sexta-feira, 5 de maio de 2006

Não quero incomodar ninguém. Perdoem-me se demoro a perceber onde fica o meu lugar, onde me colocaram dessa vez. Perdoem-me de acreditar, às vezes, que tenho um posto permanente, de não perceber rapidamente as mudanças de comportamento que dão as pistas de que o meu espaço diminuiu.
Perdoem-me de ser ingênua para alguns assuntos, de ser pouco perceptiva em relação a "receber um corte". Isso acontece porque aposto cedo demais nas pessoas, acredito cedo demais nas pessoas, considero cedo demais as pessoas. Acho que o meu "psicológico" é meio precoce. Isso acontece porque não precisa de muito para eu confiar nas pessoas, não preciso de meses de comunicação pra dar minha amizade e acreditar no que as pessoas dizem, é rápido eu me iludir.
Eu sei, muito das coisas que as pessoas me dizem, no momento que são ditas, são sinceras, mas como eu custo muito a mudar do amor pro ódio, acabo acreditando que aquela pessoa que quer mostrar sinceridade, também não faz rapidamente essa transição, e com isso acabo sendo chata em insistir em manter contato, ou em não perceber que estou sendo ignorada.
Perdoem-me de pensar que todos podem ser como eu, de acreditar que todos me amam como eu os amo.
Têm situações que realmente não acredito no que me dizem, mas acabo sendo induzida a acreditar, por pensar que as pessoas são boas, não que elas não sejam boas apenas por terem sentimentos diferentes dos meus. Momentos em que digo: "não precisa mentir", e me retrucam: "mas é verdade" e com isso, pronto, já conquistou minha confiança. Às vezes dizem isso por gentileza, e eu percebo, mas tem algo em mim que me faz acreditar que foi espontâneo.
Eu sou uma merda.
Tá aí, eu não sou depressiva, porque odeio essa expressão, mas por eu me iludir com felicidades inexistentes, escondo minhas mágoas em novas ilusões, e quanto mais ilusões, mais decepções. Acho até que uma pessoa que assume ser depressiva é mais feliz do que eu, que abomino a idéia de depressão e acabo caindo nela sem admitir.
Deus! Eu digo que não, mas eu me importo demais no que as pessoas vão pensar! Escrevo tudo isso e ao mesmo tempo fico maquinando o que as pessoas que lerem (se alguém ler) isso, vão pensar. É por isso que raramente consigo escrever textos pequenos, por que eu começo a me explicar pra várias situações: pra quem vai gostar, pra quem não vai gostar, pra quem vai repudiar, pra quem vai tentar entender e pode imaginar coisas que não penso etc.
Torno a repetir: eu sou uma merda.
Eu tento mostrar o que sinto, o que sou, para pessoas que não estão nem aí pra mim, nem aí para o que vivi (ou vivemos). Porque não quero decepcionar as pessoas, porque eu quero mostrar a elas o que sou antes de elas se arriscarem a se relacionar comigo, mas com isso, pessoas que só querem me ferrar estão nesse momento rindo do que escrevo, do que sou, e as pessoas que já estão de saco cheio de mim, acabam pegando mais nojo, talvez até sejam pessoas que eu goste. Tudo isso pra prevenir as pessoas de com o que elas pretendem, ou não, se meter.
Por isso, às vezes, fico meio anti-social. De tanto eu me quebrar, eu já chego e digo: olha, se tu vai me largar no meio do caminho, me deixa sozinha, se tu quer minha amizade só pra beneficio próprio, tudo bem, só não me ilude e não acaba me empurrando pra baixo de novo.

Uou... Race Against Myself - Offspring (não gostava muito dessa música, mas é por aí...).

12 de dezembro de 2005
18hs 55 min.





Obs: Não li de novo esse texto antes de postá-lo. Talvez ele não esteja mais adequado ao meu momento, mas deve ser verdade.

Um comentário:

Igor Calado disse...

Hum... sabe as palavras transparecem a dor de uma alma marcada pelos porques da vida... gostei =) (menos da parte onde vc se chama de merda)
=****