segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Aos meus primeiros alunos

Às tagarelas;

Às espertas;

Às dedicadas;

Às roqueiras;

Aos meninos inteligentes.

Eu não preciso mais conquistar vocês para que colaborem com o meu estágio, porque já estamos no fim dessa linha. Então, o que eu disser aqui é a mais profunda verdade.

Eu vi “solo fértil” em cada olhar. Vi que o clima é bastante favorável a plantar uma semente. Vi em cada um de vocês, sem exceção, a possibilidade de mudar o mundo. Educando, transformando as pessoas, elas poderão mudar o mundo. E meu sonho de adolescente era mudar o mundo. Eu sozinha não posso.

Conviver com vocês me encheu de esperanças, me fez acreditar que existe luz; me animou em continuar tentando me formar professora, e tentar instigar o maior numero de pessoas, de futuros adultos, a enxergar a mudança. Se não podemos mudar o mundo já, vamos melhorando, preparando o terreno para termos menos pobreza, discriminação, desigualdades, e gerar muito mais sorrisos e RESPEITO.

Se tem algo que eu queria de fato ENSINAR ao mundo é o RESPEITO. Mas isso não é possível, porque nem eu consigo respeitar tudo e todos. Mas, procurem respeitar a vontade do outro, o que o outro pensa e acredita. Mas ATENÇÃO: isso não significa concordar com o outro.

Sempre pensem, pensem muito antes de estabelecer uma opinião sobre as coisas. Nunca aceitem tudo que a TV diz e tudo que os “mais velhos” dizem. Respeitem acima de tudo, mas saibam que ninguém é dono da verdade absoluta e vocês podem pensar por conta própria.

Tentem não ser influenciados, mas não percam a possibilidade de dialogar e mudar, transformar.

Enfim, vi nos olhos de todos vocês a capacidade de serem mais do que os nossos pais (afinal, ainda somos da mesma geração).

A pesar dos gritos, dos “ultimatos” e das confusões, me fez muito bem ter essa turma – a turma de oitava série, 81, de 2010 da Escola Estadual Lilia Neves – como meus primeiros alunos, minhas primeiras “cobaias” (=P). Aprendi muito com vocês: aprendi que preciso melhorar a maneira de lidar com os alunos (porque nem todas as turmas que eu lecionar serão tão boas quanto a de vocês – ohhhhh, que meigo!), aprendi que eu gosto de dar aula, que gosto de ser ouvida, que gosto de falar “os meus alunos”.

Espero não ser aquela professora chata (vocês sabem o perfil de uma professora chata), espero sempre ter o espírito adolescente, florescendo, esse espírito que vi em vocês e que revitalizou o meu.

Todos vocês podem e merecem crescer individualmente, e são capazes de compreender e contribuir com a importância do social em nossas vidas.

Muito obrigada.

“La conformidad de esta sociedad ante la vil barbaridad
me hace pensar, me hace meditar, es el camino a no llevar”.

Seguimos em Pie – Ska-P

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