponta de oportunismo).

Enfim...espero não ter demonstrado excessivamente a minha presença...

Tchau.

Rodrigo Dias disse...

Débora...

É eu também preciso de psicóloga (fora o psiquiatra, que me chama de nerd e diz que meus planos são entediantes). Bem, sempre uso a defesa que os meus sintomas psiquiátricos são alguma reação perante esse mundo doido.

Eu vou tentando aos poucos lutar pelas causas perdidas (por enquanto só reunindo ideias desordenadas)

As causas ganhas são muito chatas.

Obrigado pela visita e seja sempre bem vinda

Abraço