sábado, 24 de janeiro de 2009

Ape shall not murder.



Será que somos mais evoluídos que os macacos?


Não tenho conhecimento profundo do assunto, até porque esse blog é absolutamente informal, então, não vou trazer aqui evidências científicas, comprovações laboratoriais ou informações retiradas de livros. Meus textos, na maioria das vezes, são baseados no empirismo e em alguma coisa (muito pouca coisa) que aprendo na universidade. Uso meu blog pra expor minha opinião, minha visão e minhas idéias sobre determinados assuntos, ou até mesmo sobre a vida, a minha vida.


Então, esses dias eu estava vendo na Tv, não lembro a situação, programa, só lembro que eram um grupo de 3 ou 4 macacos que aparentavam estar em profundo momento de carinho (sem apelo pejorativo), e fiquei pensando: será que estamos certos quando intitulamos atitudes louváveis que costumam acontecer com pouca frequencia entre os seres humanos de "humanas"?


Compreende? Quando prestamos solidariedade [apenas em casos de extrema necessidade], quando damos um abraço, dizemos "obrigado" e pedimos desculpas, dizem que isso é ser "humano", são atitudes "humanas". Por quê? Por que, já que essas atitudes são tão raras entre os humanos [e isso é fato, porque cada vez que alguém ouve um "obrigado", fica de boca aberta], dizer que "temos de ser mais 'humanos' para o mundo tomar jeito"? Por que temos de definir tudo o que é justo e bom, como sendo atitudes "humanas"? [hmm, mas também pode ter relação com Humanismo, mas vou fingir, e espero que o leitor também finja, que essa relação não existe com tais termos]

Até cristãos, que colocam "Deus" acima de tudo e detentor de toda a bondade e justiça, também usam as frases "você tem de ser mais 'humano", quando se referem a atitudes generosas e amáveis. Não seria "você tem de ser mais 'divino"? Bom, deixa esse lado pra lá.

Vivemos em guerras, em níveis do microcósmico até o macrocósmico, vivemos distinguindo, avaliando, ignorando outras pessoas, vivemos cheios de orgulho, só praticamos a solidariedade quando surge alguma situação de comoção ampla, alguma tragédia.


Não costumamos dar um abraço a quem estimamos todos os dias, qualquer um que estimamos. Não costumamos agradecer uma atitude sensata para conosco, muito menos praticar atitudes sensatas para com os demais. Não costumamos catar os parasitas da cabeça ou da vida das pessoas do nosso lado. Não costumamos nos divertir sem dar uma olhada de canto, pra conferir se o do lado está se divertindo menos que nós.

Por que me vem falar de ter atitudes "humanas"? Se eu fosse ter atitudes "humanas", eu certamente estaria lá fora com uma pistola automática na mão, atirando em qualquer um que não respondesse minhas perguntas da forma que eu quero que me respondam, estaria no front, numa guerra de fúteis gostos, numa guerra de fúteis escolhas.


Mas não, eu tento, cada vez mais, ter atitudes primatas. Tento cada vez mais, ou o mais possível nesse mundo por demais humano, abraçar pessoas queridas, sem esperar um "obrigado", mas fazer questão de agradecer cada demonstração de afeto e preocupação que se tem a mim. Tento cada vez mais me preocupar com o bem-estar das pessoas estimadas, catar seus piolhos. E tento pular cada vez mais alto no meu cipó, sem me preocupar obcessivamente em que o meu colega ao lado não pule mais alto que eu.


Talvez a solução do mundo esteja nas atitudes de espécies do Reino Animal consideradas menos "racionais", animais "irracionais" não pensam, não pensam nas besteiras e futilidades que os humanos pensam. Não estão preocupados em pisotear o companheiro de espécie por puro prazer, não estão preocupados com as escolhas dos outros e muito menos odeiam por odiar. Estão apenas vivendo.



[Não pensem que eu considere os macacos, animais livres de qualquer defeito, obviamente que não, mas como eles são tão usados em "piadas", em comentários irônicos, ou até em discriminação humana, é um bom exemplo a se pensar sobre o fato de que não somos tão melhores, ou somos até piores, que qualquer ser vivo, inclusive os "primatas"] - [hmm, e acho que esse post poderia ficar mais completo... mas, xápralá]







2 comentários:

Leonardo disse...

Eu também tento "ter atitudes primatas", como tu diz. E querendo ou não, eu e tu somos humanos. E acho que não somos só nós dois que somos assim. Então, ainda acho que há esperança de que o adjetivo "humano" seja algo bom. Se algum dia eu perder essa esperança, eu vou morar isolado em alguma montanha ;-).

Mas entendo a tua indignação. Temos visto muitas imagens horríveis, e não é de hoje. Mas também existem muitas imagens bonitas. Só que essas não vendem jornal. Ou então eu que sou um bobo otimista.

Beijo pra tu!

Mr. Cortex disse...

Citando: "Compreende? Quando prestamos solidariedade [apenas em casos de extrema necessidade], quando damos um abraço, dizemos "obrigado" e pedimos desculpas, dizem que isso é ser "humano", são atitudes "humanas". Por quê? Por que, já que essas atitudes são tão raras entre os humanos"(...)
Nossa... Tens muita razão... Ao ler isso pensei em todas as vezes que falei em "tratamento mais humano" para isso e para aquilo... Quando na verdade, tal tratamento "humano", é uma característica rara na humanidade.
Acho que a escassez destas atitudes na sociedade humana é fruto da maneira como evoluíram nossos tabus, nossos relacionamentos e jogos sociais, com forte influência das religiões, das crendices e da forma como estruturamos o "poder". Biologicamente todos os seres humanos saudáveis - acredito eu - são recompensados por atitudes afetuosas e pacíficas. Em alguns casos, a agressividade também é passível de recompensa (e nos demais animais isso tb é uma verdade), mas deveríamos ser inteligentes o suficiente para dirigir e extravasar esta agressividade de uma forma adequada... Pena que não é o que acontece.
Questionam muitas coisas em Filosofia da Mente, tal como livre-arbítrio, subjetividade, imagens mentais, etc... Deveriam questionar tb se somos realmente inteligentes da forma que pensamos ser.