sábado, 4 de abril de 2009

100 anos de Glórias.


Ah, Colorado!

Não resta nada escrever aqui. Tudo já foi escrito com suas glórias, seus troféus. Me resta declarar meu amor por ti, que muitas vezes nem eu tenho dimensão do quão é grande.


Meu pai é Colorado, meu irmão é Colorado. Desde pequenininha, eu via meu irmão se debater no chão com alguma derrota, gritar desesperadamente com as muitas glórias, e aquilo apenas me assustava. Eu era colorada só "no sangue", mesmo.

O que eu me lembro é que lá com uns doze anos, eu tive uma fase de ouvir alucinadamente os jogos pela rádio Gaúcha, lá no meu quartinho, sofrendo escondidinha. Com a chegada da adolescência, isso passou. Todo mundo sabe como é ser adolescente. Nos homens, essa fase pode até aflorar o futebol, mas com guria, isso muito dificilmente acontece.

Então, eu me lembro sentir Colorada, lá por 2004. A vida não andava lá essas coisas, e a gente sempre arruma o que se distrair com o futebol. Daí em diante, só foi crescendo meu amor, de fininho.

Eu não demonstrava muita paixão. Nunca tive muita grana, então nem camisa do Inter eu tinha. Meu irmão achava até que eu era gremista, vivia me enchendo o saco com isso. Aí veio a Libertadores, e o Mundial. Eu nunca vou esquecer do dia do Mundial. Eu fui fazer uma prova pro CTI (Colégio Técnico Industrial), fiz o máxio para parecer Colorada: blusa vermelha, bermuda branca e All Star branco. 9:30H, era o horario mínimo pra sair, bateu no relógio e me fui. Cheguei na parada quase 10h, o ônibus não chegava nunca. Eu escutava foguetes e não sabia se eram meus parceiros ou os secadores, batia o desespero. Quando começaram a passar carros na Av. Itália, com bandeiras, buzinando, eu não sabia o que fazer. Queria abraçar qualquer um que estivesse na parada, queria gritar, pular! Mas precisava me manter uma pessoa civilizada (¬¬).

Me perdoem as amigas gremistas que tenho, mas tinham duas PUTAS na parada falando merdinhas, que eu tinha cada resposta venenoza pra largar... mas não, a civilização! "Coitadinhas, nem sabem o que é futebol, nem eram nascidas quando o timinho delas ganhou a Intercontinental... deixa, tadinha".

Quando chegou o ônibus, subi; quando ele chegou na vila, já vi a festa, então, desci direto no meu pai. Cheguei lá e me agarrei no mano e desatei a chorar, chorar, chorar, que só de lembrar, já me dá vontade de chorar de novo, o pai fazendo a barba, fui lá abraçar ele, e começou a chorar também. Aí o mano me disse "porra, só tu pra fazer a gente chorar mesmo! Agora dá pra ver que és Colorada!". Foi um dia lindo, inesquecível, e ele vive na minha memória, porque eu VIVI, saca?

Bom, temos ainda a revolta do campeonato Brasileiro roubado de 2005, tem os Gauchões. E ah, a Sulamericana.

Por revolta do destino, namoro a um ano e meio um gremista que amo demais, e fui assistir a final da Sulamericana na casa dele (não me pergunte o porquê). Quando acabou, me agarrei no pescoço dele e chorei, sabe, eu estava puta feliz, não tinha com quem dividir. Bom, nem preciso contar que a noite foi um pra cada lado da cama, ele emburrado e eu com um misto de alegria e raiva pela incompreensão dele.


Nossa, são tantos sentimentos, tantos momentos e sensações. E não me abalo, não com as derrotas. Seres humanos são falhos, como sempre digo, e o esporte está aí para nos dar alegrias, e não mortes e mais uma coisa com o que se preocupar.

A fase é boa, mas mesmo que fosse ruim, já vivi o suficiente para AMAR esse clube, sua história e seu futuro.

E aos comentários maldosos que surgem na cabeça de alguns, até os Colorados que já se foram, antes do Mundial, também morreram felizes com as vitórias extraordinárias de 70.

E quanto a outros comentários maldosos que não merecem ser lembrados, aqui vai o meu consolo! A consciência é de cada um!



Feita essas ressalvas, e contado a minha história junto a esse clube, o que mais posso dizer?

Ah, fui ao Beira-Rio dia 03/11/08, não tinha jogo, mas moro muito longe de POA e foi a única oportunidade que tive de conhecer o Gigante, até o momento.



Celeiro de Ases (Nélson Silva, 1957)

Glória do desporto nacional
Oh, Internacional
Que eu vivo a exaltar
Levas a plagas distantes
Feitos relevantes
Vives a brilhar
Correm os anos, surge o amanhã
Radioso de luz, varonil
Segue tua senda de vitórias
Colorado das glórias
Orgulho do Brasil
É teu passado alvi-rubro
Motivo de festas em nossos corações
O teu presente diz tudo
Trazendo à torcida alegres emoções
Colorado de ases celeiro
Teus astros cintilam num céu sempre azul
Vibra o Brasil inteiro
Com o clube do povo do Rio Grande do Sul.

Um comentário:

Leonardo disse...

Muito bom Débora. Parabéns pelo post. Ainda terás muitas outras oportunidades de ir ao Beira-Rio, pois com certeza mereces, és uma grande colorada.

Falando de história. Quantas vezes fui ver os jogos dos magros anos 90 no Beira-Rio. Voltando mais vezes derrotado que vitorioso, mas sempre com a alegria de estar em uma excursão com outros colorados dividindo aqueles momentos. E agora, nesta fase boa, vem um grande orgulho de cada uma daquelas excursões, ganhando ou perdendo. Ficar de joelhos em frente a TV em um bar aqui na Itália, após aquele gol do Gabiru, diante de vários italianos que não entenderam nada não teve preço.

E ontem, mais um grenal. Esse time só me dá alegrias!

Saudações vermelhas!